Rodolfo Amstalden: A alegria de um banqueiro central seria o silêncio
Estamos nos aproximando da perigosa zona de dominância fiscal; ninguém sabe onde fica a fronteira exatamente, mas, marchando à frente de olhos vendados, são crescentes as chances de nos enroscarmos em uma cerca de arame farpado
No escribas tus memorias.
Lanzarán a tus pies a aquel que fuiste,
como un cadáver enemigo.
Cuando el pasado empieza a ser mentira
queda muy poco ya para llevarse:
una inútil e indigna convicción,
alguna equivocada crueldad. Apenas algo
de lo que tengas que volver a hablar.
La alegría de un viejo es el silencio.
- Joan Margarit
A essa altura de acúmulo de erros não-forçados do Governo Lula III, já está claro para (quase) todo mundo que perdemos o controle das expectativas inflacionárias.
Essa lacuna, por si só, bastaria para complicar bastante as coisas. Mas os problemas em economia nunca aparecem de forma isolada; eles costumam vir acompanhados de outros problemas.
No caso em questão, o descontrole inflacionário se associa – em looping – à perda do referencial de trajetória da Selic, bem como da taxa de câmbio de equilíbrio.
Para entendermos a gravidade de ter essas incógnitas flutuando no ar, precisamos voltar um pouquinho no tempo, até a última reunião do Copom.
Em 11 de dezembro, o Comitê de Política Monetária elevou a Selic em +1 ponto percentual, para 12,25%.
Contudo, seu ato mais representativo na ocasião foi o de tentar construir uma ponte para a transição de mandato entre Campos Neto e Galípolo, mediante a indicação de novos aumentos de +1 ponto percentual nas próximas duas reuniões (semana que vem e março).
"Diante de um cenário mais adverso para a convergência da inflação, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões", dizia o texto divulgado pelo Banco Central.
Em se confirmando o cenário esperado…
À época, parecia que o Copom estava sendo duro ao anunciar esse tipo de forward guidance, mas os 14,25% sinalizados já se encontram agora substancialmente “atrás da curva”.
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O último Focus sugere um pico de 15,00%, enquanto o research macro do Itaú (apenas para citar uma séria atualização recente) trabalha agora com 15,75% de Selic terminal.
Bem, precisamos reconhecer que 15,75% é lote de juros – e, como de praxe, vem acompanhado de outros problemas.
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A fronteira dominância fiscal
Estamos nos aproximando da perigosa zona de dominância fiscal; ninguém sabe onde fica a fronteira exatamente, mas, marchando à frente de olhos vendados, são crescentes as chances de nos enroscarmos em uma cerca de arame farpado.
Se não vier a dominância, talvez venha simplesmente uma quebradeira de empresas que respiram por aparelhos a 12,25% e deixarão de respirar a 15,75%.
Ademais, será que o Galípolo – como um banqueiro central do PT – vai topar e vai conseguir levar a Selic a 15,75%, caso seja mesmo necessário?
No momento, são muitas incógnitas para poucas equações.
Por definição, temos infinitas soluções possíveis para o Kit Brasil; mas poucas delas pertencem ao parco subconjunto de soluções desejáveis.
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Dentro do arcabouço de metas de inflação, nosso Bacen dá mais cavalos de pau do que a média global. E o custo de se voltar atrás para um formulador de política monetária é quase que proibitivo. Logo, faz sentido para o mercado cobrar um seguro diante de viradas possíveis.
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