Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Do excepcionalismo ao repúdio

Citando Michael Hartnett, o excepcionalismo norte-americano se transformou em repúdio. O antagonismo nos vocábulos tem sido uma constante: a Goldman Sachs já havia rebatizado as Magníficas Sete, chamando-as de Malévolas Sete

Bandeira dos EUA com cifrão em cima, representando oportunidade de ganhos com bolsa americana, juros
Imagem: Shutterstock

"Eu não espero pelo dia 
Em que todos
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem Mundial”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Caetano escreveu as palavras acima em 1991. Aquela Nova Ordem Mundial envelheceu, mas a mensagem caberia bem para descrever os acontecimentos recentes. 

Entre as várias movimentações tectônicas, algo novo entrou no radar na última semana: o comportamento dos Treasuries. Os títulos do Tesouro norte-americano são ativos considerados de maior segurança. Em momentos de maior aversão a risco, o “flight to quality” costuma garantir maior demanda por eles; seus preços aumentam, os yields (rendimentos de mercado) diminuem.

Com efeito, a coisa vinha funcionando mais ou menos dessa forma. A melhor descrição do comportamento dos ativos de risco vinha sendo feita por Michael Hartnett, do Bank of America Merrill Lynch.

Durante anos, estivemos sob a ditadura da narrativa sintetizada no acrônimo “AIAI" (All in on artificial intelligence) — a única coisa que subia no mundo basicamente era o setor ligado à inteligência artificial, que funcionava como um aspirador de pó da liquidez global.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando o refúgio vira risco

Então, sob o questionamento do excepcionalismo norte-americano diante do “Trumpnomics”, a catálise do evento DeepSeek matou aquela tendência, para iniciarmos uma nova dinâmica, resumida na tríade BIG (Bonds, International and Gold). Estaríamos numa fase para comprar renda fixa norte-americana, ativos internacionais (fora dos EUA) e ouro

Leia Também

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Jogando de igual para igual com as big techs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O drama do Banco do Brasil (BBAS3), a taxa das blusinhas e o impacto da guerra na energia

O modelo mental funcionava até poucos dias atrás. Ao menos uma das letras do novo acrônimo caiu. A tal renda fixa norte-americana passou a se comportar mal.

Os yields dos Treasuries de 10 anos, que chegaram a menos de 4% recentemente, voltaram a 4,50%. Quem comprou bonds se deu bastante mal, mesmo diante de enorme turbulência global. Os títulos do Tesouro norte-americano, ativos clássicos de segurança, acabaram adicionando risco e volatilidade aos portfólios.

Há várias explicações potenciais para o movimento, a começar por posições técnicas. A exposição comprada em títulos norte-americanos e vendida em futuros, muitas vezes de maneira alavancada, ficou muito povoada (crowded).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com a volatilidade recente, algumas liquidações forçadas foram acionadas. Na sequência, dada a disparada vigorosa em poucos dias, os limites de risco estouraram para alguns hedge funds. Num ambiente de liquidez menor, entramos numa espiral deletéria.

Do ponto de vista dos fundamentos, uma comunicação considerada mais dura por membros do Fed e a ideia de que as tarifas representam risco inflacionário ajudam a explicar juros futuros mais altos.

Em paralelo, se penetramos um ambiente de maior incerteza, seria mesmo natural uma escalada do “term premium”, ou seja, a exigência de prêmio (retornos maiores) para se estar posicionado em títulos de prazo mais dilatado.

Um terceiro elemento, no entanto, chama atenção. Diferentemente de outros choques exógenos ou de geopolítica, que tendem a gerar uma corrida para os Treasuries e para os ativos norte-americanos em geral, desta vez ocorre o exato oposto. Temos uma migração de ativos dos EUA, não para os EUA.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Excepcionalismo em xeque

A política econômica errática, a incerteza sobre a preservação norte-americana como parceiro confiável, o ferimento à referência a ser seguida em valores ocidentais clássicos, o desrespeito ao multilateralismo e aos organismos supranacionais e o medo de uma recessão iminente por lá provocam uma fuga de capitais de Wall Street.

Citando mais uma vez Michael Hartnett, ela aponta como, rapidamente, o excepcionalismo norte-americano se transformou em repúdio. O antagonismo nos vocábulos tem sido uma constante: a Goldman Sachs já havia rebatizado as Magníficas Sete, chamando-as de Malévolas Sete.

Nesta segunda-feira mesmo, o Citi revisou para baixo sua recomendação para as ações dos EUA, para a indicação “neutra”, sugerindo, em seu lugar, uma maior alocação a outras geografias conforme a guerra comercial impacta as projeções de crescimento e dos lucros corporativos norte-americanos.

Segundo o banco, as rachaduras no excepcionalismo do país devem persistir, diante de avanços chineses com a inteligência artificial, a expansão fiscal da Europa e a ideia de que a tensão comercial vai ferir principalmente os EUA.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A última vez em que discutimos mudanças no excepcionalismo norte-americano com essa intensidade foi com o estouro da bolha pontocom nos anos 2000. A isso, seguiram-se uma década perdida para as bolsas dos EUA e um superciclo de mercados emergentes. Se substituirmos a palavra  “internet" no final dos anos 90 por inteligência artificial em 2024, talvez seremos lembrados da máxima de que a história não se repete, mas rima. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Bruce Edwards, o novo CEO do CrossFit 9 de maio de 2026 - 9:00
Irã e EUA 6 de maio de 2026 - 20:49
Imagem gerada por inteligência artificial mostra um investidor no topo de uma montanha. No vale, abaixo dele, estão linhas de transmissão de energia, uma empresa de saneamento, bancos e seguradoras 6 de maio de 2026 - 8:57
5 de maio de 2026 - 8:48
Ferrari F80 2 de maio de 2026 - 9:00
Imagem gerada por inteligência artificial mostra notas de R$ 100 em um escritório, carregando maletas e digitando em um computador 1 de maio de 2026 - 10:04
Fonte de montes de dólares, formando montanhas, e um homem no topo, com uma bandeira fincada 1 de maio de 2026 - 7:01
Imagem mostra mulher branca aplicando um cosmético no rosto fazendo seu skincare. Ela está em um banheiro cheio de plantas com móveis de madeira 30 de abril de 2026 - 8:40
Prédio do Banco Central. 29 de abril de 2026 - 17:30

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30
28 de abril de 2026 - 7:38

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38
Foto mostra pés, com calçados esportivos, correndo uma prova de rua ou maratona no asfalto 27 de abril de 2026 - 8:09
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia