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28 líderes de países estiveram na Cúpula dos Chefes de Estado da COP30. O número é menos da metade do que foi registrado em 2024
Quando um filme vende poucos ingressos ou o número de reproduções de uma música é baixo, os usuários das redes sociais anunciam: aquele conteúdo “flopou". O verbo vem da expressão norte-americana “flop”, que significa “fracasso”. Desta vez, quem “flopou”, de acordo com os críticos ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi a COP30.
O evento, que reúne líderes globais e especialistas para discutir mudanças climáticas, começou na segunda-feira (10), em Belém, no Pará. O número reduzido de chefes de Estados no evento em comparação às edições anteriores tem chamado a atenção desses usuários. Esse revés não impediu o Brasil de emplacar propostas inéditas.
Esta é a primeira vez que a COP é sediada pelo Brasil e termina no dia 21 de novembro. O objetivo do evento é definir medidas para limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC antes do fim do século.
A sigla COP significa Conferência das Partes e representa a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
Na última quinta-feira, 28 líderes de países participaram da Cúpula dos Chefes de Estado, antes da abertura oficial. Nas cadeiras havia 15 presidentes, 11 primeiros-ministros e dois líderes de realeza.
Em 2024, 59 chefes de Estado estiveram na mesma reunião na COP29, em Baku, no Azerbaijão. Desse total, 29 eram presidentes e 30 eram primeiros-ministros.
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Críticos do governo Lula aproveitaram o quórum reduzido para apelidar a COP30 de “FLOP30” nas redes sociais.
A taxa de presença na COP brasileira é, de fato, a menor desde a COP25, de 2019, sediada em Madri, na Espanha. Naquela ocasião, a organização do evento trocou duas vezes a sede, o que derrubou o número de chefes de Estado presentes para seis.
De qualquer modo, o governo brasileiro estima que 57 chefes de Estado participarão da COP30 até 21 de novembro, quanto termina o evento.


Algumas ausências já eram esperadas pelo governo Lula, como Donald Trump, presidente dos EUA, e Javier Milei, da Argentina. Ambos ganharam notoriedade por negarem as mudanças climáticas constatadas por cientistas no decorrer das últimas décadas.
Xi Jinping, presidente da China, também não está em Belém. O país asiático enviou o vice-primeiro-ministro, Ding Xuexiang, para representar o governo.
EUA e China são os maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo junto à Índia, que também não enviou chefes de Estado.
Na COP29, o cenário foi parecido com o da COP30. Joe Biden (ex-presidente dos EUA) não foi ao Baku, Javier Milei impediu a delegação argentina de marcar presença e Xi Jinping mandou um representante em seu lugar.
Mesmo com o quórum reduzido, o governo brasileiro vê o copo meio cheio.
"Seria mais fácil fazer a COP em uma cidade que não tivesse problema, mas a gente resolveu fazer a COP em um estado da Amazônia para provar que, quando se tem disposição e compromisso com a verdade, nada é impossível”, disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da COP30.

Já na Cúpula dos Líderes, em que 28 chefes de Estado estiveram presentes, Lula reconheceu as dificuldades de avançar na pauta das mudanças climáticas, mas reforçou que acredita na busca por soluções: “estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada".
O evento também tenta recolocar o Brasil como um articulador das pautas ambientais. Nesse sentido, o presidente brasileiro cobrou países ricos pelo não cumprimento das promessas feitas na COP21, em 2015, na cidade de Paris, na França. “Os que mais poluíram precisam pagar a conta da transição”, afirmou.
Sem citar os EUA nominalmente, Lula voltou a criticar as guerras, argumentando que "se os homens que fazem guerra estivessem aqui nesta COP, eles iriam perceber que é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para acabar com o problema climático do que colocar US$ 2,7 trilhões para fazer guerra como fizeram no ano passado".
Também criticou pessoas que negam a ciência e usam a desinformação para descredibilizar pautas ligadas às mudanças climáticas e disse que esta edição é uma "COP da verdade".

A visão positiva do governo também é reforçada pelas negociações com saldo positivo realizadas no evento até esta terça-feira (11), segundo dia de COP30.
Uma das novidades lançadas pelo Brasil foi o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). O objetivo da iniciativa é usar os recursos arrecadados globalmente para incentivar financeiramente a proteção de florestas. Até o momento, foram arrecadados US$ 5,5 bilhões para o fundo.
Em entrevista à CNN, o ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que o Brasil deve conseguir arrecadar US$ 10 bilhões para o fundo até o fim da presidência do país na COP30. O governo federal conta ainda com a contribuição da Alemanha.
O país germânico, junto à Espanha, deve investir também US$ 100 milhões em um novo programa que busca aumentar a resiliência climática em países em desenvolvimento. A iniciativa se chama ARISE (sigla para Acelerando Investimentos em Resiliência e Inovação para Economias Sustentáveis).

Com o mesmo intuito de ajudar países de baixa e média renda, dez bancos multilaterais de desenvolvimento anunciaram que vão ampliar seus financiamentos em projetos de adaptação e mitigação até 2030. É esperado um aporte de US$ 185 bilhões.
Outro acontecimento inédito ocorrido na COP30 foi o reconhecimento do racismo ambiental. A expressão é usada para representar efeitos das mudanças climáticas que atingem intensamente grupos raciais marginalizados, como povos indígenas, comunidades tradicionais e pessoas negras. Na Cúpula dos Líderes, 19 países endossaram a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, lançada pelo governo federal.
Já a Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono, outra proposta criada pelo Brasil, teve a adesão de onze países. Haddad afirmou que os países presentes na COP30 demonstram comprometimento em realizar projetos para aumentar a descarbonização.
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