Com arrecadação de R$ 23,4 bilhões, funcionários da Caixa tentam manter lotéricas com banco
Além da arrecadação, as loterias são parte fundamental da rede de atendimento do banco, porque prestam serviços bancários da Caixa

Associações de funcionários da Caixa Econômica Federal enviaram uma carta ao presidente do conselho de administração do banco, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, pedindo para que os membros do colegiado votem contra a transferência das operações de lotéricas do banco para uma subsidiária.
O órgão deve votar essa transferência na próxima segunda-feira (15).
No texto, as entidades afirmam que a operação ameaça o caráter público da Caixa, porque representaria uma "terceirização" da operação.
Além disso, o repasse de recursos das loterias ao governo federal também estaria ameaçado. O governo usa essa arrecadação para financiar políticas públicas.
Em última instância, os funcionários temem que essa separação abre brechas para uma eventual privatização.
"[...] tememos que este seja um passo inicial para uma privatização mais ampla da instituição, o que seria desastroso para os interesses públicos e para a soberania nacional", diz a carta à qual o Broadcast teve acesso. "Diante do exposto, apelamos ao senso de responsabilidade e compromisso com o interesse público de cada membro deste Conselho para que votem contra a proposta de transferência das operações das Loterias da Caixa para a Caixa Loterias."
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Caixa não tem motivos claros para fazer mudança
O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, afirma que os objetivos do banco para fazer a mudança organizacional não estão claros.
"O que eles alegam, na nossa visão, não tem fundamento. Eles alegam que a Caixa não tem tecnologia, não tem agilidade, nem produto."
Do outro lado, a Caixa argumenta que, ao criar uma empresa específica para as loterias, o banco conseguirá implementar novos produtos de forma mais ágil. Atualmente, as loterias estão consolidadas no balanço do banco.
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Na ponta do lápis
No ano passado, a arrecadação foi de R$ 23,4 bilhões, um crescimento de 0,9% em relação a 2022. Deste total, R$ 9,2 bilhões foram destinados a programas sociais do governo.
Além da arrecadação, as loterias são parte fundamental da rede de atendimento do banco, porque prestam serviços bancários da Caixa.
Em dezembro passado, eram 13,3 mil lotéricas espalhadas pelo País. O número de agências físicas, para efeito comparativo, era bem menor, de 3,4 mil.
Temor de privatização das loterias da Caixa
Takemoto critica ainda o modelo de busca de parceiros de operação no setor privado, que a Caixa adota em empresas como a Caixa Seguridade, a Caixa Cartões e outras. De acordo com ele, trata-se de uma "privatização na prática".
No banco público, as críticas são vistas como infundadas.
Uma fonte afirma que a exploração das loterias é um monopólio da Caixa definido por lei, e que por isso, não está nas mãos do banco buscar uma eventual privatização do serviço, que já foi cogitada em outros governos.
Relembre o histórico
O projeto de transferir as loterias da Caixa para uma empresa específica, controlada pelo banco, não é novo.
A Caixa Loterias foi criada com essa finalidade em 2015, durante o governo Dilma Rousseff (PT), na mesma época em que a Caixa Seguridade foi criada.
O presidente do banco, Carlos Vieira, que assumiu em novembro passado, tem afirmado que sua gestão vai tirar a mudança do papel. Em janeiro, nomeou Lucíola Vasconcelos, ex-vice-presidente de Agente Operador, como CEO da operação das loterias.
Embora as loterias sigam crescendo, o segmento é diretamente ameaçado pelo avanço das casas de apostas esportivas, as chamadas bets, que acabam de ser regulamentadas pelo governo. Diante disso, o banco considera que precisa ter maior agilidade no negócio.
Procurada, a empresa não se manifestou.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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