De peças automotivas a assentos infantis: mais de 400 itens entram na lista de tarifas de 50% sobre aço e alumínio de Trump
Com critérios de seleção pouco transparentes, itens como plásticos, partes de móveis, motocicletas e utensílios de mesa estão passam a ser tarifados pelos EUA

Sem aviso, preparo ou clareza, mais de 400 itens entraram na lista de tarifas de 50% sobre aço e alumínio importados nos Estados Unidos. O tarifaço do presidente Donald Trump agora atinge peças automotivas, produtos químicos, plásticos, componentes de móveis, motocicletas, utensílios de mesa e até assentos infantis.
A agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras divulgou a lista na sexta-feira (15), e nesta terça (19) o Departamento de Comércio dos EUA confirmou a inclusão de 407 categorias de produtos “derivados” de aço e alumínio na tarifa setorial.
“A ação de hoje abrange turbinas eólicas e suas peças e componentes, guindastes móveis, tratores de esteira e outros equipamentos pesados, vagões ferroviários, móveis, compressores e bombas, além de centenas de outros produtos”, informou o departamento no comunicado.
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O documento traz apenas códigos alfandegários, sem a descrição dos itens, o que dificulta medir de imediato o alcance da medida. Ainda assim, especialistas asseguram que o impacto será expressivo.
“Pelas minhas contas, as tarifas sobre aço e alumínio agora afetam pelo menos US$ 320 bilhões em importações, com base no valor aduaneiro geral das importações em 2024”, escreveu Jason Miller, professor de gestão da cadeia de suprimentos na Universidade Estadual de Michigan, no LinkedIn.
“Basicamente, se é brilhante, metálico ou remotamente relacionado a aço ou alumínio, provavelmente está na lista”, disse Brian Baldwin, vice-presidente de alfândega nos EUA da gigante de logística Kuehne + Nagel International AG. “Isso não é apenas outra tarifa, é uma mudança estratégica em como os derivados de aço e alumínio são regulamentados.”
As orientações oficiais, até aqui, não deixam claro se as novas cobranças se somam às tarifas já impostas por país. E há dúvidas também sobre como será a aplicação para mercadorias que já estão a caminho do território norte-americano.
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Prejuízo para alguns, lucro para outros
Lourenco Goncalves, CEO da siderúrgica norte-americana Cleveland-Cliffs Inc., aplaudiu a medida em comunicado divulgado na segunda-feira (18), agradecendo ao governo Trump por “tomar medidas decisivas e concretas que vão deter a evasão de tarifas que ocorre à vista de todos com produtos derivados de aço inoxidável e aço elétrico.”
Em junho, Trump havia cumprido uma promessa de campanha ao dobrar a tarifa sobre aço e alumínio para 50% e, de quebra, pediu à indústria sugestões de como ampliar o escopo da cobrança.
E a ofensiva deve continuar. No fim de julho, o governo impôs tarifa de 50% sobre importações de cobre semimanufaturado avaliadas em mais de US$ 15 bilhões e determinou que autoridades preparassem um plano para aplicar tarifas a outros produtos com uso intensivo de cobre.
“Isso não acabou”, alertou Pete Mento, diretor global de alfândega da DSV, em uma postagem nas redes sociais. “A próxima lista certamente será para cobre e espero que seja igualmente miserável.”
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As tarifas que globais dos EUA
Na sexta-feira (15), Trump anunciou que prepara novas tarifas sobre semicondutores e aço, previstas para serem divulgadas nas próximas duas semanas. O presidente, no entanto, não antecipou os valores das medidas.
Entre as principais tarifas já em efeito sobre bens importados pelos Estados Unidos estão a taxa de 50% sobre aço e alumínio, a de 50% sobre cobre e a de 25% sobre carros fabricados no exterior.
Em alguns casos, essas medidas se somam às tarifas específicas por país, em outros, acordos bilaterais acabam anulando os encargos setoriais.
Essas medidas têm afetado de forma significativa empresas brasileiras como a Vale (VALE3), que tem nos EUA o principal destino de suas exportações.
Dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, mostram que em 2024 os Estados Unidos receberam 47,9% das exportações brasileiras de aço e ferro. Nenhum outro cliente é tão essencial para as siderúrgicas do país. A China aparece em segundo lugar, mas com participação bem menor, de apenas 10,7% dos embarques.
*Com informações da Bloomberg
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