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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RESULTADO

Ainda pior que o esperado: Banco do Brasil (BBAS3) tem lucro quase 60% menor e ROE de 8% no 2T25

O BB registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,784 bilhões entre abril e junho; veja os destaques do balanço

Camille Lima
Camille Lima
14 de agosto de 2025
18:37 - atualizado às 19:37
Fachada de uma agência do Banco do Brasil.
Fachada de uma agência do BB - Imagem: iStock/Global_Pics

Pior que o esperado. Essa é uma definição simplista, mas adequada, do que o Banco do Brasil (BBAS3) entregou no balanço do segundo trimestre de 2025.

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O último dos quatro grandes bancos brasileiros a divulgar o resultado, o BB anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 3,784 bilhões entre abril e junho. 

A cifra corresponde a um tombo de 60,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 48,7% contra o trimestre passado.

“O ano de 2025 é de ajuste para aceleração do crescimento. Projetamos lucro entre R$ 21 e 25 bilhões e seguimos com investimentos estruturantes para geração de riqueza aos nossos acionistas”, disse a CEO do BB, Tarciana Medeiros, em nota.

O resultado veio muito abaixo das expectativas do mercado, que previa um lucro médio de R$ 5,770 bilhões, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg.

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A rentabilidade também esteve em xeque no segundo trimestre, pressionada pelo alto nível de inadimplência e as elevadas provisões. 

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O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) chegou a 8,4%, com uma queda de 13 ponto percentual na base anual e de 8,23 p.p na comparação trimestral. 

Trata-se do menor nível desde o terceiro trimestre de 2000, quando o ROE médio chegou a 3,8%, segundo dados da consultoria Elos Ayta enviados ao Seu Dinheiro.

A rentabilidade veio bastante aquém do esperado pelo mercado, que já tinha expectativas baixas, de 11,5%.

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Além disso, é o pior patamar entre os grandes bancos, abaixo dos níveis de pares privados como o Bradesco (BBDC4), que reportou um ROE de 14,6%, e o Santander (SANB11), com 16,4%.

"O BB é um banco sólido e resiliente, com mais de 200 anos de história. Sabemos que o ano de 2025 será um ano de ajuste. Mais do que respostas de curto prazo, estamos reforçando as bases para um futuro sustentável e geração de valor consistente para todos os nossos stakeholders", escreveu o banco, no resultado.

Inadimplência e mais inadimplência

Um vilão já conhecido dos investidores, a inadimplência continuou a derrubar o balanço do Banco do Brasil (BBAS3).

O índice de devedores acima de 90 dias teve alta de 1,21 ponto porcentual na comparação com o mesmo trimestre de 2024 e de 0,5 p.p na base trimestral, a 4,21%.

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As provisões para devedores duvidosos (PDD) subiram 50,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 94,7 bilhões em perdas previstas no crédito.

Já o custo do crédito, que corresponde às despesas de perda esperada somadas aos descontos concedidos e deduzidas das receitas com recuperação de crédito, aumentou 103,8% na base anual, a R$ 15,9 bilhões.

A pressão sobre os indicadores do BB veio outra vez do agronegócio e de inadimplências no crédito corporativo, especialmente de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que continuam impactando os índices de inadimplência e a qualidade dos ativos do banco.

A inadimplência da carteira de agronegócios alcançou a marca de 3,49%.

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"Apesar do cenário positivo para a safra no Brasil em 2025, com uma colheita recorde, e do elevado percentual de garantias nessa carteira, há um estoque de operações que não foram pagos na safra 2024/2025, inclusive, por conta das recuperações judiciais no setor – que exigem maior provisionamento sob a nova regulação", escreveu o BB.

Segundo o Banco do Brasil, diante do aumento da inadimplência, a instituição tomou "ações imediatas", que incluem a revisão dos fluxos de cobrança, priorização de desembolsos da matriz de resiliência e maior concessão de crédito em linhas que possuem mitigadores ou fundos garantidores.

Os destaques do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 4T24

O Banco do Brasil (BBAS3) também viu a margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, desacelerar no segundo trimestre. O indicador caiu 1,9% em relação aos últimos 12 meses, mas subiu 4,9% na base trimestral, para R$ 25 bilhões.

A margem financeira com o mercado — que reflete a remuneração do banco com as operações de tesouraria — teve queda de 51,4% em relação ao mesmo trimestre de 2024 e de 22% na comparação com o 1T25.

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Segundo o Banco do Brasil, a performance foi impactada pelo câmbio e pelo aumento nas despesas de captação institucional devido à estratégia de mix de funding com emissões de letras financeiras perpétuas no Brasil indexadas à taxa média Selic.

Já a margem com clientes teve aumento de 12,3% no mesmo período frente ao ano passado, a R$ 22,3 bilhões. O desempenho foi ajudado pelo crescimento das receitas de crédito da carteira de pessoa física, além do crescimento da margem de passivos.

A carteira de crédito ampliada do Banco do Brasil cresceu 11,2% em relação a igual intervalo de 2024 e 1,3% ante ao trimestre imediatamente anterior, para R$ 1,29 trilhão. 

As receitas operacionais do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 1% no período, chegando a R$ 8,8 bilhões no fim de junho.

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Enquanto isso, as despesas operacionais subiram 4,7% no comparativo anual, a R$ 9,7 bilhões.

De olho no guidance revisado

Junto ao balanço, o Banco do Brasil (BBAS3) também divulgou as projeções (guidance) atualizadas para o ano de 2025.

Além de trazer os três indicadores que foram colocados sob revisão no último trimestre (margem financeira bruta, custo do crédito e lucro líquido ajustado), o BB também reduziu estimativas de diversas outras linhas de resultado.

Confira o guidance revisado:

IndicadoresIntervalo AnteriorObservado 1S25Revisado
Carteira de Crédito – variação %5,5 a 9,510,33,0 a 6,0
Pessoas Físicas – variação %7,0 a 11,08,07,0 a 10,0
Empresas – variação %4,0 a 8,015,23,0 a 3,0
Agronegócios – variação %5,0 a 9,08,03,0 a 6,0
Carteira Sustentável – variação %7,0 a 11,010,67,0 a 10,0
Margem Financeira Bruta – R$ bilhõesEm revisão48,9102,0 a 105,0
Custo do Crédito – R$ bilhõesEm revisão26,153,0 a 56,0
Receitas de Prestação de Serviços – R$ bilhões34,5 a 36,517,1Mantido
Despesas Administrativas – R$ bilhões38,5 a 40,019,2Mantido
Lucro Líquido Ajustado – R$ bilhõesEm revisão11,221,0 a 25,0

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