Paulo Guedes tem um sopro de esperança para o Brasil
Ex-ministro da Economia explica por que acredita que o mundo vai voltar os olhos para o país

Se fosse para resumir o cenário que Paulo Guedes traçou para o Brasil nas próximas décadas, seria com sua seguinte frase: “quando dois brigam, o terceiro que se dá bem. O Brasil está bem posicionado neste acirramento geopolítico global”. Explico:
Paulo Guedes é esperançoso com o Brasil e enxerga o mundo convergindo cada vez mais para nossas terras tupiniquins. Para Guedes, outras nações vão querer ser o Brasil daqui 10 a 20 anos, independentemente dos governos que passarem por Brasília. Afinal, o longo ciclo de crescimento sincronizado mundial (e que a gente ficou de fora) acabou, abrindo uma janela que favorece nosso país.
Contextualizando melhor, os países do “primeiro mundo” enfrentam hoje problemas geopolíticos, de segurança alimentar, cibernética e outras questões dramáticas que fazem deles economias declinantes. Já o Brasil... Não tem briga com ninguém e ainda por cima possui 80% de energia limpa e renovável, dando-lhe um enorme potencial de ganho de eficiência que é muito atrativo para outras nações.
Em outras palavras, o Brasil é o cara mais arrumadinho para o futuro de longo prazo, mas não por mérito, e sim porque é um país atrasado: todo mundo estava curtindo a festa, nós ficamos de fora e chegamos para dançar no fim da noite, quando todo mundo já estava bêbado. “Quando quiserem produzir aço verde, estaremos aqui. Temos energia limpa e barata. Então as economias declinantes, como a Europa e a China, terão que vir aqui.
Por isso não podemos nos dar o luxo de entrar na briga de ninguém. Podemos dançar com todo mundo. Alemão, chinês... todo mundo”, contou num evento recente da Spectra Investments, que eu, Thiago Salomão, participei e levei em primeira mão para os assinantes da CompoundLetter, a newsletter gratuita do Market Makers.
Guedes vê, inclusive, que esse declínio global ativou o “modo sobrevivência no Ocidente”, com países buscando novas lideranças — sobretudo de direita — em busca de políticas que os coloquem de volta na rota da prosperidade. Como exemplo, ele cita Hungria, Itália, Portugal, Nova Zelândia, Paraguai, Uruguai e Argentina.
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Mas há um porém: Na visão do ex-ministro da Economia, apesar de o Brasil ter uma escala que outros países não têm, não podemos nos dar o luxo de brigar e tampouco fugir do que ele chama de “caminho da prosperidade”, que é seguir com a agenda de privatizações e não aumentar impostos sobre empresas.
Hoje, Paulo Guedes vê o Brasil como uma nação que “não briga com ninguém, só briga com ela mesma”, mas no meio dessa confusão interna, vê uma virtude que era pouco vista na sua juventude: cada vez mais jovens animados com o empreendedorismo. “O empreendedor é a chave do futuro. Quando eu era jovem, eram 5 ou 6 que acreditaram em liberalismo. Hoje são muitos. Não desistam.”
Aos 74 anos de idade, Paulo Guedes vê um Brasil melhor no longo prazo. Talvez esse cenário não se realize. Só o futuro dirá. O otimismo, no entanto, é algo que todo brasileiro deveria guardar dentro de si.
Com doses críticas, um quê de ceticismo em algumas coisas e apontando ressalvas que podem atrapalhar o tal caminho da prosperidade? Com certeza sim. Mas é a fagulha de esperança que nos dá a força de seguir em frente.
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