“É a indústria do conflito de interesse”: CEO da Warren defende mudança no modelo de remuneração de bancos e corretoras
Na visão de Gusmão, o modelo adotado pela maioria das empresas, faz com que elas priorizem produtos que rendem comissões altas mesmo que não sejam os mais recomendados para o perfil ou objetivos do cliente

Apesar de amplas e constantes, as discussões sobre como bancos, corretoras e outras instituições do mercado financeiro são remuneradas pelos investimentos de seus clientes — o modelo mais tradicional prevê que parte da receita venha de comissões que variam de acordo com o tipo de produto escolhido — não deixam de render sempre novas polêmicas no noticiário econômico.
Nesta semana, o assunto voltou à tona com a notícia do portal Metrópoles de que clientes da XP, a maior corretora do país, estão processando a empresa e buscam reparação por prejuízos milionários.
Vale destacar que a XP chegou a 4,5 milhões de clientes no fim do ano passado, de acordo com os últimos dados disponíveis. Então a amostragem ouvida pelo site é pequena perto do tamanho da base.
Mas, de acordo com um executivo que já passou por lá, a situação denunciada pelo grupo de investidores não é pontual, mas sim um problema generalizado. E não só na XP, mas na maior parte do mercado.
“Nos bancos já existia a questão dos gerentes oferecerem produtos bons para a instituição. As plataformas digitais surgiram para revolucionar o mercado financeiro, mas o modelo de remuneração continuou o mesmo. É a indústria do conflito de interesse”, diz Tito Gusmão, sócio-fundador e CEO da Warren, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Na visão de Gusmão — que trabalhou na XP e foi sócio da empresa por oito anos antes de sair para fundar a própria corretora — o modelo adotado pela maioria das empresas, o commission based, faz com que elas priorizem produtos que rendem comissões altas mesmo que não sejam os mais recomendados para o perfil ou objetivos do cliente.
Leia Também
Comission based vs Fee-based
E como sanar o potencial conflito de interesse sem secar a fonte de renda dos profissionais de investimentos — que precisam de uma receita sustentável como qualquer outro — ou prejudicar os investidores? Para Gusmão, a resposta é simples: incentivando uma adoção mais ampla da remuneração fee-based.
O CEO da Warren faz um paralelo com a saúde privada para explicar as vantagens da mudança: “imagine ser atendido por um médico remunerado pela indústria farmacêutica e mais alinhado a ela do que a você? Na medicina, esse conflito se resolve pagando consultas. Podemos ‘cobrar uma consulta’ no mercado financeiro por meio do fee-based”, defende.
Como indica a tradução do termo em inglês, esse modelo prevê a definição de uma taxa percentual calculada sobre a totalidade dos recursos do cliente custodiados pela companhia. Ao contrário do commission based, a cobrança é fixa e não varia de acordo com os produtos escolhidos.
Um é um modelo predatório, no outro estamos alinhados com o investidor. Os super-ricos, incluindo muitas vezes os próprios donos das corretoras, investem assim por meio de family offices, por exemplo. Nos Estados Unidos e países da Europa e Oceania o fee-based também já é maioria. Meu sonho seria que ocorresse no Brasil o mesmo que na Inglaterra, onde agora é totalmente proibido atuar com comissões
Tito Gusmão, CEO da Warren
Gusmão, é claro, defende o próprio peixe ao criticar a concorrência. Com 300 mil clientes e R$ 20 bilhões sob gestão, a Warren adota o modelo fee based. Vale relembrar ainda que a XP também oferece essa possibilidade desde 2020 e é possível escolher entre a taxa fixa ou a comissão.
ONDE INVESTIR EM FEVEREIRO: AÇÕES, DIVIDENDOS, FIIS, BDRS E CRIPTOMOEDAS - MELHORES INVESTIMENTOS
Como está a discussão no Brasil?
Por aqui, por enquanto, ambos os modelos são permitidos. Mas já existem iniciativas para que as formas de remuneração do mercado de valores mobiliários sejam mais transparentes.
Uma delas é a resolução 179 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula as atividades dos assessores de investimento — ou agentes autônomos, que atuam auxiliando investidores e traçando estratégias para os portfólios — e outros profissionais do mercado.
A resolução obriga as assessorias a divulgarem suas formas e valores de remuneração no mesmo ambiente que é usado pelos usuários para transmitir ordens de investimento.
Além disso, os clientes também terão acesso a um extrato trimestral de remuneração dos assessores. O documento deve detalhar todos os valores que os investimentos daquele cliente renderam ao profissional durante o período.
A norma, no entanto, ainda não entrou oficialmente em vigor. As informações e os extratos, que seriam obrigatórios a partir do primeiro dia útil deste ano, serão exigíveis apenas a partir de 1º de novembro de 2024.
De acordo com a CVM, a prorrogação “atende a pedido de associação representativa de participantes de mercado, e, com isso, os intermediários passam a dispor de prazo adicional para finalizar os ajustes necessários ao cumprimento da regra”.
Ainda segundo a autarquia, o novo prazo fixado foi estabelecido em caráter definitivo “e não será objeto de nova prorrogação”.
Vale destacar que a XP já possui uma página dedicada à transparência na remuneração. “No modelo atual, a XP e o assessor de investimentos recebem um percentual sobre os produtos que são investidos pelos clientes que atende”, diz.
Estão disponíveis no espaço se a remuneração é variável ou fixa para cada classe de investimentos, mas o percentual efetivamente cobrado não é divulgado.
DANÇA DAS CADEIRAS
Fiscal na mira do mercado: BTG avalia cenário político e possíveis nomes para a Fazenda no Lula 4; confira
26 de outubro de 2026 - 19:43EXIGÊNCIAS MAIS RIGOROSAS
Banco Central aprova novas regras para ofertas de crédito e cria proteção contra o endividamento excessivo
24 de outubro de 2026 - 8:59CENÁRIO ELEITORAL
“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora
23 de outubro de 2026 - 15:56VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO
Minha Casa Minha Vida ou Casa Verde Amarela? Os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para o mercado imobiliário e a compra da casa própria
23 de outubro de 2026 - 7:09CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena acumula novamente e prêmio alcança R$ 230 milhões; 3 bolões com dezenas de pessoas dividem a Lotofácil
23 de outubro de 2026 - 5:47DISPUTA DE REGULADORES
Afinal, quem falhou no caso Banco Master? Ex-presidente da CVM aponta para o Banco Central
22 de outubro de 2026 - 18:45LUZES ACESAS
Volta ao presencial e ‘cheque gordo’ do Itaú (ITUB4) dão nova vida a escritórios de SP — mas nem todos os bairros ganham
22 de outubro de 2026 - 10:09Conteúdo Empiricus
Mercado de opções cresce 79% na B3 em 2026; confira como você também pode aproveitar oportunidades com esse tipo de operação na bolsa
22 de outubro de 2026 - 10:00PRECISA DE CONSERTO
Lotofácil, Quina e outras loterias acumulam e atenção se volta para prêmio de R$ 200 milhões em jogo na Mega-Sena
22 de outubro de 2026 - 5:53MAIS DINHEIRO NA MESA
Governo libera mais R$ 6,49 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA e por conflitos internacionais; veja quem pode acessar o crédito
21 de outubro de 2026 - 10:03NEM POR DECRETO
Mega-Sena acumula de novo e prêmio vai a R$ 200 milhões; Dia de Sorte aproveita para brilhar sozinha
21 de outubro de 2026 - 5:42FINANÇAS
Investimentos liberam mais limite nos cartões de crédito do BTG Pactual. Conheça os requisitos e benefícios das versões Gold, Platinum e Black
20 de outubro de 2026 - 16:00PRÉVIA DO RESULTADO
Receitas em alta e ações de lado: balanço da SpaceX (SPCX) finalmente decolou? Saiba o que esperar
20 de outubro de 2026 - 15:03DESTAQUE NA IMPRENSA
Repórteres do Seu Dinheiro são vencedoras do prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças
20 de outubro de 2026 - 14:58O MISTÉRIO CONTINUA
Universidade desembolsa R$ 4,5 milhões em nova etapa de busca por avião desaparecido de Amelia Earhart, mas encontra outra coisa
20 de outubro de 2026 - 14:02COMEÇOU BEM
Lotomania desencanta, paga R$ 14 milhões e ofusca prêmio milionário na Lotofácil; Mega-Sena acumulada promete R$ 185 milhões hoje
20 de outubro de 2026 - 5:55REAJUSTADO E ANTECIPADO
Governo antecipa pagamento do Bolsa Família reajustado a poucos dias do tira-teima entre Lula e Flávio Bolsonaro — e coloca a culpa no El Niño
19 de outubro de 2026 - 13:06ABRIU DISTÂNCIA