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Para o gestor da fama re.capital, retorno do republicano à Casa Branca acelera reação dos ativistas legítimos e expõe as empresas oportunistas
Desde que Donald Trump reassumiu a Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, uma pergunta paira sobre o mercado financeiro global: qual será o impacto da nova gestão americana na luta contra as mudanças climáticas?
Para Fabio Alperowitch, fundador da gestora de investimentos responsáveis fama re.capital e um dos nomes mais vocalmente críticos no debate ambiental no Brasil, os efeitos podem ser contraditórios — e, curiosamente, até positivos em certos aspectos.
“O Trump vai ajudar bastante a pauta”, afirmou Alperowitch, em entrevista ao Seu Dinheiro.
“Com ele no poder, há menos interesse em fazer greenwashing, porque não há mais incentivo reputacional para parecer sustentável sem ser. E, por outro lado, quem se importa de verdade com a pauta sente mais urgência em agir.”
Greenwashing, ou "lavagem verde", é uma prática enganosa que consiste em apresentar uma imagem de sustentabilidade ou responsabilidade ambiental mais positiva do que a realidade.
Segundo o gestor, embora o retorno de Trump traga retrocessos claros — como o enfraquecimento do multilateralismo e o desmonte de políticas climáticas —, ele também expõe o jogo de aparência de empresas e investidores que tratam ESG apenas como marketing.
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“As empresas só fazem greenwashing quando há um benefício. Sem ele, não há motivação para parecer ‘verde’. Isso limpa o terreno e escancara quem está realmente comprometido com a pauta”, completa.
Alperowitch não poupa críticas ao sistema financeiro nacional. Para ele, a maioria das gestoras brasileiras sequer integra o fator climático nos modelos de análise de investimentos.
“É uma irresponsabilidade. Não conheço nenhuma gestora que considere clima nos seus valuations. Nenhum analista pergunta sobre isso nos calls de resultados. Isso mostra o quão distante o tema ainda está das decisões de investimento”, alerta.
Na visão do gestor, enquanto esse olhar não amadurecer, os produtos “verdes” disponíveis no mercado seguirão sendo mais comerciais do que transformadores de fato, com impacto real.
Para ele, um avanço significativo na pauta é o chamado stewardship: estratégia utilizada por fundos para influenciar as decisões de empresas na qual investem. No caso dos investimentos verdes, o objetivo dessa abordagem colaborativa e contínua é justamente auxiliar as investidas na transição para um negócio mais alinhado a questões socioambientais — inclusive (ou principalmente) com as grandes emissoras de gases de efeito estufa.
Fundada em 1993, a fama re.capital ainda é uma das poucas gestoras no país que adota esse modelo de engajamento colaborativo, segundo Alperowitch.
Durante a entrevista, Fabio Alperowitch também fez duras críticas à falta de compreensão do mercado financeiro sobre o conceito de justiça climática, que relaciona a desigualdade social aos efeitos da crise ambiental.
“Aqueles que menos contribuíram para as mudanças climáticas são os que mais sofrem com elas. Isso é cruel. E o mercado está muito longe de sequer considerar essa perspectiva”, afirma.
Alperowitch cita o exemplo de um dos fundos de sua gestora que tem como foco justamente financiar comunidades tradicionalmente excluídas do sistema financeiro, como indígenas, quilombolas, pequenos agricultores e cooperativas.
Além de mitigar emissões de carbono na atmosfera, esse tipo de investimento, segundo o gestor, gera impacto direto na resiliência dessas populações frente aos eventos extremos causados pelas mudanças climáticas, como secas e inundações.
O gestor enfatiza que aproximadamente 75% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil estão ligadas ao uso da terra — como desmatamento, agropecuária e mineração.
A vantagem brasileira, por outro lado, está na matriz energética, composta em 83% por fontes renováveis, o que diferencia o país no esforço global de descarbonização.
Nesse sentido, o Brasil tem desafios únicos em comparação com o resto do mundo, cujo principal desafio é minimizar a dependência dos combustíveis fósseis.
Contudo, o setor do agronegócio, segundo Alperowitch, ainda reage pouco às evidências dos impactos climáticos.
“O El Niño forte do ano passado afetou a produção agrícola. Isso deveria ser um choque de realidade para o agronegócio, que, eventualmente, buscaria soluções para a descarbonização para deixar de ser afetado [pelos eventos extremos].”
Embora existam iniciativas positivas, essa mudança de postura por parte do setor não tem acontecido em larga escala como deveria, segundo o gestor.
“O setor só vai mudar pela dor. Depois de algumas safras destruídas, eventualmente veremos participantes do agronegócio se preocupando mais com as mudanças climáticas”.
Outro setor apontado por Alperowitch que enfrenta grandes desafios é o de frigoríficos, na medida em que, de certa forma, apoia o desmatamento para a produção de gado.
Apesar do ceticismo, Alperowitch aposta em uma estratégia ativa com empresas de setores intensivos em carbono.
Um dos fundos da gestora é voltado para apoiar a transição de grandes emissores. “Só existem quatro fundos no Brasil com esse perfil”, afirma.
Entre os exemplos citados está a SLC Agrícola, produtora de milho, soja e algodão, que avança na transição de práticas convencionais para a agricultura regenerativa.
Outro exemplo mencionado por Alperowitch é a Marfrig, frigorífico dono de marcas como Bassi e Montana, que vem implementando políticas de rastreamento de sua cadeia de fornecedores diretos e indiretos como forma de conter o desmatamento.
“Na SLC, temos cinco grupos de trabalho com a empresa. Na Marfrig, são quatro em diferentes temas, tais como valoração de capital natural, rastreabilidade e emissão de metano. Isso exige dedicação, mas gera efeito prático e impacto real.”
Apesar do discurso crescente sobre ESG, o gestor acredita que, no Brasil, apenas a governança tem recebido atenção real do mercado financeiro.
“Podem acontecer desastres sociais ou ambientais gigantescos, e ninguém fala nada. Mas basta uma falha de governança para as gestoras reagirem. O mercado está mais maduro nesse pilar.”
O caso recente do Banco Master, segundo ele, ilustra bem os riscos de uma cultura corporativa brasileira baseada em comportamentos oportunistas.
Desde março, o Banco de Brasília (BRB) negocia a compra de uma fatia no Banco Master por R$ 2 bilhões, em uma operação polêmica que levantou críticas sobre o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como escudo para práticas arriscadas.
O Master captava recursos via CDBs com retornos muito acima do mercado e passou a ter dificuldades para pagar os investidores. O caso acendeu alertas sobre riscos sistêmicos e o papel do FGC em proteger bancos com gestão agressiva.
“Foi premiado o comportamento irresponsável, com ônus coletivo e benefício pessoal. Isso foi normalizado — até endeusado — no país como uma forma de fazer negócios.”
Nesse sentido, segundo o gestor, é preciso educar e conscientizar para haver uma mudança, mas esse é um processo de longo prazo.
“Antes disso, é preciso regular. E isso vale tanto para a governança quanto para os pilares social e ambiental.”
Para o investidor que ainda vê os investimentos sustentáveis com desconfiança, Fabio Alperowitch deixa um recado direto:
“Não é sobre filantropia ou ser bonzinho. Investimentos responsáveis têm uma camada extra, uma disciplina maior de análise de risco em comparação com os investimentos tradicionais que desconsideram os fatores climáticos e sociais. Você olha para o que o investidor tradicional não vê, e isso pode gerar retorno igual ou maior.”
Consequentemente, a dicotomia entre impacto e rentabilidade, segundo ele, é falsa.
“O investidor não precisa ser ‘verde’ para ser investidor. Basta ser investidor. Ao ser responsável, você será mais rentável e menos arriscado.”
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