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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

BALANÇO DO MÊS

Ranking dos investimentos: perto de R$ 5,80, dólar tem uma das maiores altas de outubro e divide pódio com ouro e bitcoin

Na lanterna, títulos públicos longos indexados à inflação caminham para se tornar os piores investimentos do ano

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
31 de outubro de 2024
19:00 - atualizado às 18:47
Dólar, real, moedas.
Moeda americana fechou o mês em R$ 5,78, tornando-se o terceiro melhor investimento de outubro. Imagem: iStock

Com uma alta de mais de 6% no mês e 19% no ano, o dólar foi um dos melhores investimentos de outubro, refletindo o mercado de câmbio nervoso com o fiscal. A moeda americana fechou o mês cotada a R$ 5,78, próximo à marca psicológica de R$ 5,80, nos seus maiores patamares em três anos.

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Mas a divisa foi precedida de outros dois campeões que têm se mostrado imbatíveis neste ano. No primeiro lugar, como de costume, veio o bitcoin, que chegou a bater os US$ 72.686,42 no mês, beirando a máxima histórica de US$ 73.750,07 e acumulando alta de mais de 15% em reais.

Em segundo lugar veio o ouro, com uma alta de mais de 11% no mês e quase 60% no ano.

Quem também se saiu bem, embora não tenha conquistado pódio, foi a renda fixa indexada ao CDI e à Selic, cujo retorno voltou a se aproximar de 1% ao mês.

Já na ponta negativa, os títulos públicos indexados à inflação de longo prazo se encaminham para terminar o ano como os piores investimentos de 2024.

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Quem também apanhou neste mês foram os fundos imobiliários. O IFIX, índice que representa esses investimentos na B3, amargou uma perda de mais de 3% em outubro, superior à queda de 1,60% do Ibovespa no período. O índice de ações, por sinal, perdeu o nível dos 130 mil pontos e fechou cotado a 129.713 pontos.

Leia Também

Veja a seguir o ranking dos melhores e piores investimentos do mês:

Melhores investimentos de outubro

InvestimentoRentabilidade no mêsRentabilidade no ano
Bitcoin15,56%98,05%
Ouro (GOLD11)11,43%58,51%
Dólar à vista6,13%19,11%
Dólar PTAX6,07%19,36%
Tesouro Selic 20290,91%9,26%
CDI*0,89%8,95%
Tesouro Selic 20270,88%9,25%
Poupança nova**0,57%5,80%
Poupança antiga**0,57%5,80%
Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)*0,36%9,07%
Tesouro Prefixado 2027-0,40%-
Tesouro IPCA+ 2029-0,69%0,46%
Ibovespa-1,60%-3,33%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035-2,33%-
Tesouro Prefixado 2031-2,47%-
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035-2,54%-2,95%
IFIX-3,06%-3,22%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040-3,48%-4,76%
Tesouro IPCA+ 2035-4,01%-6,93%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055-4,42%-8,60%
Tesouro IPCA+ 2045-7,67%-15,86%
(*) Até dia 30/10. (**) Poupança com aniversário no dia 25.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase, Inc..

Cenário doméstico foi o que mais pesou sobre os ativos de risco

As preocupações dos investidores com o cenário fiscal cresceram no mês de outubro, à medida que foi se criando uma forte expectativa em relação a um plano de corte de gastos que o governo ficou de anunciar, mas que até agora não saiu.

A inflação local continuou pressionando, com o IPCA-15 – considerado a prévia da inflação – encostando no teto da meta e as projeções do Boletim Focus do Banco Central ficando acima do teto em 2024.

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O mercado vem ficando impaciente com a demora do governo em fazer um ajuste fiscal pelo lado do gasto após muito se concentrar no lado da arrecadação. E, embora o crescimento econômico esteja forte, os investidores entendem que boa parte dessa alta advém do elevado gasto público.

Além disso, o cenário externo não colabora tanto assim. Apesar de o Federal Reserve, o banco central americano, estar afrouxando a política monetária, o mercado aposta numa vitória de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, evento que pode ser inflacionário e, por consequência, levar o Fed a cortar menos os juros.

A expectativa dos investidores é de que Trump poderia implementar cortes de impostos e aumentos de tarifas às importações, fatores que pesam sobre os índices de preços.

Assim, a percepção de aumento do risco fiscal brasileiro e de que o Banco Central talvez tenha que fazer um aperto monetário ainda mais forte para compensar o fiscal frouxo derrubou o real ante o dólar e elevou os juros futuros tanto nos prazos mais curtos quanto nos mais longos.

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A alta dos juros de mercado tende a pesar sobre os ativos de risco, como as ações e os fundos imobiliários, sendo que estes últimos sofrem ainda pelo fato de que o setor imobiliário é um dos mais dependentes de crédito, e taxas elevadas encarecem os financiamentos.

Na renda fixa, o aumento dos juros futuros eleva as taxas pagas pelos títulos públicos prefixados e indexados à inflação, e consequentemente derruba seus preços de mercado.

Já a Selic em alta – a taxa básica deve subir mais 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, na semana que vem – vem beneficiando as aplicações pós-fixadas, aquelas atreladas à Selic e ao CDI.

Melhores desempenhos do Ibovespa em outubro

EmpresaCódigoDesempenho
YduqsYDUQ316,00%
MarfrigMRFG314,88%
JBSJBSS314,42%
CognaCOGN310,94%
BRFBRFS310,74%
CVCCVCB39,68%
SuzanoSUZB39,66%
Pão de AçúcarPCAR36,38%
CyrelaCYRE36,19%
UsiminasUSIM55,93%
Fonte: B3/Broadcast

Piores desempenhos do Ibovespa em outubro

EmpresaCódigoDesempenho
CarrefourCRFB3-19,14%
HyperaHYPE3-15,90%
HapvidaHAPV3-12,25%
BraskemBRKM5-12,14%
TIMTIMS3-11,64%
RaízenRAIZ4-9,68%
CosanCSAN3-9,48%
AzulAZUL4-9,13%
CSNCSNA3-8,69%
MinervaBEEF3-8,52%
Fonte: B3/Broadcast

Desempenhos do ouro e do bitcoin se relacionam ao mercado internacional

Já os bons desempenhos do ouro e do bitcoin têm mais relação com questões externas. No caso do ouro, o metal precioso vem se valorizando com a perspectiva de queda de juros nos EUA, que torna os títulos do Tesouro americano menos atrativos como ativos de proteção.

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Além disso, há um movimento de migração de grandes compradores para o ouro, inclusive de bancos centrais que desejam diversificar suas reservas, diante da possibilidade de enfraquecimento global do dólar, uma vez que a dívida pública americana se encontra bastante elevada.

A provável eleição de Donald Trump à presidência dos EUA é algo que traz preocupações em relação ao fiscal americano, diante da tendência do republicano de cortar impostos.

No caso do bitcoin, a criptomoeda tem sido beneficiada pela definição iminente da presidência dos EUA, que tem grandes chances de dar a vitória justamente a um candidato que já se declarou muito favorável à criptoeconomia.

Além disso, num cenário de dólar mais fraco globalmente, seja pela queda nos juros americanos, seja pelo fiscal pressionado nos EUA, o bitcoin é outro ativo que tende a despontar como reserva de valor, o "ouro digital".

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