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O crescimento de 4,1% do setor na passagem de maio para junho ficou bem acima da mediana das estimativas dos analistas
A produção industrial brasileira voltou a crescer em junho após dois meses consecutivos de queda, impulsionada pela expansão dos bens de consumo duráveis no período, sobretudo automóveis.
O crescimento de 4,1% do setor na passagem de maio para junho ficou bem acima da mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de 2,5%.
O movimento reflete, em parte, os esforços de recuperação do Rio Grande do Sul, de acordo com economistas ouvidos pelo Broadcast.
De quebra, o desempenho marcou, pela série dessazonalizada do IBGE, a maior alta mensal para a indústria desde julho de 2020, quando houve expansão de 9,1% — em um contexto de recuperação dos primeiros choques da pandemia de covid-19.
Segundo o IBGE, o crescimento no mês ainda fez com que a produção industrial ultrapassasse em 2,8% o seu nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020.
Conforme divulgou o IBGE, a produção industrial de junho registrou variação positiva na margem em suas principais categorias econômicas:
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O gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, André Macedo, destacou o desempenho positivo disseminado do setor no mês, em particular dos bens de consumo duráveis.
Ele ressaltou a contribuição positiva da indústria automobilística no período, após o impacto das chuvas no Rio Grande do Sul sobre o segmento, em maio.
Segundo a Anfavea, associação que representa as montadoras do País, foram produzidas 211 mil unidades de veículos em junho.
O montante representa um crescimento de 26,6% em relação a maio, quando as enchentes no Rio Grande do Sul interromperam por 12 dias o funcionamento da fábrica da General Motors (GM) em Gravataí — onde é produzido o Onix — e prejudicaram o fornecimento de peças a montadoras de outras regiões.
Embora a recuperação do setor em junho não seja necessariamente surpreendente, o número de hoje reforçou a percepção de atividade ainda bastante aquecida no segundo trimestre do ano, de acordo com os analistas.
Em nota, o Bradesco destacou que a expansão da indústria em junho deve contribuir para um crescimento do PIB no segundo trimestre de magnitude semelhante à observada nos primeiros três meses do ano, quando a economia do País cresceu 0,8%, na comparação com o último trimestre de 2023.
O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio de Sousa Leal, elevou sua estimativa em tempo real para o PIB do segundo trimestre, de 0,5% para 0,9%, após incorporar na conta o resultado da produção industrial e outros indicadores de atividade no mês.
Ele avalia que, no saldo geral, o efeito das enchentes no Rio Grande do Sul sobre a produção industrial brasileira do segundo trimestre tende a ser nulo, "ou quiçá positivo", dado os esforços empreendidos para a recuperação do Estado.
A G5 estima crescimento de 2,3% no PIB no ano, mas o viés é de alta.
Para Helcio Takeda, economista da Pezco, o resultado acima do esperado da indústria em junho reforçou o viés de alta da sua estimativa para o crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre.
"Achamos que há uma possibilidade não desprezível do PIB do segundo trimestre surpreender para cima", ressalta.
"Se isso acontecer, é provável que o crescimento no terceiro e no quarto trimestre seja menor, puxado por essa tensão e aversão a risco, com dólar em alta e juros futuros pressionados", analisa o economista, que também projeta alta de 2,3% para o PIB do ano.
Um crescimento acima de 1,0% no PIB do segundo trimestre não seria uma surpresa, na avaliação do economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles.
Para além do número considerado forte da indústria em junho, ele cita que boa parte dos indicadores antecedentes têm apresentado dinâmica positiva no período, o que corrobora a análise de atividade ainda aquecida.
O C6 projeta hoje crescimento de 2,5% para o PIB em 2024, mas Salles reforça que uma alta na casa de 3,0% no ano "não pode ser descartada".
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