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Economistas têm revisado para cima as projeções para o PIB do Brasil no primeiro trimestre de 2025, mas a surpresa pode ser ainda maior
A economia brasileira tem caprichado na hora de surpreender os economistas nesses últimos anos. Amanhã (30), quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar os números do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao primeiro trimestre de 2025, eles vão bater as projeções — de novo. É o que afirma a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória.
Parte dessa surpresa já está refletida nas atualizações mais recentes de dois levantamentos do Banco Central (BC).
Comecemos pelo IBC-Br, índice de atividade econômica que é considerado uma prévia do PIB. O indicador mostrou expansão de 0,8% em março. A projeção era de +0,5%.
A leitura apontou para um crescimento acumulado de 1,3% da atividade econômica brasileira no primeiro trimestre de 2025 na comparação com os últimos três meses de 2024. Ante o mesmo período do ano anterior, a expansão atingiu 3,5%.
Esses e outros sinais de que o PIB segue firme e forte mesmo com a taxa Selic nos atuais 14,75% ao ano têm levado cada vez mais participantes do mercado a elevarem suas projeções para o indicador.
Isso é percebido na pesquisa Focus. A mediana das estimativas para o crescimento do PIB para 2025 como um todo cresceu nas últimas sondagens, passando de 2,00% há duas semanas para 2,14% na última segunda-feira.
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Quem apresentou projeções mais altas para o PIB recentemente foi o Inter, da economista Rafaela Vitória.
Em relatório divulgado na semana passada, depois do IBC-Br, o banco digital elevou sua projeção para o PIB do primeiro trimestre de 2,4% para 3,1% em base anual e de 0,7% para 1,1% na comparação trimestral.
O IBGE vai divulgar o PIB do primeiro trimestre de 2025 na manhã desta sexta-feira, 30 de maio.
A expectativa é de que, passado o impacto maior da pandemia, o aperfeiçoamento dos modelos econométricos não leve a discrepâncias entre projeções e dados efetivamente coletados como as observadas em anos recentes. Também não significa que os economistas vão acertar na mosca.
Ainda assim, para a economista-chefe do Inter, se houver alguma surpresa, será para mais, não para menos.
Apenas alguns dias depois do relatório assinado por ela mesma, Rafaela Vitória já falava em crescimento de 1,2% do PIB na comparação trimestral durante entrevista ao Seu Dinheiro.
Questionada sobre por que os resultados da economia têm vindo constantemente acima das projeções, a economista-chefe do Inter aponta para a expansão fiscal promovida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ela cita especificamente a dificuldade dos economistas em mensurar o impacto fiscal sobre o consumo. “Os economistas estão errando, mas o governo também gasta mais do que se espera”, afirma.
O fato é que, nos últimos anos, um dos principais estímulos à economia no início de cada ano tem vindo do reajuste do salário mínimo. Mas não é apenas por causa disso que o PIB vem crescendo mais do que o esperado.
O pibão do primeiro trimestre de 2025 será puxado principalmente pelo setor agropecuário.
Mas o que vai intensificar ainda mais esse impacto setorial é a recuperação do agro em relação ao ano passado.
Em 2024, a economia brasileira como um todo cresceu 3,4%. A expansão econômica ocorreu apesar do agronegócio. No acumulado do ano passado, o PIB do agro apresentou retração de 3,2%.
“Já havia uma expectativa de reaceleração do PIB por conta do desempenho do agro, que foi melhor do que o projetado no começo do ano. Os indicadores apontam para um resultado mais forte agora”, afirma Rafaela Vitória.
A observação leva em conta um desempenho efetivo superior às projeções de safra vigentes no início do ano.
De acordo com as projeções do Inter, amanhã, quando os números vierem à tona, o PIB do agronegócio terá crescido 15% na comparação com o primeiro trimestre de 2024.
A taxa Selic encontra-se atualmente em 14,75% ao ano. Trata-se do nível mais alto da taxa básica de juros em quase duas décadas.
Apesar da Selic, a economia brasileira vem apresentando crescimento robusto. O problema é que, em níveis tão restritivos, os juros em algum momento vão cobrar a conta da atividade econômica.
E isso está no radar do banco Inter. “A gente comemora esse PIB alto agora com uma certa cautela”, diz Rafaela Vitória.
O risco maior, segundo ela, é de uma estagnação mais prolongada. “Podemos ter uma economia crescendo por anos em um patamar menor porque os juros altos vão ter impacto em decisões de investimento e consumo daqui para a frente.”
Ainda assim, Rafaela Vitória descarta a possibilidade de recessão — um possível cenário que vinha sendo aventado por economistas de mercado há apenas alguns meses.
Ao atualizar as projeções macroeconômicas para 2025, ela indicou que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC não subirá mais os juros de agora em diante.
Ao detalhar o tema na entrevista ao Seu Dinheiro, Rafaela Vitória observou que os modelos indicam que o Copom até poderia começar a cortar os juros em dezembro, mas o cenário ainda é incerto demais para favorecer essa projeção.
De fora, existem as incertezas derivadas da guerra comercial de Donald Trump contra o mundo. Internamente, a expansão fiscal pode retardar o processo de desinflação.
A projeção de momento do Inter é de que a Selic chegará a dezembro em 14,25% ao ano, meio ponto porcentual abaixo do nível de hoje.
O atual consenso no mercado é que a queda dos juros virá só em 2026.
De qualquer modo, o Inter está longe de ser o mais otimista entre os agentes de mercado em relação ao PIB.
Na entrevista ao Seu Dinheiro, Rafaela Vitória falou em um crescimento de 1,2% no primeiro trimestre de 2025, na comparação com os últimos três meses do ano passado.
Se a projeção se confirmar, isso representará uma aceleração ante o modesto crescimento de 0,2% do PIB na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2024.
No entanto, a estimativa da economista do Inter é inferior à mediana de +1,5% observada em sondagem promovida pelo Broadcast.
Na outra ponta, por exemplo, o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, acredita em um crescimento de 1,7% na comparação trimestral.
Já em base anual, uma eventual confirmação da projeção do Inter, de alta de 3,1% do PIB, representará o segundo trimestre seguido de desaceleração do indicador, que marcou +4,0% no 3T24 e +3,6% no 4T24.
Diante de uma expectativa de desaceleração contínua nos próximos trimestres, a projeção do Inter para o ano cheio de 2025 é de +1,8%.
Embora seja maior do que a estimativa anterior, de +1,5%, ela ainda é inferior à atual mediana de 2,14% da Focus.
Também por isso, se o PIB do primeiro trimestre de 2025 surpreender Rafaela Vitória, será para cima.
Spoiler: o lugar mais barulhento do mundo não é Nova Iorque nem Tóquio.
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