Quem foi Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC e referência entre os economistas ortodoxos
Da negociação da dívida externa nos anos 1980 à assessoria econômica na pré-candidatura de Sergio Moro, conheça a trajetória de Pastore
Referência entre os economistas brasileiros, e em especial da escola mais ortodoxa, Affonso Celso Pastore morreu nesta quarta-feira (21), em São Paulo. Ele foi internado para uma cirurgia no sábado, passou o fim de semana na UTI, mas não resistiu.
Graduado e com doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), Pastore entrou para a vida pública em 1966 como assessor de Antônio Delfim Neto, então secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.
Assumiu a presidência do Banco Central no começo de setembro de 1983, em pleno processo de renegociação de dívida externa e com o país quebrado, e ficou até março de 1985.
Nesse período, Pastore teve participação ativa nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a dívida externa brasileira.
"Entrei em meio a uma crise e fui o administrador dessa crise, não fui propriamente um presidente de banco central", relatou. À época, o BC não tinha o status de hoje, sendo uma mera divisão do Ministério da Fazenda.
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Acordo com FMI e inflação
Poucos meses após assumir o comando do BC, Pastore e a área econômica conseguiram um acordo para empréstimo em janeiro de 1984.
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As reservas cambiais eram negativas em US$ 2 bilhões (conceito caixa, não de liquidez internacional) em setembro de 1983, mas no começo do ano seguinte o saldo era positivo em US$ 6 bilhões.
Foi imperioso ainda um processo de indexação e desvalorização cambial que estimulasse as exportações e ajudasse a equilibrar o balanço de pagamentos. Mas a medida teve como consequência a explosão da inflação, que chegou a rodar em 100% ao ano.
"A forma de resolver a crise externa nos empurrou para o câmbio real fixo na paridade de poder de compra, tendo como consequência a total impossibilidade de controlar a quantidade de moeda", disse, em entrevista dada para a coleção História Contada do Banco Central do Brasil, em 2019.
Conhecido pelo perfil ortodoxo e rigor na defesa do controle da inflação, Pastore afirmava que sua grande frustração na passagem pelo BC foi não poder fazer política monetária. Na época, essa era uma atribuição do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Vida acadêmica e consultoria
Nos anos 90, lecionou na pós-graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e também no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).
Na mesma época, fundou a AC Pastore & Associados, consultoria com foco em macroeconomia aplicada, junto com a esposa, também economista, Maria Cristina Pinotti.
Pastore foi autor de dezenas de livros, escritos em parcerias com outros economistas e sozinho. Um deles foi Erros do Passado, Soluções para o Futuro, em que analisa os erros de política econômica cometidos a partir dos anos 1960.
Em 2020, recebeu uma homenagem num livro com nove artigos e uma entrevista inédita. A obra tem textos de Antonio Delfim Netto, Arminio Fraga Neto, Celso Lafer, Edmar Bacha, Ilan Goldfajn, José Júlio Senna, Marcos Lisboa, Mário Magalhães Mesquita e Samuel Pessôa.
Polêmica no governo Dilma e aliança com Moro
As posições firmes do economista renderam polêmicas, como o famoso atrito com Alexandre Tombini, ex-presidente do Banco Central na gestão Dilma Rousseff, em março de 2015.
Incomodado com a crítica de Pastore de que desde que havia chegado ao BC nunca entregou a inflação na meta de 4,5%, Tombini acionou a assessoria de imprensa da autoridade monetária para responder que, quando Pastore era o titular da instituição, a inflação acumulada em 12 meses passou de 134,69% para 224,60%.
Pastore disse ter se sentido ofendido e treplicou. "Nunca me escondi atrás de nota à imprensa para desrespeitar quem está ou esteve no Banco Central." Ele disse ainda nunca ter escondido ou mentido sobre seus feitos no BC.
Pastore voltou à cena política em 2021 para assessorar o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, então pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos. Em março do ano seguinte, no entanto, Moro desistiu da disputa.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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