O Copom “errou a mão” nas decisões de juros? Diretor do Banco Central revela perspectivas sobre Selic, inflação e intervenções no câmbio
Segundo Diogo Guillen, a visão do Copom não mudou em relação a fazer o que for necessário para convergir a inflação à meta de 3% ao ano

Em meio a expectativas sobre um futuro aperto dos juros no Brasil, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afirmou nesta quinta-feira (5) que não acredita que o Copom tenha errado a mão nas decisões passadas sobre a taxa Selic — e sim adequou a política monetária aos processos de desinflação.
"Nós temos dito que a inflação tem desacelerado, mas precisamos levar a inflação à meta. Esse é o nosso mandato", disse, em palestra por videoconferência no Global Emerging Markets One-on-One Conference, organizado pelo UBS/UBS BB.
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Segundo Guillen, a visão do Copom não mudou em relação a fazer o que for necessário para convergir a inflação à meta da autoridade, de 3% ao ano.
"Há forte compromisso da política monetária para atingir a meta da inflação. Faça o que tiver de ser feito e a credibilidade vem", disse o diretor do BC, ao ser questionado se as ações da autarquia no ciclo atual visam a gerar uma maior credibilidade junto ao mercado.
Ele continuou lembrando que a cúpula do BC deixou claro que, se precisasse, estava em aberto a possibilidade de subir a Selic.
"Eu acho que sem um guidance, a decisão de ser dependente de dados foi uma decisão importante do comitê. Não é uma falta de decisão. Era uma visão do comitê de deixar os dados falarem."
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Inflação e taxa real de juros
Segundo ele, o Copom toma decisões dos juros com base nas dinâmicas do cenário e também considerando os movimentos necessários para atingir a meta da inflação.
"A nossa visão não mudou. O foco é fazer o que precisar para convergir inflação à meta.”
O diretor do BC destacou ainda que a ancoragem das expectativas permite menores custos para o processo de desinflação.
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No entanto, a história principal continua a ser a mesma, de acordo com o diretor: dar mais ênfase à condução da política monetária para levar as expectativas de inflação de volta à meta — porque isso reduziria os custos dessa inflação — do que tentar encontrar os motivos que levaram à elevação das expectativas.
Na avaliação de Guillen, não há sentido em mudar a taxa real de juros neutra, mas é possível atualizá-la se achar necessário.
“Nós não estamos vendo isso. Nós atualizamos a taxa neutra em junho e penso que estamos confortáveis com o número", concluiu.
Vale lembrar que, no último movimento, a autoridade monetária aumentou a estimativa de juro neutro de 4,5% para 4,75%.
Por trás das intervenções no câmbio
O diretor de Política Econômica do Banco Central ainda destacou que a decisão da instituição de intervir recentemente no mercado cambial não teve qualquer relação com a defesa de nível ou outro motivo similar.
"Estamos em um regime de câmbio flutuante livre, meta de inflação, arcabouço, nada mudou", disse. "Ambas [as intervenções] foram relacionadas a pontos muito concretos, pontuais. Decidimos prover liquidez".
Na avaliação do diretor, houve alguma confusão no mercado com a atuação, mas nada foi alterado em relação ao papel de intervenção do BC.
"Foi realmente para evitar qualquer disfuncionalidade no mercado, como é sempre o caso."
De olho no exterior
Em relação ao cenário externo, Guillen disse que há ainda muitas incertezas em relação à ação do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e agora o BC também está incorporando o debate sobre os impactos de suas políticas.
O diretor citou a importância de monitorar o ritmo de desaceleração da economia mundial, dando ênfase ao mercado de trabalho.
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Para Guillen, o cenário indica que haverá um pouso suave da economia global, com uma desaceleração gradual do crescimento. "Um cenário de soft landing ganhou probabilidade. Então você vê desaceleração, mas uma desaceleração em forma organizada, você vê o mercado de trabalho reduzindo um pouco, mas com o Fed também sugerindo que haverá um ciclo de baixa (dos juros).”
"Em algum sentido, eu acho que o cenário externo está um pouco mais benigno com esse pouso suave."
No entanto, a política fiscal em muitos países continua a ser uma questão no radar, especialmente em meio à incerteza sobre as eleições nos EUA.
"A incerteza tem sido reduzida, mas alguns desafios ainda estão aí, como a questão do fisco nos Estados Unidos, a China, como vai ser a forma dessa desaceleração nos Estados Unidos. E para se adicionar a isso, ainda no cenário externo, acho que a política monetária não é tão correlata como era um ano e meio atrás", comparou.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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