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A Europa alega que o Brasil utiliza hormônio nas carnes bovinas de gado fêmea e suspendeu as importação da proteína na região
Após lidar com a paralisação de exportação de frango em julho, os frigoríficos ganharam mais uma dor de cabeça: a Europa suspendeu a importação de carne bovina brasileira que tenha origem de gado fêmea.
A União Europeia e o Reino Unido alegam que o Brasil utiliza o hormônio estradiol nos bovinos fêmeas e exige que um protocolo privado seja adotado para impedir o uso da substância.
Com a paralisação, o Ministério da Agricultura anunciou que, a partir de outubro, apenas carne de bovinos machos poderá ser exportada para a região.
Apesar da relevância, a determinação da União Europeia e Reino Unido deve ter pouco impacto no mercado brasileiro, de acordo com analistas do BTG Pactual.
Segundo o relatório, a região não é um grande importador de carne brasileira e representa apenas 3% do volume total de exportações do país.
Os analistas afirmam ainda que, embora os preços do mercado europeu sejam 55% acima da média determinada pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), a região ainda representa uma pequena participação no setor brasileiro.
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No ano passado, foram responsáveis por apenas 5% do valor exportado do país.
Apesar do pouco impacto, a determinação da União Europeia, em conjunto com o Reino Unido, vai exigir que os frigoríficos façam um recálculo de rota para mitigar os impactos.
Porém, analistas do BTG Pactual avaliam que as empresas possuem diversas alternativas.
Entre as opções possíveis estaria o redirecionamento das carnes de gado macho de outros mercados para a UE, utilizando as operações na Argentina, no Uruguai ou até no mercado interno.
Segundo o banco, a Minerva (BEEF3) será a empresa que mais precisará optar por novas estratégias. Isso porque o frigorífico possui maior dependência da venda de carne bovina brasileira, que compõem 45% das receitas da companhia.
No entanto, da mesma forma que as repercussões nacionais devem ser pequenas, analistas enxergam que a Minerva deve lidar com quase nenhum impacto.
De acordo com o relatório do banco, aproximadamente 10% de suas exportações são destinadas à União Europeia. A maior parte do negócio da empresa no exterior vem da Argentina e do Uruguai.
“A Minerva pode facilmente aumentar as exportações desses países para a UE, enquanto redireciona as exportações brasileiras para outros mercados”, afirmam analistas do BTG Pactual.
Já a JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) devem ter impactos ainda menores. O documento divulgado indica que as exportações de carne bovina das empresas representam 15% e 18%, respectivamente, das receitas dos frigoríficos.
Dessa forma, o banco manteve a recomendação neutra em relação à Marfrig e Minerva e optou pelas ações da JBS no setor.
Por volta das 14h desta quinta-feira (12), os papéis da JBS (JBSS3) caíam 0,03%, enquanto as ações da Minerva (BEEF3) subiam 0,28% e a Marfrig (MRFG3) apresentava alta de 0,56%.*
A Europa e o Reino Unido exigem que o Brasil atenda às exigências da região e implemente um protocolo privado dentro de 12 meses para a liberação da importação da carne bovina de fêmeas.
A pressão, no entanto, possui pouco impacto. Segundo os analistas do BTG Pactual, mesmo em um cenário de suspensão total da importação de carne bovina brasileira pela UE, a repercussão seria de uma redução de 2% nas exportações do país.
No entanto, o banco acredita que o cenário é improvável de se concretizar.
*CORREÇÃO: A versão original da matéria tinha um erro na variação das ações das empresas
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