O destino de luxo que provavelmente não está no roteiro da sua viagem pela Europa, mas que tem tudo para ser ‘a próxima Itália’
Este país na região dos Balcãs tem feito fortes investimentos no setor de turismo de alto padrão para atrair turistas já ‘cansados’ das viagens clássicas da Europa

Com sua própria Mona Lisa e um Coliseu para chamar de seu, uma riviera no Mar Adriático e até um pedaço dos Alpes, um país fora do circuito convencional do turismo europeu tem sido constantemente comparado à Itália.
Alguns vão mais longe. Dizem que, na verdade, esse país situado na região dos Balcãs é uma espécie de “Maldivas da Europa”. Isso por conta das praias paradisíacas com areia bem clara.
A “Mona Lisa” seria a Motra Tone, de Kolë Idromeno. O Anfiteatro de Durrës faria as vezes de Coliseu. Mas é melhor avisar: as comparações não são nada bem-vindas
“A Albânia é a Albânia”, faz questão de enfatizar a ministra do turismo Mirela Kumbaro.
Verdade seja dita. A Albânia tem tudo o que se espera de um “clássico destino europeu”: muita história (ainda da época do Império Bizantino), cena gastronômica interessante e um toque de modernidade.
As vantagens em comparação com as Grécias, Itálias e Franças da Europa?
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O país ainda é barato e não vive o chamado overtourism, o turismo excessivo e predatório que inunda as cidades mais célebres do continente e faz a experiência de viagem tornar-se mais caótica.
A má notícia é que essa janela de oportunidade pode não durar por muito tempo.
Em 2019, o New York Times “cantou a pedra” de que Tirana, a capital da Albânia, seria o novo “paraíso criativo acessível da Europa”, referindo-se à atmosfera cosmopolita que a cidade incorpora cada dia mais, em meio à efervescência de novos restaurantes, lojas e galerias.
Desde então, diversos outros veículos da mídia especializada começaram a voltar as atenções para o país. A Condé Nast Traveller destacou a gastronomia do país, enquanto o Wall Street Journal reforçou as paisagens cênicas da região que tem um pouco de tudo: cidade, montanha e praia.

Acontece que o “hype” da Albânia está indo além do noticiário. Em 2023, o país recebeu 10 milhões de visitantes, consolidando-se como o quarto destino turístico de maior crescimento em termos percentuais.
Em relação a 2019, o número de turistas internacionais no país foi 56% mais alto, segundo dados da Organização Mundial do Turismo.
Todo esse boom no país não foi obra do acaso. O governo tem feito esforços consideráveis para atrair mais visitantes e se equiparar a outros Estados que estão se beneficiando enormemente do turismo, como Croácia, Montenegro e República Tcheca.
Apesar de estar atraindo turistas estrangeiros justamente pelos preços mais acessíveis, a Albânia tem um objetivo claro: conquistar o mercado de turismo de luxo.
"Estamos buscando turismo de alto padrão na Albânia [...] impulsionando a construção de hotéis quatro e cinco estrelas com marcas internacionais”, explica a ministra do Turismo.
"O turismo de baixo custo foi uma fase essencial", declarou o primeiro-ministro Edi Rama. "Começar com serviços acessíveis nos abriu para o mundo. Reconhecemos os possíveis aspectos negativos do turismo de massa, por isso, também estamos avançando no desenvolvimento do turismo de alto padrão."
‘Cansou’ das ilhas da Grécia?
Em comparação com outros destinos na Europa, a Albânia ainda tem uma infraestrutura muito tímida para o turista acostumado com os bangalôs das Maldivas e de Bora Bora ou com os hotéis boutique no interior da Itália e da França.
Por ora, a capital Tirana conta com opções bem reduzidas de 5-estrelas. O Maritim Hotel Plaza, o Xheko Imperial Luxury Hotel & SPA e o Tirana Marriott Hotel aparecem em destaque na plataforma de reservas Booking.com.
O preço, no entanto, nem se compara a opções equivalentes em cidades como Paris e Londres. Por duas diárias, paga-se cerca de R$ 2.500 na capital albanesa, contra exorbitantes R$ 15.000 pelo mesmo período nas capitais francesa e inglesa.
- A título de curiosidade, o Hôtel Plaza Athénée, provavelmente a hospedagem mais prestigiada de Paris, cobra cerca de R$ 28.000 por duas diárias.
Para chegar ao país, vindo do Brasil, é preciso fazer conexão em alguma capital europeia e depois embarcar em um avião de companhias como Air Serbia ou AirBaltic, rumo à Tirana.
A Albânia tem apenas um aeroporto internacional no momento; o segundo, na cidade de Vlora, deve começar a funcionar entre 2025 e 2026.
Outras opções, ainda mais rústicas, é pegar um barco da costa grega ou ir de carro a partir de países fronteiriços, como Kosovo e Montenegro.
Apesar dos “perrengues chiques”, é esse quê de excentricidade e autenticidade que pode agradar aos viajantes frequentes que já conhecem os “clássicos europeus” de cabo a rabo.
Uma das tendências de turismo para 2025 é justamente a busca por destinos fora do padrão. O Seu Dinheiro falou mais sobre isso nesta reportagem aqui.
Vale lembrar que foi só recentemente que o país se abriu para o turismo, após sair de uma ditadura comunista no ano de 1991. Por ora, são os europeus vizinhos, principalmente italianos, que estão enchendo o país.

A presença do turista brasileira ainda é fraca, o que se reflete na pouca oferta de pacotes para Albânia em agências.
Tomás Perez, CEO do TP Group, empresa brasileira de viagens de luxo, explica que começou a falar da Albânia para a clientela há mais ou menos um ano. “Isso representa um tempo curto para o destino entrar no radar do nosso cliente.”
Segundo a ministra do turismo albanês, a ideia é que o país dos Balcãs seja complementar na rota de turismo que inclui Croácia, Itália e Grécia.
Para combinar no mesmo roteiro de eurotrip, Perez recomenda a Croácia e Montenegro, por serem “dois países que carregam uma riqueza histórica e cultural muito grande.”
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Investimentos imobiliários são bem-vindos na Albânia
A infraestrutura para viagens de luxo na Albânia pode mudar muito em breve. Um dos “culpados” é o genro de Donald Trump, Jared Kushner.
No meio do ano, Kushner, através da firma de investimentos Affinity Partners, anunciou que investiria um bilhão de euros (R$ 6,5 bilhões) para construir vilas e hotéis de luxo ao longo dos 450 quilômetros da costa da Albânia.
Entre os projetos, está a construção de um resort do grupo Aman Resorts, que é um dos mais prestigiados no ramo da hotelaria de alto padrão.
Este não é o único empreendimento imobiliário de grandes proporções previsto para o país.
O grupo árabe Emaar, que construiu o célebre prédio Burj Khalifa em Dubai, está fazendo investimentos para transformar o porto de Durres em um hub turístico. Além disso, redes globais como Melía, IHG e Marriot estão projetando hotéis 5-estrelas na região.
Outro projeto de destaque é o Green Coast, da firma de arquitetura EAA-Emre Arolat, que está em andamento desde 2017. Trata-se de uma “mega condomínio” com diversos serviços, lojas e restaurantes e também hospedagens de diferentes faixas de preço.
Olhando no Booking, é possível encontrar diárias que variam entre R$ 1.000 e R$ 17.000, a depender do tamanho da acomodação.
A promessa é de construir 2.200 vilas de luxo e sete hotéis de alto padrão, incluindo um da rede Accor e outro Grand Hyatt, em uma região ainda inexplorada da costa albanesa.
Atualmente, já existem 500 vilas construídas, segundo apuração do Luxury Tribune.
“A abertura do país para o turismo é relativamente recente, portanto, tudo ainda está sendo formatado para receber o viajante de alto padrão”, explica Perez.
Turismo é a solução para a Albânia ‘entrar no mapa’?
Segundo relatório da Organização Mundial do Turismo, o PIB (Produto Interno Bruto) da Albânia foi de US$ 12,3 bilhões em 2012 para US$ 23 bilhões em 2023.
Nesse contexto, o país também tem se esforçado para atrair cada vez mais investimento estrangeiro direto. Em 2022, os projetos novos de turismo levaram US$ 135 milhões para a Albânia.
Segundo a diretora executiva da Organização, Natalia Bayona, “esses números mostram a resiliência da economia albanesa e seu crescente setor turístico, posicionando-o como um destino promissor para investimentos no Sudeste Europeu.”
O órgão internacional lançou, em abril deste ano, uma publicação de mais de 120 páginas falando sobre o potencial de investimento na Albânia, falando não só sobre o turismo, mas também sobre outros segmentos, como a energia verde.

Essa nova fase da Albânia tem a ver também com legislações favoráveis aos negócios e ao incentivo do próprio governo para atrair empresas e profissionais qualificados.
A “Lei das Startups”, por exemplo, foi criada em 2022 para apoiar a criação e desenvolvimento de empresas de tecnologia e inovação. Em 2023, a Albânia registrou mais de 154 startups em diferentes setores da economia.
"O país precisa de investimentos. Conseguimos desenvolver grandes projetos no setor energético e agora somos quase 100% renováveis. [...] Mas ainda dependemos da Europa em várias áreas, como infraestrutura e educação. Buscamos seguir o exemplo de Montenegro, um pequeno país que alcançou avanços notáveis graças ao turismo de alto padrão e fortes investimentos”, declarou o primeiro-ministro do país.
A Albânia entrou com um pedido para entrar na União Europeia em 2014. O país já é parte do Tratado de Schengen, que permite circulação livre no continente.
* Com informações do Luxury Tribune, Independent, Wall Street Journal
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