Um ano depois dos ataques do Hamas contra Israel, temores de uma guerra regional pressionam os preços do petróleo
Analistas temem que Israel ataque instalações iranianas de produção de petróleo em retaliação a enxame de mísseis

Um barril de petróleo é um tambor metálico capaz de armazenar quase 160 litros do chamado óleo cru. Nesta segunda-feira (7), aniversário de um ano da mais recente escalada do conflito entre israelenses e palestinos, a cotação do barril de petróleo é afetada pelos tambores de uma possível guerra total entre Israel e o Irã.
Os contratos futuros mais líquidos de petróleo subiam entre 1,5% e 2% na manhã de hoje.
A alta é a continuidade de um movimento iniciado na semana passada. Uma chuva de mísseis enviado pelo Irã na direção de Israel deu vida a um temor adormecido ao longo do último ano: o de que um conflito até então limitado a israelenses e palestinos se transformasse em uma guerra regional.
Diante disso, o petróleo WTI, mais comum nos Estados Unidos, subiu 9,09% na semana passada. Foi o maior ganho semanal desde março de 2023.
Já o petróleo do tipo Brent, exportado pela Petrobras e comercializado na maior parte do mundo, saltou 8,43% no mesmo intervalo. Foi a maior valorização semanal desde janeiro do ano passado.
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Um ano dos ataques do Hamas
Em 7 de outubro de 2023, o grupo islâmico Hamas deflagrou seu mais amplo ataque contra Israel desde sua fundação, em meados dos anos 1980. Os atentados deixaram cerca de 1.200 mortos. O Hamas ainda sequestrou cerca de 250 pessoas.
A retaliação militar de Israel foi imediata. Em meio a bombardeios incessantes, quase 42 mil pessoas morreram e mais de dois terços dos imóveis da Faixa de Gaza foram reduzidos a ruínas no decorrer do último ano.
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Mais de 1,7 milhão dos habitantes de Gaza — pouco mais de 80% da população do território — foram forçados a deixar suas casas, de acordo com a Organização das Nações Unidas.
Ao longo do último ano, as relativizações e discursos de desumanização do suposto inimigo permearam o debate sobre o conflito. Direito de resistir à ocupação ou terrorismo? Direito à autodefesa ou tentativa de limpeza étnica e genocídio?
O fato é que o conflito entre israelenses e palestinos encontra-se no pior momento desde a fundação de Israel, em 1947.
Um conflito regional se desenha?
Enquanto as tentativas de pacificação caem no vazio e a solução de dois Estados parece cada vez mais distante, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveita o apoio inequívoco dos Estados Unidos para perpetuar-se no poder e emplacar uma agenda com o potencial de redesenhar politicamente o Oriente Médio.
Nos dias que antecederam os atentados do Hamas, Netanyahu estava enfraquecido internamente e enfrentava protestos multitudinários de israelenses que exigiam sua renúncia para que respondesse a um processo por corrupção.
Ao longo do último ano, indiferente às críticas internacionais quanto à desproporcionalidade da reação militar israelense, Netanyahu não poupou esforços para dragar outros atores para dentro do conflito.
Em 31 de julho, horas depois da posse do novo presidente do Irã, um míssil disparado por Israel matou Ismail Haniye, principal rosto político do Hamas ao longo das últimas décadas, em Teerã.
Quase dois meses depois, pouco depois de discursar perante a Assembleia-Geral da ONU em 27 de setembro, Netanyahu deu a ordem para o disparo que resultou na morte de Hassan Nasrallah, líder máximo do Hezbollah, organização política libanesa com um braço armado financiado pelo Irã.
Embora agitasse o mundo diplomático, tudo isso transcorreu sem grande impacto sobre o mercado de petróleo.
Até que, em resposta ao assassinato de Nasrallah, o Irã enviou na direção de Israel uma chuva de mísseis que testou o sistema israelense de defesa antiáerea.
Instalações de petróleo na mira?
Agora especialistas acreditam que o jogo pode mudar de vez para o mercado de petróleo. O temor deles é que a infraestrutura iraniana de produção de petróleo entre na mira dos mísseis israelenses.
Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Joe Biden, vem pedindo a Israel que não promova esse tipo de ação militar.
No pior cenário, um ataque a essas instalações poderia levar o Irã a interromper o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
“Há muito tempo não estávamos tão próximos de um conflito regional como agora”, disse Helima Croft, estrategista global de commodities da RBC Capital Markets, em entrevista à CNBC.
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