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Enquanto o mercado global de bebidas com THC e CBD movimenta bilhões, a indústria brasileira inova com criatividade, testando os limites da lei e preparando o terreno para uma futura legalização
O aroma é inconfundível para quem conhece. Ele remete a variedades famosas de cannabis, mas não sai de um cultivo ilegal, e sim de um tanque de fermentação em uma cervejaria brasileira. A bebida, no entanto, não altera a percepção e não modifica a noção de tempo e espaço. O efeito é zero. Este paradoxo – a presença da experiência sensorial e a ausência do princípio ativo – mostra a engenhosidade do mercado nacional diante de uma tendência global que ele só pode assistir à distância: a de bebidas com cannabis.
Enquanto o mundo brinda com bebidas que abrem mão do álcool e apostam na maconha, o Brasil se adapta. “Num país onde quem não tem cão, caça com gato, o jeitinho brasileiro prevalece na hora de oferecer, de forma legal, experiências canábicas ao consumidor”, descreve Luís Felipe Tomé Rosa, fundador da Cervejaria Hipnose. Essa "caça com gato" deu origem a um nicho criativo e audacioso, que usa os aromas da planta para dialogar com um consumidor curioso e para testar os limites de uma legislação restritiva.
Impedido de participar de um dos mercados mais promissores da atualidade, o Brasil inova nas brechas, transformando a discussão em uma experiência gustativa: um mercado que existe em aroma e desejo, mas que ainda aguarda a permissão para se tornar real.
O que impulsiona a criatividade brasileira é uma transformação massiva no consumo global. O mercado de bebidas com infusão de cannabis, avaliado em US$ 2,04 bilhões em 2023, projeta alcançar impressionantes US$ 117,05 bilhões até 2032, segundo a Fortune Business. O motor dessa mudança é cultural: a busca por uma alternativa ao álcool que não venha acompanhada da ressaca.
Nos Estados Unidos, o coração dessa mudança, o mercado total de cannabis legal movimentou mais de US$ 38 bilhões em 2024, mostra a BDSA, empresa líder em pesquisa de mercado focada na indústria global de cannabis. As bebidas são um segmento estratégico, com vendas que totalizaram US$ 54,6 milhões no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 15% sobre o ano anterior. A preferência do consumidor é clara: bebidas prontas para beber, como seltzers e tônicas, dominam 78% das vendas.
Quem consome dita a tendência. As gerações mais jovens são o motor principal desse mercado, com as gerações Millennial e Z somando, juntas, mais de 65% das compras. Uma pesquisa de 2022 da New Frontier Data aponta que 69% dos jovens entre 18 e 24 anos preferem a cannabis ao álcool. As razões têm foco no bem-estar: as bebidas canábicas seriam uma alternativa mais saudável, com menos calorias e sem aquela ressaca do dia seguinte.
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A cannabis é uma planta com mais de 500 propriedades terapêuticas. Suas substâncias mais conhecidas são o THC e o CBD, mas ela também é rica em compostos aromáticos chamados terpenos, a principal substância usada nas cervejas brasileiras.
“O THC é a substância que altera a percepção, modificando a noção de tempo e espaço”, explica Stéphanie Santana, enfermeira especialista em cannabis medicinal. O THC se encaixa em receptores do sistema endocanabinoide do corpo, causando os efeitos psicoativos popularmente conhecidos como “ficar chapado”.
Já o CBD, o canabidiol, também ativa o sistema endocanabinoide, mas não causa a mesma alteração de percepção que o THC.
“Ele age de forma sutil, sem se manifestar com tanta intensidade”, afirma Santana. O CBD é conhecido no Brasil por seu potencial ansiolítico e anti-inflamatório, sendo utilizado em tratamentos para convulsão, fibromialgia, ansiedade e depressão. Embora não tenha uma psicoatividade percebida, ele age no cérebro.
Por fim, os terpenos são as moléculas que atribuem aroma não só à cannabis, mas a diversas outras plantas, como o limão e a laranja.
“No Brasil, a utilização de terpenos para fazer bebidas se restringe estritamente aos terpenos botânicos, que classificamos como todos aqueles que não são oriundos da cannabis”, detalha James Cava, químico estudioso da planta.
Para recriar o aroma de uma variedade específica de cannabis, como a Lemon Haze, empresas combinam terpenos de outras fontes. “No caso da Lemon Haze, teríamos um limoneno oriundo de um limão, de uma laranja ou até mesmo de um processo sintético”, complementa Cava.
No Brasil, onde a legislação proíbe explicitamente a venda de produtos com cannabis em alimentos ou bebidas, a inovação acontece no campo sensorial. O nicho de cervejas artesanais terpenadas é o maior exemplo disso, com cervejarias utilizando os compostos aromáticos para criar bebidas que remetem a variedades famosas da planta, sem qualquer efeito psicoativo.
A Cervejaria Hipnose foi pioneira no setor. Em 2017, lançou a primeira cerveja terpenada do país. “Tudo começou como uma brincadeira, mas logo tomou corpo”, relata Luís Felipe. O desafio técnico, segundo ele, foi encontrar o equilíbrio. “O desafio foi encontrar o ponto certo: nem forte e enjoativo, nem tão sutil a ponto de passar despercebido”.

A recepção do público, apesar do tabu, é majoritariamente positiva. “A curiosidade costuma falar mais alto”, diz o empresário. Ele conta, no entanto, que a desinformação ainda causa problemas: “Já tivemos casos em que lojistas foram levados à delegacia e produtos enviados para análise laboratorial. Após comprovado que não havia nada ilícito, tudo foi liberado”.
Hoje, cervejas terpenadas são encontradas e comercializadas livremente nos sites dos produtores ou em lojas especializadas em cultura canábica, as chamadas head shops. Hoje comuns, os espaços concentram todo tipo de item relacionado ao consumo de cannabis, dentro do limite da lei. Como as bebidas, por exemplo.
Para Douglas Ricardo da Silva, responsável comercial da Weed or Hemp, a cerveja se tornou um veículo para iniciar uma conversa.
“A ideia de ter a cerveja, uma paixão nacional, como meio de expressar nosso propósito, surgiu primeiramente da polêmica de usar uma droga lícita, o álcool, para falar de uma droga ilícita, a cannabis, que é menos prejudicial”, afirma.
A comunicação, no entanto, precisa ser cuidadosa para não infringir a lei. “Na comunicação geral, principalmente nas mídias digitais, o foco é na cerveja, e a cannabis entra de forma subliminar”, explica.

A pergunta mais comum dos consumidores ainda é: “Tem THC na cerveja?”. A resposta da marca é um aceno para o futuro: “Ainda não!”.
Essa criatividade é uma resposta direta a uma demanda reprimida.
“Trata-se de uma capacidade criativa do mercado de, na legalidade, oferecer produtos que fazem alusão a um universo que gera valor”, analisa o advogado Murilo Meneguello Nicolau, especializado em cannabis medicinal. “Os consumidores sabem que não há THC ou CBD nesses produtos”.
A química por trás dessas bebidas é complexa. Os terpenos são comprados de indústrias que produzem aromas para alimentos e cosméticos e depois recombinados para recriar o perfil de uma strain específica.
O químico James Cava explica que o processo ideal exigiria uma análise precisa da planta original: “O que nos dá os valores reais é uma análise química chamada cromatografia gasosa acoplada a um espectrômetro de massas. Somente com esse equipamento poderíamos determinar o perfil exato”.
A discussão sobre as bebidas com cannabis, acima de tudo, se desdobra em dois campos cruciais: os impactos na saúde e os entraves da legislação.
A enfermeira Stéphanie Santana faz uma comparação direta entre o álcool e o THC. Ambas são substâncias que, em excesso, apresentam riscos à coordenação e cognição. O álcool é um depressor do sistema nervoso central que, consumido de forma irresponsável, pode levar a atitudes precipitadas e violência. O THC, por sua vez, pode desencadear ansiedade ou paranoia em doses altas, mas com uma diferença fundamental.
“Embora o álcool possa levar a comportamentos agressivos em algumas pessoas, o THC não costuma provocar essa reação de fúria ou estresse”, pontua Santana. Além disso, “uma bebida com THC não causa overdose fatal, algo que infelizmente pode ocorrer com o álcool”.
No consumo contínuo, as distinções se acentuam. “O consumo diário de álcool acarreta um malefício muito grande para o fígado, podendo causar hepatite alcoólica, cirrose e câncer”, alerta a enfermeira, salientando que “o CBD e o THC não causam danos ao fígado nessa magnitude ou frequência”.
No cérebro, o uso crônico de álcool está associado a problemas neurológicos graves, enquanto o THC, em contextos específicos, pode ter efeitos benéficos, como em pacientes com Alzheimer. No entanto, Santana faz uma ressalva importante: “O uso de THC por adolescentes (entre 12 e 20 anos) não é recomendado, pois o cérebro ainda está em intenso desenvolvimento”.
Sobre os produtos já disponíveis no Brasil, os terpenados, ela afirma que são benéficos e seguros. “O lúpulo, uma fonte comum de terpenos em cervejas, tem propriedades relaxantes e, muitas vezes, sedativas”. Para ela, uma bebida apenas com CBD poderia ser uma alternativa mais saudável que o vinho para relaxar. “O CBD é comprovadamente ansiolítico, ajudando a acalmar”.
A razão pela qual uma cerveja com aroma de cannabis, as cervejas terpenadas, é legal, mas uma com CBD é proibida, está na regulação da Anvisa.
“Hoje, no Brasil, o canabidiol é uma substância controlada, sujeita à receita médica”, esclarece o advogado Murilo Nicolau. “A distinção chave, a linha da lei, está justamente na regulação contra o canabidiol”.
Qualquer produto com CBD ou THC encontrado no mercado sem prescrição é ilegal. Já as cervejas autorizadas contêm apenas terpenos, geralmente de origem botânica e não extraídos da cannabis.
O caminho para a legalização de bebidas com canabinoides no Brasil é complexo. Segundo Nicolau, não bastaria uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o porte de drogas – em junho de 2024, o STF decidiu que a posse e o transporte de maconha para consumo pessoal não é mais considerado crime, mas sim uma infração administrativa.
“A descriminalização do porte pelo STF não seria suficiente, pois ela não abrange as empresas nem cria o suporte regulatório para a produção e comercialização legal”.
Para que essas bebidas chegassem às prateleiras fora do uso medicinal, seria necessária uma ação em duas frentes: “Uma mudança drástica nas regras da Anvisa, que teria que remover o controle sobre o THC e o CBD […] Ao mesmo tempo, seria preciso uma alteração na legislação brasileira, aprovada pelo Congresso”.
O advogado aponta que a proibição atual acaba fortalecendo um mercado paralelo, sem controle de qualidade e perigoso para o consumidor. “A própria proibição gera o mercado paralelo. Se fosse possível adquirir legalmente, ele não existiria”. A regulamentação, para ele, é a única forma de proteger a população e reduzir danos, o que exige um investimento massivo em educação.
O Brasil assiste de longe à consolidação de um mercado bilionário, movido por uma nova geração que busca bem-estar. O potencial econômico é vasto. Apenas com o mercado medicinal restritivo atual, que inclui produtos vendidos em farmácias e importados com autorização, o potencial para 2025 é de R$ 1 bilhão, afirma Murilo Nicolau.
“Com uma legislação um pouco mais acessível, esse número poderia ser 5 a 10 vezes maior já no primeiro ano”, projeta. O sucesso das cervejas inspiradas na cannabis, que utilizam a simbologia sem a substância, evidencia o interesse do consumidor e ajuda a normalizar o debate.
Contudo, os obstáculos regulatórios e jurídicos permanecem. A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 327/2019 da Anvisa impede que o país participe de uma das maiores transformações do consumo global. Enquanto isso, a criatividade dos produtores nacionais mostra que a sede por inovação existe. Eles preparam suas estruturas agora para que, quando a legalização chegar, sejam pioneiros mais uma vez.
O caminho mais realista, segundo Nicolau, é continuar progredindo no campo medicinal. “O importante é avançar para que, em algum momento, seja possível falar mais livremente sobre outros usos”, conclui.
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