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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

INOVAÇÃO E AUTOMÓVEIS

A Tesla vai ficar para trás? Por que as rivais chinesas investem mais em pesquisa sobre carros elétricos do que Elon Musk 

Montadoras asiáticas já desembolsam o mesmo tanto ou até mais do que seus pares globais em pesquisa e desenvolvimento em percentuais de receita

Camille Lima
Camille Lima
25 de julho de 2024
17:03 - atualizado às 16:16
Elon Musk, CEO da Tesla, após visita à China
Elon Musk, CEO da Tesla - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

A liderança da Tesla no mercado de carros elétricos está cada vez mais sob ameaça — e as fabricantes chinesas não parecem dispostas a desacelerar o ritmo da agressiva expansão.

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De acordo com análise da CNBC dos balanços das montadoras no primeiro trimestre, as asiáticas decidiram gastar mais dinheiro em pesquisa do que a empresa de Elon Musk.

Trata-se de uma estratégia de sobrevivência no mercado automotivo da China — que é o maior do mundo e com maior nível de competição. Por lá, os veículos elétricos e híbridos ganharam força, crescendo para mais de 40% das vendas.

Muitas montadoras chinesas já desembolsam o mesmo tanto ou até mais do que seus pares globais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em percentuais de receita, afirmou o analista de automóveis da UBS, Paul Gong, em entrevista à CNBC

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Os gastos das rivais chinesas da Tesla

Uma das principais rivais da Teska, a BYD investiu o equivalente a US$ 1,47 bilhão em P&D entre janeiro e março de 2024, equivalente a 8% do faturamento. 

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O montante supera os desembolsos da empresa de Elon Musk, que chegaram a US$ 1,15 bilhão em igual intervalo de tempo.

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Em termos percentuais, a Nio é a empresa chinesa de carros elétricos com ações listadas nos EUA que mais destinou recursos à pesquisa. A companhia gastou quase 29% da receita em pesquisa e desenvolvimento nos primeiros três meses do ano. 

Para ter uma dimensão, no mesmo período, a Tesla gastou apenas 5,4% do faturamento nestas iniciativas. Já no trimestre encerrado em junho, a cifra caiu ainda mais, para 4,2% das receitas da montadora.

Enquanto isso, a Xpeng destinou 20% das receitas do primeiro trimestre em P&D. Já o percentual da Li Auto foi de 11%.

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Por sua vez, a Zeekr, subsidiária de carros elétricos da gigante automobilística Geely, listada nos EUA, desembolsou 13% das vendas em pesquisa e desenvolvimento. 

A controladora Geely — negociada em Hong Kong — não divulgou o número no balanço do primeiro trimestre, mas, nos últimos quatro anos, a companhia destinou pelo menos 4% da receita em pesquisa.  

A Huawei divulgou que gasta pelo menos 10% da receita em P&D. 

Os efeitos dos investimentos maiores em P&D

Até agora, não está claro se investimentos intensos em desenvolvimento se traduzem em ganhos de competitividade no longo prazo.

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Afinal, a própria Nio operou no vermelho por muitos anos. Foi só nos últimos meses que a fabricante chinesa começou a ver aumento nos níveis de entregas de seus carros mais caros.

“Todo mundo está falando sobre involução agora”, disse Feng Shen, presidente do comitê de gestão de qualidade da Nio. “Mas as empresas devem [competir] em qualidade.”

Segundo o executivo, “se você não consegue fazer um bom trabalho em qualidade, não há nada que você possa dizer”. 

Atualmente, a Nio tem um plano arrojado para aumentar a qualidade de seus produtos, a começar pelas novas tecnologias e inovação na cadeia de suprimentos.

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Em entrevista à CNBC, o analista de automóveis da UBS, Paul Gong, alertou que a proporção entre gastos com pesquisa e vendas não é uma questão definitiva de real inovação tecnológica.

“Se eles podem vender mais carros com uma lucratividade melhor, isso basicamente significa que suas maneiras inovadoras provavelmente estão certas. Parte disso pode não estar em funcionalidades bacanas”, disse Gong, acrescentando que isso poderia incluir cortes de custos. “Menos chiques, mas realmente poderosos.”

*Com informações da CNBC.

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