STF barra indicações políticas para estatais — mas mantém nomeações feitas por Lula
Assim, com a decisão, ficam proibidas futuras nomeações políticas para cargos de chefia em empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na última quinta-feira (9) que são constitucionais as restrições previstas pela Lei das Estatais a indicações políticas para a diretoria e conselhos de administração destas empresas. O placar foi de oito votos a três.
Contudo, os ministros da Corte entenderam que os executivos que já estão nos cargos não precisam ser destituídos.
A maioria dos magistrados considerou que a legislação representa um avanço na governança de empresas públicas e contribui para reduzir interferências indevidas nessas instituições.
Assim, com a decisão, ficam proibidas futuras nomeações políticas para cargos de chefia em empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias.
Votaram a favor das restrições impostas pela Lei das Estatais os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Já Flávio Dino e Gilmar Mendes, além do ministro aposentado Ricardo Lewandowski (relator), defenderam a flexibilização da lei.
Leia Também
"A Lei das Estatais foi fundamental para a melhoria da qualidade da governança pública, para a prevenção de ilícitos neste âmbito", disse Mendonça.
Na mesma linha, Nunes Marques afirmou que "a vedação em análise é conforme os princípios da moralidade e da eficiência por impedir qualquer questionamento ético e estabelecer adequado grau de transparência em empresa estatal, tudo voltado ao interesse público".
Para Barroso, presidente do Supremo, o legislador "atuou em nome da eficiência e da moralidade".
O que acontece na gestão da Petrobras, Eletrobras e Caixa? Convidamos 3 ex-CEOs e CFOs para contar tudo que viveram nos “bastidores” das estatais em um evento inédito. Saiba mais e retire seu ingresso gratuito aqui.
Conflito de interesses nas estatais
Ainda na corrente vencedora, Fachin e Cármen Lúcia declararam que a lei evita possíveis problemas de conflito de interesses.
"Não se pode impedir uma pessoa de assumir determinado cargo público apenas em virtude de sua opinião, política, ideológica ou seja ela qual for. Mas é possível que a lei presuma que quem tenha exercido cargo de direção partidária ou funções similares enumeradas pela lei tenha um conflito objetivo de interesses com a administração", destacou Fachin em seu voto.
Na avaliação de Cármen Lúcia, a Lei das Estatais serve "para evitar o conflito de interesses, garantir as relações da sociedade e, para além disso, deixar livre o governante ou a empresa estatal que tem que escolher os seus quadros dirigentes, considerando que é uma vida política". "Não acho que exista qualquer tipo de presunção de inidoneidade."
Outro ponto de vista
Os ministros vencidos, por outro lado, avaliaram que a lei criou restrições desproporcionais e acabou penalizando pessoas envolvidas em atividades políticas.
"Não existe canonização por concurso público e não existe demonização pela participação na política. É falsa a ideia de que qualquer indicação 'técnica' resultará em um padrão mais alto de probidade do que uma indicação política", declarou Dino.
Para Gilmar, "o fato de alguém ser vinculado a um partido político não o descredencia para atuar em uma empresa estatal".
"Quadros significativos certamente podem estar sendo afetados. Não me parece que isso tenha justificativa constitucional diante do modelo de estado constitucional partidário que nós consagramos", observou o decano do STF em sua manifestação.
Embora tenham validado as restrições da Lei das Estatais, os ministros do Supremo decidiram que o governo Lula não precisará rever indicações passadas que foram alvo de contestações, como a escolha do ex-ministro Aloizio Mercadante para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a do ex-governador de Pernambuco Paulo Câmara para o comando do Banco do Nordeste (BNB).
A proposta foi costurada por Toffoli e encampada por unanimidade no tribunal. Barroso afirmou que a substituição de diretores que já estão nos cargos poderia criar uma "instabilidade indesejável" e prejudicar a continuidade de políticas públicas. Dessa forma, dirigentes de empresas importantes serão poupados - além do BNDES e do Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Correios, Caixa Econômica Federal e Petrobrás.
Limiar de Lewandowski sobre Lei das Estatais
Até a conclusão do julgamento, portanto, valeu a liminar de Lewandowski, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, que abriu caminho para Lula fazer as indicações livremente. A decisão vigorava desde março de 2023. Na ocasião, Lewandowski suspendeu trechos da Lei das Estatais e liberou a nomeação de políticos em empresas públicas.
A decisão liminar (provisória) atendeu a um pedido do PCdoB — legenda aliada ao presidente.
O julgamento da ação que questionava as restrições impostas pela lei havia sido interrompido por um pedido de vista feito, dias antes, por Mendonça. Com a liminar, Lewandowski "atropelou" o colega.
Histórico
A Lei das Estatais foi promulgada em 2016, no governo do então presidente Michel Temer (MDB), e veda indicações de ministros de Estado, secretários estaduais e municipais, dirigentes de partidos políticos, servidores comissionados do alto escalão da administração pública e representantes de agências reguladoras.
Também impõe uma quarentena de 36 meses para quem tiver participado de campanha política. Na época, a Petrobras estava mergulhada na crise causada pelas investigações da Operação Lava Jato.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Conteúdo Empiricus
Eleições 2026: disputa pode abrir espaço para buscar ganhos de até 586%; entenda
13 de agosto de 2026 - 14:00ELEIÇÕES 2026
Visão sobre economia piora, Lula descola de Flávio, mas empate ainda ronda disputa eleitoral, mostra BTG Pactual/Nexus
10 de agosto de 2026 - 9:16ELEIÇÕES NO RADAR
Flávio Bolsonaro promete regra fiscal para cortar despesas e rebate críticas sobre tarifaço de Trump
3 de agosto de 2026 - 12:31ELEIÇÕES 2026
Lula vs. Flávio Bolsonaro: percepção sobre a economia melhora, mas a maior dor de cabeça para os candidatos é outra, mostra pesquisa BTG/Nexus
3 de agosto de 2026 - 9:58SEM ATRASO
‘Pix Pensão’ é sancionado por Lula e amplia cobrança automática de pensão alimentícia; veja como vai funcionar e quando começará a valer
30 de julho de 2026 - 11:13NOVA LEGISLAÇÃO
Spray de pimenta agora é legal para mulheres; saiba onde comprar e quanto custa
27 de julho de 2026 - 13:42ELEIÇÕES NO RADAR
Polarização no tarifaço: população divide culpa entre Lula e Flávio Bolsonaro; candidatos empatam no 2º turno, mostra BTG/Nexus
27 de julho de 2026 - 11:42DISPUTA PRESIDENCIAL
Eleições podem ser decididas no primeiro turno? Abstenções pesam, mas analista vê caminho para vitória antecipada
25 de julho de 2026 - 14:24ELEIÇÕES 2026
Gestores de R$ 180 bilhões dizem: mercado subestima chance de derrota de Lula
24 de julho de 2026 - 20:06ELEIÇÕES 2026
Lula contra Flávio Bolsonaro no 2° turno: petista aparece na frente com 48%, diz Datafolha
24 de julho de 2026 - 19:34ELEIÇÕES 2026
Empate técnico: Lula tem 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro no 2º turno, aponta BTG/Nexus
13 de julho de 2026 - 9:08OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
De dossiê contra CEO do Itaú a influenciadores: os alvos de intimidação por Vorcaro e os pagamentos bilionários para promover o Banco Master
10 de julho de 2026 - 13:06ELEIÇÕES DE 2026
Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em SP, mas rejeição acende alerta para o petista
8 de julho de 2026 - 14:46Conteúdo Empiricus
Michelle Bolsonaro é o ‘gatilho’ que faltava na corrida eleitoral? Veja o que diz CEO da Empiricus
3 de julho de 2026 - 16:00VEJA DETALHES DA PESQUISA
Respingos do Master e crise com Michelle cobram preço nas candidaturas de Lula e Flávio, segundo AtlasIntel/Bloomberg
2 de julho de 2026 - 11:18ENTENDA
O que o Corinthians tem a ver com as novas sanções dos EUA contra empresas brasileiras supostamente ligadas ao PCC?
1 de julho de 2026 - 15:26SEM IMPOSTOS
Sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, Brasil concede isenção de impostos a serviços relacionados ao torneio
30 de junho de 2026 - 12:37ELEIÇÕES 2026
Caso do Banco Master respinga em Lula e Flávio Bolsonaro, mas o eleitor decisivo ainda não acompanha a disputa presidencial, mostra pesquisa BTG/Nexus
29 de junho de 2026 - 11:56Conteúdo Empiricus
Eleições x investimentos: veja como preparar seu bolso para todos os cenários eleitorais com acesso gratuito às recomendações da Empiricus
26 de junho de 2026 - 14:00POLÍTICA