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Bruna Charifker Vogel

Bruna Charifker Vogel

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo/USP e mestre em Estudos Latino Americanos e Caribenhos pela New York University/NYU, é redatora do Seu Dinheiro. Com mais de 15 anos de experiência em análise, fortalecimento e desenvolvimento de políticas públicas no Brasil e nos Estados Unidos, fez transição de carreira para o mercado financeiro, atuando nas áreas de comunicação interna, DEI, T&D, employer branding e cultura organizacional.

RENDA FIXA BRILHA

Fundos ESG no Brasil crescem 28% em 2025, mas segmento de ações perde espaço

Levantamento do Itaú BBA mostra que, no longo prazo, os fundos de ações ESG performam melhor em comparação com o mercado em geral

Bruna Charifker Vogel
Bruna Charifker Vogel
30 de junho de 2025
16:20
fundos ESG investimento sustentável
O destaque na indústria de fundos ESG foi o segmento de renda fixa ESG, que passou a responder por 78% do patrimônio, enquanto os fundos de ações ESG encolheram para 17% - Imagem: iStock/ookawa -

Ao contrário do que se poderia imaginar diante de um contexto geopolítico internacional de retrocessos em relação a políticas e práticas ESG — em especial por parte do governo Donald Trump —, o mercado brasileiro de fundos ESG segue em expansão em 2025. 

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Segundo relatório do Itaú BBA, o patrimônio sob gestão (AuM) dos fundos com estratégias ambientais, sociais e de governança (ESG) alcançou R$ 34 bilhões em maio, alta de 28% no acumulado do ano. 

No entanto, a participação dos fundos de ações sustentáveis continua em queda, refletindo a maior busca por fundos de renda fixa ESG — sintomático do cenário de juros altos no país.

De acordo com o levantamento, o Brasil conta hoje com 193 fundos ESG ativos, considerando todas as classes — renda fixa, ações e multimercados. Desse total:

  • 127 são fundos IS (investimento sustentável), que possuem compromisso formal com objetivos sustentáveis e integração efetiva de critérios ESG.
  • 66 são ESG-related funds, que apenas consideram fatores ESG como parte do processo decisório, sem compromisso formal.

Além disso, o levantamento mostra que, no longo prazo, o desempenho dos fundos ESG supera o do mercado em geral, apesar do cenário mais desafiador em 2025. 

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No acumulado desde abril de 2022, os fundos de ações IS subiram 41% e os fundos de ações ESG-related avançaram 31,7%. Já a indústria de fundos de ações brasileira valorizou 21,9% no mesmo período.

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Patrimônio cresce, com destaque para renda fixa

O destaque na indústria de fundos ESG foi o segmento de renda fixa ESG, que passou a responder por 78% do patrimônio, enquanto os fundos de ações ESG encolheram para 17% (R$ 5,6 bilhões), segundo os analistas do banco.

Mesmo com o bom desempenho da bolsa brasileira no ano (IBOV +14%; ISE +24%), o patrimônio dos fundos de ações ESG caiu 12% desde janeiro.

Os fundos IS mantêm liderança em patrimônio, somando R$ 25,7 bilhões (76% do total ESG), com alta de 42% no ano. Já os ESG-related funds encolheram 2%, para R$ 8,3 bilhões. 

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No acumulado de 2025, o setor ESG captou líquido R$ 6,2 bilhões, com os fundos IS respondendo por R$ 6,6 bilhões desse total e os ESG-related registrando saída líquida de R$ 400 milhões.

Fundos ESG de ações têm retração no patrimônio em 2025

De acordo com o relatório do Itaú BBA, dentro do universo de 193 fundos ESG no Brasil, 101 são fundos de ações ESG, o que corresponde a 52% da quantidade de fundos ESG no país. Desses:

  • 66 são IS funds
  • 35 são ESG-related funds

Apesar de representarem a maior parte dos fundos ESG em número, os fundos de ações concentram apenas 17% do patrimônio ESG total (R$ 5,6 bilhões) e vêm perdendo espaço desde 2022.

Embora o mercado ESG como um todo tenha registrado crescimento, os fundos ESG de ações apresentaram um saldo negativo em 2025, com R$ 1 bilhão em resgates líquidos — sendo R$ 275 milhões em fundos IS e R$ 730 milhões em ESG-related funds.

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O AuM total dos fundos de ações ESG caiu R$ 0,8 bilhão, para R$ 5,6 bilhões, mantendo uma participação de 0,9% sobre o total da indústria de fundos de ações brasileira.

Negative Screening lidera as estratégias ESG

Entre os fundos IS, o método mais utilizado para integração ESG continua sendo o negative screening (exclusão de setores ou empresas), presente em 94% dos ativos, de acordo com o levantamento do Itaú. 

Os principais setores excluídos são: armas, carvão, tabaco, trabalho infantil, trabalho forçado e empresas envolvidas em corrupção.

Outros critérios ESG aplicados pelas gestoras são:

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  • Ratings internos ESG: sistemas de avaliação próprios desenvolvidos pelas gestoras, usados em 58%
  • Best-in-class: escolha por empresas líderes em desempenho ESG dentro de cada setor, presente em 40%
  • Positive screening: seleção ativa de empresas que se destacam por boas práticas ESG ou que estão alinhadas com objetivos específicos como energia limpa, e valuation ajustado via ESG, ajustar o valor atribuído a uma empresa nos modelos de precificação com base no seu desempenho ESG, são pouco frequentes.

Além disso, o relatório do Itaú destaca que os critérios ambientais são os mais frequentes nos fundos IS. Cerca de 57% do patrimônio desses fundos acompanha pelo menos um indicador ambiental. O tema mais monitorado é mudança climática, presente em 41% dos ativos, seguido pelo controle de emissões de gases de efeito estufa (13%). Indicadores relacionados a consumo de energia, gestão de água e outros fatores ambientais aparecem em percentuais menores.

Já os critérios sociais são considerados em 43% do patrimônio dos fundos IS. O indicador mais comum é o de engajamento, diversidade e inclusão, presente em 41% dos ativos. Além disso, alguns fundos monitoram o impacto das operações nas comunidades onde atuam (11%) e questões ligadas à saúde, segurança e direitos humanos, embora com menor frequência.

Por fim, os critérios degovernança aparecem em 44% dos ativos e priorizam, principalmente, a qualidade das informações divulgadas pelas empresas e a transparência na gestão corporativa, monitoradas em 31% dos recursos. A remuneração dos executivos também é um ponto de atenção (31%), seguida pela composição e independência dos conselhos de administração (11%).

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