Cogna (COGN3) mostra ao investidor que terminou o dever de casa, retoma dividendos e passa a operar sem guidance
Em meio à pandemia, em 2020, empresa anunciou guidances audaciosos para 2024 – que o mercado não comprou muito bem. Agora, chegam os resultados

Era final de 2020, bem no meio da pandemia. O cenário de restrições era desafiador para as empresas de educação e especificamente para a Cogna (COGN3), dona de marcas como Anglo, Anhanguera e Red Balloon.
Em meio a esse cenário caótico, a empresa ainda anunciou ao mercado uma ampla reestruturação interna, com guidances audaciosos para 2024 – que o mercado não comprou muito bem. E os investidores continuaram incrédulos por bastante tempo, porque dali se seguiram trimestres de prejuízo.
“Até o terceiro trimestre de 2022, a gente tinha receita [líquida] negativa e era muito criticado no mercado porque outras empresas cresciam 10%, 15% ao trimestre. A gente decrescia 19%, e o pessoal perguntava: ‘mas que loucura vocês estão fazendo aí? Vão acabar com a empresa?’”, lembra Roberto Valério, CEO da Cogna, em entrevista com um pequeno grupo de jornalistas nesta semana.
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Até que 2024 terminou e chegou a hora de mostrar os resultados do turn around. Os dois guidances prometidos, de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente e geração de caixa (GCO) após Capex, foram atingidos – e a empresa voltou à era dos dividendos aos acionistas após cinco anos.
No caso do Ebitda, que partiu de R$ 690 milhões em 2020, a meta era chegar a R$ 2,1 bilhões em 2024. A empresa alcançou R$ 2,174 bi, com uma alta de três vezes.
Já no caso do GCO, que partiu de R$ 240 milhões em 2020, a meta era atingir R$ 1 bilhão em 2024 – e a companhia fechou o ano passado com R$ 1,045 bilhão, um resultado quatro vezes superior.
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O CEO reitera que tudo isso foi alcançado com os mesmos ativos de 2020, sem fusões nem aquisições no meio do caminho -- apenas com uma mudança de estratégia. “A gente sempre acreditou que os ativos da empresa tinham um potencial intrínseco muito grande, e que a gente precisava fazer uma reestruturação importante na maneira como a gente operava”, diz Valério.
A empresa, que divulgou seu balanço do 4T24 em 12 de março, fez nesta quarta-feira (2) seu encontro com investidores, no chamado Cogna Day, para mostrar que fez seu dever de casa e, agora, segue para uma nova fase.
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E esta nova fase é sem guidances. “Eu acho que a gente tem esse nível de transparência, esse nível de abertura de explicar a nossa estratégia, de mostrar a consistência dos resultados para dizer que o que a gente fez nos últimos quatro anos vai continuar nesse ritmo”, explica o CEO. “Eu não preciso mais dar um guidance para você entender a empresa.”
O que teve na fase de recuperação da Cogna
Um dos pontos seguidos pela companhia foi buscar tornar-se mais asset light, tirando o pé dos cursos presenciais e apertando o acelerador nos cursos de educação à distância (EAD). Com isso, de 2020 a 2024, a empresa passou de 176 para 113 campi, e de 1.255 polos de EAD para 3.000. O mix entre presencial e EAD passou de 30-70, em 2020, para 13-87, em 2024.
E no caso da educação básica, a empresa vendeu suas 40 escolas e passou a focar em sistemas de ensino.
No caso dos cursos de graduação, passou a apostar mais naqueles que são mais caros – como enfermagem, odontologia, direito, agronomia e até medicina.
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Também de olho na geração de caixa, encerrou seu programa Parcelamento Estudantil Privado (PEP), buscou reduzir os índices de inadimplência, tornando-se mais restritiva na rematrícula e captação de novos alunos.
Esse movimento, segundo a Cogna, não veio acompanhado de queda na qualidade nem na aprovação dos cursos pelos alunos. A empresa mostra dados de NPS subindo (alta de 26 pontos percentuais de 2020 a 2024), além de melhora na avaliação dos seus cursos pelo MEC, por exemplo.
Cogna aposta também em novas linhas de receita
Uma das vertentes desta estratégia adotada nos últimos anos, e que deve continuar em prática, segundo os executivos da Cogna, é a criação de novos negócios a partir de capacidades que a empresa já tem.
Das receitas de 2024, 5% (R$ 350 milhões) vieram de negócios que não existiam dois anos atrás, segundo a direção da empresa, movimento que deve crescer com o tempo.
Eles citam como exemplo a criação da marca Start Anglo, franquia de escola bilíngue que não existia há dois anos e hoje já conta com 40 contratos, sete escolas ativas (inclusive o Liceu Pasteur) e R$ 12 milhões em receita em 2024.
Outro exemplo é o produto para recuperação de aprendizagem, vendido para governos municipais e estaduais que buscam melhorar a performance de seus alunos em avaliações de educação, como o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). O faturamento com esta frente passou de R$ 41 milhões, em 2020, para R$ 305 milhões, no ano passado.
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Finalmente, houve ainda a criação de uma plataforma para criadores de conteúdo, ao estilo Hotmart: a Voomp, que atingiu 623 clientes em 2024.
De olho no retorno aos acionistas
O CFO da Cogna, Frederico Villa, destaca que a empresa retomou o lucro líquido em 2024, o que não acontecia desde 2019, e com isso volta a distribuir dividendos aos acionistas. Serão R$ 120,8 milhões em dividendos pagos aos detentores de COGN3, que devem ser aprovados em assembleia geral no dia 30 de abril.
Villa aponta, ainda, que a empresa lançou nos últimos anos dois programas de recompra de ações: um aprovado em 2024, com 44 milhões de ações, e outro que começou em 20 de janeiro de 2025, com 144 milhões de ações.
“Nós estamos retomando e retornando o capital para os nossos acionistas através da elevação do preço da ação pela entrega dos nossos resultados”, diz Villa.
Nesta quarta-feira, a ação COGN3 opera em baixa. Por volta das 12h10, o papel caía 4,63%, a R$ 2,06, enquanto o Ibovespa tinha baixa de 0,086%.
No ano, a ação COGN3 já registra valorização de 89%.
A empresa é acompanhada por 12 analistas de bancos e corretoras, dos quais 7 têm recomendação de compra e 5, neutra.
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