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Itaú BBA tem recomendação neutra para o Banco do Brasil, apesar de lucro acima do esperado no quarto trimestre de 2024. Analistas da instituição têm outros preferidos no setor bancário
Se o Banco do Brasil (BBAS3) fosse um jogador de futebol, ele estaria impressionando os torcedores com dribles bonitos. Mas, no mercado financeiro, o que chama atenção são os lucros, e o bancão vem se mostrando um craque no setor.
A instituição reportou um lucro líquido de R$ 9,6 bilhões no quarto trimestre de 2024, um valor acima do esperado pelo mercado. Além disso, as ações BBAS3 tiveram uma das maiores valorizações do setor no último ano, com alta de 16%.
Já seus pares apresentam os seguintes desempenhos: BTG Pactual (BPAC11) valorizou 17,75% nos últimos 12 meses, Itaú (ITUB4) teve alta de 6%, Santander (SANB11) 7% e Bradesco (BBDC4) está no zero a zero.
Apesar de parecer estar com a bola toda, o Banco do Brasil não agradou a todos. O Itaú BBA acendeu um alerta para os dividendos da instituição e colocou o BBAS3 no banco de reservas, com recomendação neutra (market perform) para as ações.
A corretora projeta um preço-alvo de R$ 30 para as ações BBAS3, um potencial de alta de 11%. “Apesar de termos uma perspectiva positiva para o Banco do Brasil no longo prazo, estamos esperando dinâmicas melhores”, afirma o Itaú BBA em relatório.
O Banco do Brasil não está sozinho na lista. Outros gigantes do setor estão sendo avaliados com cautela, como o Nubank (ROXO3) e o Bradesco (BBDC4). Para os analistas da instituição, há outros craques da vez no segmento: o Santander Brasil (SANB11) e o BTG Pactual (BPAC11).
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Mas, afinal, o que fez a bola do Banco do Brasil murchar para o Itaú BBA? A questão é que os analistas enxergam um cenário desafiador para o banco, com um crescimento menor para 2025.
A estimativa é que o Banco do Brasil vai lucrar R$ 37,5 bilhões até o fim deste ano, o que seria o piso da faixa das projeções fornecidas pela estatal.
Além disso, o que acendeu um alerta para a queda de dividendos foi a perspectiva de piora da inadimplência.
Isso porque, segundo os analistas, o banco apresentou uma qualidade de crédito abaixo da média do setor recentemente, com o indicador de inadimplência (NPL) aumentando 40 pontos-base em 2024. Já os concorrentes registraram queda no ano anterior.
O aumento do NPL do Banco do Brasil foi impulsionado pelo segmento agro e por Pequenas e Médias Empresas (PMEs), com apenas uma leve melhora no segmento de pessoas físicas.
“Embora o segmento agro tenha perspectiva de melhora, acreditamos que o ciclo macroeconômico adverso e o peso maior da carteira de crédito renegociado impactarão os custos de crédito como um todo”, afirma o Itaú BBA em relatório.
Os analistas destacam que o Banco do Brasil aumentou sua carteira renegociada em R$ 8 bilhões (alta de 22% ao ano), enquanto os concorrentes reduziram essa carteira em aproximadamente R$ 4 bilhões.
O craque no campo bancário corre o risco de ver os dividendos minguando, e já demonstra alguns sinais disso. Em 2025, o Banco do Brasil mudou a sua política de distribuição, passando para uma faixa de pagamento de 40% a 45%. Até então, o bancão operava com proventos em torno de 45%.
Segundo o Itaú BBA, a mudança ainda não terá um impacto significativo para os investidores, uma vez que o rendimento cairia em um ponto percentual, para 9% em 2025.
O problema é a mensagem: com a redução, o bancão indica um novo equilíbrio de crescimento, lucratividade e pagamentos.
Além disso, segundo as estimativas do Itaú BBA, que projeta um crescimento de 10% dos empréstimos e ROE (rentabilidade) de 18%-19%, uma taxa de pagamento de 45% reduziria o capital abaixo do nível confortável do próprio banco, de 11%, o que também obrigaria o Banco do Brasil a pagar menos dividendos.
“A trajetória de redução de pagamento já começou. Apenas um cenário de ROE acima de 20% poderia sustentar um crescimento de 10% no livro de empréstimos, o que vemos como menos provável. Nós avaliamos que a redução do pagamento de dividendos será um tópico de discussão para além de 2025”.
Entre os jogadores, o costume com o ambiente e a altitude do local onde o jogo será desenrolado ajudam muito no desempenho. Para o Banco do Brasil, a alta da taxa Selic colaborava para um lucro rechonchudo. Mas parece que essa história está ficando no passado.
Segundo o Itaú BBA, a alteração na composição da carteira da instituição vai fazer a disparada dos juros ter um impacto menor.
Durante o ciclo de aperto monetário de 2022, 52% dos ativos rentáveis do Banco do Brasil estavam alocados em títulos indexados a taxas flutuantes — ou seja, pós-fixados, que variam com a taxa de juros — e 44%, em crédito. O mix agora é de somente 47% em títulos, com 48% em créditos fixos em uma parcela relevante.
Além disso, dentro do mix de crédito, a participação de pessoas físicas diminuiu de 32% do total para 28%. Enquanto os empréstimos para o setor agro, que têm margens menores, aumentaram a participação no período, passando de 30% para os atuais 33%.
Em contrapartida, o mix de captação comercial se tornou mais sensível às taxas de juros, com a redução da participação de depósitos à vista, poupança e depósitos judiciais. Isso porque, até 2022, representavam cerca de 60% do total e agora correspondem a aproximadamente 50%.
“O banco se tornou menos sensível às taxas para margem financeira com clientes, com uma participação reduzida de títulos de mercado e um mix de financiamento mais caro”, afirmou o Itaú BBA.
*Com informações do Money Times
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