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É a primeira vez que o Washington Post não apoia um candidato em 36 anos; segundo colunistas, o fundador da Amazon teria impedido o veículo de manifestar predileção por Kamala Harris
Enquanto o mundo discute se Kamala Harris ou Donald Trump ganhará a eleição presidencial nos Estados Unidos, o The Washington Post, um dos principais jornais americanos, anunciou que vai se manter neutro e não apoiará nenhum candidato este ano.
Em um editorial publicado nesta sexta-feira (25) pelo CEO do Washington Post, William Lewis, o jornal anunciou que está “retornando às raízes” e não irá endossar nenhuma campanha presidencial em 2024, “nem em nenhuma eleição presidencial futura”.
"Nosso trabalho no The Washington Post é fornecer, por meio da redação, notícias imparciais para todos os americanos, além de opiniões instigantes e relatadas por nossa equipe para ajudar nossos leitores a formarem suas próprias opiniões", afirma o editorial.
É a primeira vez que o jornal não apoia um candidato em eleições em 36 anos. O último posicionamento neutro do Post aconteceu em 1988 — na disputa entre George Bush e Michael Dukakis. Antes disso, o Washington Post vinha apoiando democratas desde 1976.
Apesar do posicionamento neutro, tudo indica que a publicação estava pronta para divulgar seu apoio à candidatura da democrata Kamala Harris, segundo colunistas do próprio jornal.
Em outro texto publicado nesta tarde, Manuel Roig-Franzia e Laura Wagner afirmaram que membros da redação haviam redigido um editorial apoiando Harris nas eleições de 5 de novembro. No entanto, o dono do jornal pediu para que o editorial não fosse publicado.
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Vale lembrar que, desde 2013, a divisão de jornais do Washington Post pertence ao bilionário Jeff Bezos, fundador da Amazon e um dos homens mais ricos do mundo.
A falta de posicionamento do Washington Post foi criticada, inclusive por ex-editores do jornal. Marty Baron chamou a decisão de “covardia, com a democracia como vítima”.
Além do ‘Post’, outro jornal de grande circulação nos Estados Unidos adotou decisão semelhante. O Los Angeles Times, da Califórnia, não anunciou nenhum apoio nestas eleições, diferente da tradição do veículo de apoiar candidatos democratas desde 2008.
Nesta semana, Mariel Garza, a chefe do conselho editorial do Los Angeles Times, renunciou depois que o proprietário, o bilionário Patrick Soon-Shiong, proibiu a publicação de declarar apoio a Kamala. Ele comprou o veículo em 2018 por US$ 500 milhões.
Enquanto isso, outros veículos nos Estados Unidos decidiram declarar apoio a candidatos. O New York Times, um dos maiores jornais do país, anunciou predileção por Kamala Harris.
Em editorial publicado no mês passado, o jornal disse que é “difícil imaginar um candidato que menos merece ser presidente dos Estados Unidos do que Donald Trump”.
A revista The New Yorker também endossa a campanha da democrata. Segundo a publicação, Kamala demonstrou "os valores básicos e a habilidade política que a possibilitam encerrar de uma vez por todas a era venenosa" de Donald Trump.
Nesta sexta-feira (25), o jornal conservador The New York Post anunciou apoio à campanha do ex-presidente na eleição presidencial deste ano.
No texto assinado pelo conselho editorial, o jornal disse que Trump é a melhor opção para presidir o país pelos próximos quatro anos, citando o desempenho da economia americana no primeiro mandato.
*Com informações da CNBC e g1
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