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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RISCO DE CRÉDITO

Alívio para o BRB (BSLI4): com polêmica compra do Master fora do jogo, Moody’s retira alerta de rebaixamento

Com o sinal vermelho do BC para a aquisição de ativos do Master pelo BRB, a Moody’s confirmou as notas de crédito e estabeleceu uma perspectiva estável para o Banco de Brasília

Camille Lima
Camille Lima
3 de outubro de 2025
11:50 - atualizado às 12:21
Banco de Brasília - BRB (BSLI4)
Banco de Brasília - BRB (BSLI4). - Imagem: Divulgação

O perigo de um rebaixamento iminente parece ter se afastado do Banco de Brasília (BRB; BSLI4). A agência de classificação de risco Moody's anunciou a retirada do alerta de revisão negativa que pesava sobre o banco.

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A Moody's confirmou os ratings e avaliações de longo prazo atribuídos ao BRB e atribuiu uma perspectiva estável aos ratings de depósitos de longo prazo — que estavam em revisão desde abril, quando o BRB anunciou a intenção de adquirir o Banco Master.

A decisão da agência acontece pouco tempo depois de o Banco Central rejeitar a compra de parte dos ativos do Master.

“A fusão não ocorrerá mais após a rejeição dos planos propostos pela autoridade reguladora”, disse a Moody’s.

Ainda assim, os analistas deixam claro que nem todas as preocupações desapareceram com o fim do acordo.

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BRB e o risco de crescer rápido demais

A Moody's mantém os holofotes sobre a estratégia de alto crescimento adotada pelo BRB desde 2019. De lá para cá, o balanço do banco cresceu a uma taxa anual robusta, de 35,7%. 

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Esse ritmo, segundo a agência, levou a um "consumo acelerado de capital", diminuindo a capacidade do banco de absorver riscos futuros, especialmente em um cenário econômico mais desafiador.

O capital do BRB, mesmo após novas injeções dos acionistas em 2024, continua apertado, com seu índice de capital principal (CET1) em 8,1%. 

“A capitalização provavelmente permanecerá abaixo da de outros bancos de médio porte no Brasil, refletindo a modesta capacidade de reposição de capital do banco e sua estratégia de crescimento acelerado”, prevê a agência.

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As finanças do BRB

O quadro financeiro do BRB é misto. A qualidade do crédito aparenta melhora, com a relação entre empréstimos de estágio 3 e o total de empréstimos caindo de 3,3% em março de 2024 para 2,2% no mesmo período deste ano. 

No entanto, a agência ressalta que parte dessa melhora se deve ao crescimento da carteira total de crédito em 55,2% e à venda de empréstimos problemáticos.

O que ajuda a mitigar, ao menos parcialmente, os riscos associados ao forte ritmo de crescimento dos empréstimos é a forte concentração em créditos de menor risco, como o consignado (52,5% do total) e o imobiliário (cerca de 18%).

Por outro lado, a lucratividade continua sendo um ponto de atenção. Com um lucro líquido sobre ativos tangíveis de apenas 0,5% em 2024 — muito abaixo da média de 2% registrada entre 2018 e 2021 —, o banco sofre com margens reduzidas e altos custos operacionais. 

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“Embora o BRB tenha reportado resultados operacionais melhores nos primeiros seis meses de 2025, ao mesmo tempo em que tem potencial para alavancar sua base de clientes expandida para aumentar a penetração do produto, esperamos que a lucratividade permaneça abaixo dos níveis históricos”, disse a Moody’s.

A agência não espera uma melhora significativa nos próximos 12 a 18 meses, dados os altos custos de captação e a forte concorrência.

A perspectiva estável para o Banco de Brasília

Apesar dos desafios, a perspectiva estável da Moody’s para o BRB se ancora na consolidada operação do banco no Distrito Federal. 

É essa forte franquia regional, sustentada por um amplo acesso a depósitos estáveis e de baixo custo de servidores públicos e entidades governamentais, que apoia positivamente o perfil financeiro do banco e justifica a manutenção de sua nota atual, segundo os analistas.

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Para o futuro, uma melhora na classificação do BRB dependerá da sua capacidade de provar que a expansão pode, de fato, gerar lucros sustentáveis e fortalecer seu capital. 

Em contrapartida, um novo rebaixamento pode voltar à pauta se o crescimento contínuo alterar seu tradicional perfil de baixo risco ou se a lucratividade e o capital continuarem a se deteriorar.

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