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Durante a Art Basel 2024, companhias que vendem bens de alto valor agregado têm a chance de se conectar com algumas das pessoas mais ricas do mundo
Marcas como Louis Vuitton, Chanel, Dior e Gucci não estão vivendo os melhores dias. A instabilidade global e a desaceleração econômica, principalmente da China, afetaram duramente o 1% da pirâmide.
Pelas estimativas da Bain & Company, o mercado de bens de alto valor agregado terá uma redução de 2% em 2024, passando a valer 363 bilhões de euros (R$ 2,2 trilhões). Com exceção do período da pandemia de Covid-19, esta é a primeira vez que o segmento encolhe desde a crise global de 2008.
Diante desse cenário, o mercado de luxo está precisando se desdobrar para sair do limbo e voltar a ver números positivos no balanço financeiro. A solução pode ser uma passagem para Miami neste final de semana.
Próximo destino? Art Basel 2024, uma das maiores feiras de arte do mundo.
Obras e moda têm mais coisas em comum do que o simples fato de serem expressões artísticas. Elas também são extremamente valorizadas pelos indivíduos com alto patrimônio líquido (HNWIs, na sigla em inglês), ou seja, os ricaços ao redor do mundo.
Eventos como a Art Basel, que concentra a elite da arte moderna e contemporânea mundial, são oportunidades para as marcas de luxo se conectarem com potenciais consumidores de poder aquisitivo bastante elevado — os mesmos que, em uma viagem à Miami, podem adquirir tanto uma obra de arte como uma bolsa de 6 ou 7 dígitos.
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“A Art Basel atende aos principais colecionadores e líderes culturais do mundo. Recebemos milhares de colecionadores que gastam de seis a sete dígitos por ano em arte e consultores que influenciam fortemente os hábitos de compra de seus clientes”, comentou a diretora global de parcerias, Melissa Netecke, em entrevista ao Business of Fashion no ano passado.
Por isso, não é de se estranhar que as marcas tenham preparado ativações e patrocinado algumas exposições durante a Miami Art Week, que inclui a Art Basel entre as principais atrações.
O LVMH, maior grupo de luxo do mundo, preparou um “pop-up” no Design District para receber artistas, executivos e influencers. A Pucci fez um pré-evento no jardim botânico apenas com convidados.
Outras marcas como Gucci, Hublot e Cartier também preparam ativações especiais para a semana de arte.
Essa não é a primeira vez que empresas de bens de alto padrão se associam à Art Basel.
Em 2022, o relançamento do livro “Sex”, de Madonna, foi feito em parceria com a Saint Laurent e originou uma série de eventos, incluindo uma noite de abertura com presença da cantora pop.
“O mundo da arte pode oferecer ao luxo uma oportunidade de transmitir sua relevância cultural. Para as marcas, uma colaboração significativa [com artistas] pode conectá-las a indivíduos que estão moldando a cultura”, comenta Netecke.
O investimento em arte também tem ido além das feiras.
A Chanel organizou uma exposição sobre a nova geração de artistas chineses no Centre Pompidou, importante centro cultural e artístico de Paris. Isso depois de ter financiado a renovação de toda uma ala do espaço, em 2022.
Ainda na Cidade-Luz, a Pinault Collection, pertencente ao fundador da Kering François Pinault, reabriu o museu da Bolsa; e a LVMH construiu a gigantesca Fondation Louis Vuitton, que recebe exposições de artistas expoentes do século 20.
O Business of Fashion resume com maestria o que essa intersecção entre arte e luxo significa para as companhias:
“Em um período de declínio do interesse pelo luxo, onde manter relacionamentos com o 1% é fundamental para as marcas, o mundo da arte representa uma janela cada vez mais importante para os gostos e hábitos de consumo das pessoas mais ricas do mundo – compradores para quem uma viagem a Paris para consumir arte e cultura pode ser apenas uma das muitas paradas em seu calendário social.”
*Com informações do Business of Fashion.
A frase de Adam Smith é uma das reflexões do livro “A Riqueza das Nações”, obra seminal do liberalismo econômico.
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