Ranking dos investimentos: perto de R$ 5,80, dólar tem uma das maiores altas de outubro e divide pódio com ouro e bitcoin
Na lanterna, títulos públicos longos indexados à inflação caminham para se tornar os piores investimentos do ano

Com uma alta de mais de 6% no mês e 19% no ano, o dólar foi um dos melhores investimentos de outubro, refletindo o mercado de câmbio nervoso com o fiscal. A moeda americana fechou o mês cotada a R$ 5,78, próximo à marca psicológica de R$ 5,80, nos seus maiores patamares em três anos.
Mas a divisa foi precedida de outros dois campeões que têm se mostrado imbatíveis neste ano. No primeiro lugar, como de costume, veio o bitcoin, que chegou a bater os US$ 72.686,42 no mês, beirando a máxima histórica de US$ 73.750,07 e acumulando alta de mais de 15% em reais.
Em segundo lugar veio o ouro, com uma alta de mais de 11% no mês e quase 60% no ano.
Quem também se saiu bem, embora não tenha conquistado pódio, foi a renda fixa indexada ao CDI e à Selic, cujo retorno voltou a se aproximar de 1% ao mês.
Já na ponta negativa, os títulos públicos indexados à inflação de longo prazo se encaminham para terminar o ano como os piores investimentos de 2024.
Quem também apanhou neste mês foram os fundos imobiliários. O IFIX, índice que representa esses investimentos na B3, amargou uma perda de mais de 3% em outubro, superior à queda de 1,60% do Ibovespa no período. O índice de ações, por sinal, perdeu o nível dos 130 mil pontos e fechou cotado a 129.713 pontos.
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Veja a seguir o ranking dos melhores e piores investimentos do mês:
Melhores investimentos de outubro
| Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
| Bitcoin | 15,56% | 98,05% |
| Ouro (GOLD11) | 11,43% | 58,51% |
| Dólar à vista | 6,13% | 19,11% |
| Dólar PTAX | 6,07% | 19,36% |
| Tesouro Selic 2029 | 0,91% | 9,26% |
| CDI* | 0,89% | 8,95% |
| Tesouro Selic 2027 | 0,88% | 9,25% |
| Poupança nova** | 0,57% | 5,80% |
| Poupança antiga** | 0,57% | 5,80% |
| Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)* | 0,36% | 9,07% |
| Tesouro Prefixado 2027 | -0,40% | - |
| Tesouro IPCA+ 2029 | -0,69% | 0,46% |
| Ibovespa | -1,60% | -3,33% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035 | -2,33% | - |
| Tesouro Prefixado 2031 | -2,47% | - |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 | -2,54% | -2,95% |
| IFIX | -3,06% | -3,22% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040 | -3,48% | -4,76% |
| Tesouro IPCA+ 2035 | -4,01% | -6,93% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055 | -4,42% | -8,60% |
| Tesouro IPCA+ 2045 | -7,67% | -15,86% |
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase, Inc..
Cenário doméstico foi o que mais pesou sobre os ativos de risco
As preocupações dos investidores com o cenário fiscal cresceram no mês de outubro, à medida que foi se criando uma forte expectativa em relação a um plano de corte de gastos que o governo ficou de anunciar, mas que até agora não saiu.
A inflação local continuou pressionando, com o IPCA-15 – considerado a prévia da inflação – encostando no teto da meta e as projeções do Boletim Focus do Banco Central ficando acima do teto em 2024.
O mercado vem ficando impaciente com a demora do governo em fazer um ajuste fiscal pelo lado do gasto após muito se concentrar no lado da arrecadação. E, embora o crescimento econômico esteja forte, os investidores entendem que boa parte dessa alta advém do elevado gasto público.
- Boletim Focus aponta inflação no teto da meta em 2024; saiba onde investir para buscar lucros na renda fixa neste cenário
Além disso, o cenário externo não colabora tanto assim. Apesar de o Federal Reserve, o banco central americano, estar afrouxando a política monetária, o mercado aposta numa vitória de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, evento que pode ser inflacionário e, por consequência, levar o Fed a cortar menos os juros.
A expectativa dos investidores é de que Trump poderia implementar cortes de impostos e aumentos de tarifas às importações, fatores que pesam sobre os índices de preços.
Assim, a percepção de aumento do risco fiscal brasileiro e de que o Banco Central talvez tenha que fazer um aperto monetário ainda mais forte para compensar o fiscal frouxo derrubou o real ante o dólar e elevou os juros futuros tanto nos prazos mais curtos quanto nos mais longos.
A alta dos juros de mercado tende a pesar sobre os ativos de risco, como as ações e os fundos imobiliários, sendo que estes últimos sofrem ainda pelo fato de que o setor imobiliário é um dos mais dependentes de crédito, e taxas elevadas encarecem os financiamentos.
Na renda fixa, o aumento dos juros futuros eleva as taxas pagas pelos títulos públicos prefixados e indexados à inflação, e consequentemente derruba seus preços de mercado.
Já a Selic em alta – a taxa básica deve subir mais 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, na semana que vem – vem beneficiando as aplicações pós-fixadas, aquelas atreladas à Selic e ao CDI.
Melhores desempenhos do Ibovespa em outubro
| Empresa | Código | Desempenho |
| Yduqs | YDUQ3 | 16,00% |
| Marfrig | MRFG3 | 14,88% |
| JBS | JBSS3 | 14,42% |
| Cogna | COGN3 | 10,94% |
| BRF | BRFS3 | 10,74% |
| CVC | CVCB3 | 9,68% |
| Suzano | SUZB3 | 9,66% |
| Pão de Açúcar | PCAR3 | 6,38% |
| Cyrela | CYRE3 | 6,19% |
| Usiminas | USIM5 | 5,93% |
Piores desempenhos do Ibovespa em outubro
| Empresa | Código | Desempenho |
| Carrefour | CRFB3 | -19,14% |
| Hypera | HYPE3 | -15,90% |
| Hapvida | HAPV3 | -12,25% |
| Braskem | BRKM5 | -12,14% |
| TIM | TIMS3 | -11,64% |
| Raízen | RAIZ4 | -9,68% |
| Cosan | CSAN3 | -9,48% |
| Azul | AZUL4 | -9,13% |
| CSN | CSNA3 | -8,69% |
| Minerva | BEEF3 | -8,52% |
Desempenhos do ouro e do bitcoin se relacionam ao mercado internacional
Já os bons desempenhos do ouro e do bitcoin têm mais relação com questões externas. No caso do ouro, o metal precioso vem se valorizando com a perspectiva de queda de juros nos EUA, que torna os títulos do Tesouro americano menos atrativos como ativos de proteção.
Além disso, há um movimento de migração de grandes compradores para o ouro, inclusive de bancos centrais que desejam diversificar suas reservas, diante da possibilidade de enfraquecimento global do dólar, uma vez que a dívida pública americana se encontra bastante elevada.
A provável eleição de Donald Trump à presidência dos EUA é algo que traz preocupações em relação ao fiscal americano, diante da tendência do republicano de cortar impostos.
No caso do bitcoin, a criptomoeda tem sido beneficiada pela definição iminente da presidência dos EUA, que tem grandes chances de dar a vitória justamente a um candidato que já se declarou muito favorável à criptoeconomia.
Além disso, num cenário de dólar mais fraco globalmente, seja pela queda nos juros americanos, seja pelo fiscal pressionado nos EUA, o bitcoin é outro ativo que tende a despontar como reserva de valor, o "ouro digital".
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