Desaprovação ao governo Lula segue em alta: Fraudes no INSS e aumento do IOF pesam na avaliação do presidente, mostra pesquisa Genial/Quaest
Os ruídos na imagem do presidente ocorrem apesar de uma percepção de melhora da economia

No início desta semana, o presidente Lula afirmou estar “bonitão” e que, se continuar assim, a oposição não retornará à Presidência do país em 2026. Porém, parece que o petista está com uma distorção de imagem. Isso porque a visão da população não é tão agradável quanto a dele.
A pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (4) mostrou que a desaprovação da gestão atual teve um leve avanço, passando de 56% em março para 57% em maio. Já a aprovação caiu de 41% para 40%.
A avaliação negativa do governo Lula também aumentou, indo de 41% para 43%, enquanto a percepção positiva apresentou leve queda, de 27% para 26%.
O levantamento divulgado nesta manhã ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 29 de maio e 1º de junho. O nível de confiabilidade da pesquisa é de 95%; já a margem de erro é de 2 pontos percentuais.
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Uma contradição na imagem
Os ruídos na imagem do presidente ocorrem apesar de uma percepção de melhora da economia. Segundo a Genial/Quaest, a avaliação de que o cenário econômico brasileiro piorou nos últimos 12 meses recuou de 56% para 48%.
Já a percepção de que a economia está do mesmo jeito passou de 26% para 30%, enquanto 18% acreditam que houve uma melhora. Até março, a avaliação positiva era de 16%.
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O levantamento também mostra que o índice de pessoas que acreditam que o preço dos alimentos nos mercados piorou caiu de 88% para 79%. O percentual de brasileiros que pensam que está igual passou de 6% para 12%, enquanto a percepção de queda nos preços subiu de 6% para 7%.
Em relação aos preços dos combustíveis, 54% avaliam que os valores subiram, o que representa uma queda em contraste com os 70% de março. Porém, a percepção de que tudo permanece igual aumentou, passando de 16% para 21%.
Também caíram os índices dos que entendem que os valores das contas de água e luz subiram, indo de 65% para 60%, e dos que consideram que a qualidade de vida da família piorou, passando de 39% para 35%.
Para o cientista político e CEO da Quaest Felipe Nunes, um dos motivos para essa contradição entre a avaliação econômica e a desaprovação de Lula vem do impacto das notícias negativas.
“A forte repercussão de notícias como o escândalo do INSS diminuiu o efeito positivo da economia e do lançamento dos novos projetos e programas do governo”, afirmou, em publicação na rede social X (antigo Twitter).
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O peso do IOF e das fraudes do INSS no governo Lula
O levantamento mostra que o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) realmente segue causando arranhões na imagem do presidente.
Segundo a pesquisa, 50% dos brasileiros acreditam que o governo federal errou ao manter o aumento do IOF para compra em dólar para pessoas físicas e remessas de dinheiro para contas no exterior. Em contrapartida, 28% pensam que foi um acerto.
Após a repercussão negativa do anúncio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Lula vêm promovendo conversas para propor alterações na medida. Essa estratégia está sendo avaliada positivamente, com 41% dos entrevistados indicando que o governo acertou ao voltar atrás. Já 36% afirmam que a gestão petista cometeu um erro ao recuar.
Porém, não é apenas o fiscal que incomoda os brasileiros. A Genial/Quaest revelou que a maior parte da população culpa o governo Lula pelas fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“A oposição venceu a guerra de narrativas”, afirmou Nunes sobre os desvios no órgão. Vale lembrar que as investigações revelam que as fraudes foram iniciadas ainda em 2019, quando Jair Bolsonaro ocupava o Palácio do Planalto.
Segundo o levantamento, 31% dos brasileiros acreditam que a gestão atual é a principal responsável pelo escândalo. Já 14% acreditam que o maior culpado é o próprio instituto, enquanto 8% avaliam que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro é o responsável.
A pesquisa também mostra que 52% dos entrevistados acreditam que a prioridade do governo Lula deveria ser devolver o dinheiro desviado, mas que o pagamento deve ser realizado apenas com os recursos que foram bloqueados das entidades investigadas.
Expectativas para o futuro e preocupações do presente
A diferença entre a imagem do governo Lula e a economia também se reflete no futuro. Os brasileiros que acreditam que o cenário econômico vai melhorar nos próximos 12 meses passou de 44% para 45%.
Já o índice de cidadãos que pensam que vai piorar caiu de 34% para 30%, enquanto os que acham que estará do mesmo jeito passou de 19% para 21%.
Mas, no presente, a maior preocupação não é a economia, mas sim a violência. Segundo a Genial/Quaest, 30% dos entrevistados indicaram o problema como a maior preocupação no Brasil atualmente. Até março, o índice era de 29%.
Em seguida, aparecem questões sociais, com 22%. A economia ficou em terceiro lugar nas dores de cabeça dos brasileiros, com 19% dos entrevistados indicando preocupação.
Lula em foco: setores, regiões e mais
O presidente está diminuindo a vantagem entre as mulheres — com a desaprovação oscilando de 53% para 54% — e entre os que estudaram até o Ensino Fundamental, com o índice de reprovação passando de 43% para 47%.
A porcentagem de desaprovação no grupo dos que ganham até dois salários mínimos também aumentou, passando de 45% para 49%.
Já entre os beneficiários do programa Bolsa Família, a reprovação se manteve em 44% e a aprovação caiu de 54% para 51%.
Apesar disso, Lula voltou ter um desempenho melhor no Nordeste em maio, embora tenha se mantido dentro da margem de erro regional de 4 pontos porcentuais. Na região, a desaprovação oscilou de 46% para 44%. Já o índice positivo foi de 52% para 54%.
Na região Sul, o governo do petista também mostrou uma tímida recuperação. A desaprovação parou de subir e oscilou de 64% para 62%, enquanto a aprovação foi de 34% para 37%. Porém, a margem de erro da região é de seis pontos.
Ainda assim, Lula segue impopular nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte. No Sudeste, a desaprovação foi de 60% para 64%, com uma margem de erro de 3 pontos. Já nas demais, passou de 52% para 55%, com margem de oito pontos.
Além disso, a desaprovação (53%) entre católicos ultrapassou pela primeira vez a aprovação (45%).
Segundo a Genial/Quaest, os grupos que mais rejeitam o governo Lula são os evangélicos (66%), os que vivem na região Sudeste (64%) e os que ganham acima de cinco salários mínimos (61%).
Já os que mais aprovam são os que vivem na região Nordeste (54%), os que possuem 60 anos ou mais (52%) e a população preta (51%).
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