🔴 NOVA META: RENDA EXTRA DE ATÉ R$ 2 MIL POR DIA – SAIBA COMO

França e Reino Unido experimentam reviravoltas políticas, mas resultados geram situações bem distintas

Enquanto os trabalhistas obtiveram maioria folgada para governar no Reino Unido, a França flerta com a paralisia política

9 de julho de 2024
7:01 - atualizado às 7:07
Emmanuel Macron
O presidente da França, Emmanuel Macron, enfrente uma situação delicada. - Imagem: CC-BY-4.0 © European Union 2022 – Source EP

A recente eleição no Reino Unido resultou em uma mudança de governo esperada, encerrando 14 anos de liderança Conservadora e iniciando um novo período sob o comando do Partido Trabalhista.

Com uma ampla maioria no Parlamento, o Partido Trabalhista terá liberdade para implementar suas políticas sem muitos obstáculos.

Os trabalhistas conquistaram uma vitória esmagadora, assegurando 410 das 650 cadeiras na Câmara dos Comuns, um feito que não ocorria desde a vitória histórica de Tony Blair em 1997.

Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, assumiu o cargo de primeiro-ministro, substituindo Rishi Sunak.

Durante o último ano, Starmer focou em fortalecer os laços com a União Europeia (UE), colaborando estreitamente com Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.

Ele planeja estabelecer um pacto de segurança abrangente entre o Reino Unido e a UE, além de acordos bilaterais de defesa com a Alemanha e a França.

A longo prazo, Starmer visa a reintrodução de uma união com a UE, mesmo que não a nomeie formalmente dessa forma. Embora haja possíveis mudanças na política externa, espera-se que a política econômica do Reino Unido permaneça estável, devido à orientação centrista de Starmer.

Enquanto isso, a França vivenciou sua própria reviravolta política.

As eleições parlamentares resultaram em um parlamento sem maioria absoluta, o que surpreendeu muitos, especialmente diante da preocupação de que a Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, pudesse obter controle completo.

Contrariando as expectativas, a maior parte dos assentos foi para a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda.

O presidente Emmanuel Macron e seus aliados conseguiram impedir que o RN alcançasse a maioria, mas a França ainda enfrentará um período de paralisia governamental, uma vez que o partido de Macron ficou em segundo lugar, seguido pela RN em terceiro.

Esses resultados sugerem um ciclo político desafiador para ambos os países até as próximas eleições presidenciais.

Fonte: Bloomberg.

A Nova Frente Popular, uma coligação de esquerda, emergiu como a força dominante, conquistando 182 dos 577 assentos disponíveis.

A coalizão centrista Juntos, liderada pelo atual presidente Emmanuel Macron, ficou em segundo lugar, com 168 cadeiras, enquanto a extrema-direita, representada pela Reunião Nacional e seus aliados, obteve 143 assentos.

Apesar de o partido de Marine Le Pen ter recebido o maior número de votos individuais, a distribuição geográfica desses votos e as peculiaridades do sistema eleitoral francês de dois turnos relegaram o partido a uma decepcionante terceira posição.

Nos distritos onde nenhum candidato alcançou a maioria absoluta no primeiro turno, houve uma segunda votação, que frequentemente excluiu a extrema-direita devido a uma tática de retirada estratégica de mais de 200 candidatos das coligações de esquerda e centrista.

França flerta com paralisia política

Com a vitória da NFP, é provável que o próximo chefe de governo da França venha dessa coalizão, embora enfrente desafios consideráveis para implementar sua agenda governamental.

Como falei antes, a perspectiva de uma liderança fortemente inclinada à direita ou à esquerda era vista com preocupação pelos mercados financeiros, devido ao delicado quadro fiscal do país e ao risco de reversão das políticas pró-mercado anteriormente estabelecidas.

A coligação de esquerda Nova Frente Popular (NFP) propõe um plano fiscal audacioso, focado em aumentar tanto os gastos quanto as taxas de tributação.

O mercado, preocupado com essa perspectiva, teme que a eventual ascensão da NFP ao poder resulte em déficits governamentais mais amplos, agravando as já presentes preocupações sobre a sustentabilidade da dívida francesa.

Além disso, isso poderia intensificar as tensões com a União Europeia, que já alertou sobre o atual déficit fiscal francês de 5%, excedendo o limite de 3% estipulado pela UE.

No entanto, formar um governo que ofereça alguma estabilidade parece ser um desafio significativo. O cenário mais provável é que a França enfrente um período de paralisia política, tornando o país praticamente ingovernável nos próximos anos.

Projeções indicam que, até 2027, a relação dívida/PIB da França pode subir para 115%, em contraste com os 57,7% projetados para a Alemanha.

Fonte: WHG.

Um cenário mais favorável ao mercado poderia surgir de uma coalizão entre o partido de Macron e facções da Nova Frente Popular (NFP), excluindo os elementos mais radicais da França Insubmissa de Mélenchon.

A configuração mais viável parece ser um governo de esquerda sob a liderança de um socialista moderado.

Entretanto, tal governo provavelmente não teria longa duração e dificilmente conseguiria implementar uma política fiscal profundamente radical, o que pode ser um alívio para os mercados.

Qual é o cenário ideal para os mercados

O cenário ideal para os mercados seria a criação de um governo tecnocrata, semelhante à abordagem italiana de convocar Mario Monti e Mario Draghi após a dissolução de suas coalizões, seguido por novas eleições. Contudo, Macron não pode convocar novas eleições por 12 meses.

Existe também a possibilidade de Macron renunciar ao cargo, complicando ainda mais a situação. Um governo tecnocrata seria atípico na França e a renúncia de Macron parece improvável.

Além disso, a própria NFP é uma coalizão instável, com rivalidades internas intensas. Unificar esses grupos é desafiador, mas Macron pode tentar formar uma coalizão geral de centristas e esquerdistas para governar efetivamente, embora isso exija grandes concessões políticas.

Caso essa estratégia falhe, a França, portanto, adentra um período de instabilidade política profunda, que Marine Le Pen pode tentar explorar.

Nesse cenário, as diversas forças políticas – esquerda, direita e centro – enfrentarão dificuldades para alcançar consensos sobre questões cruciais nos próximos meses, exacerbando a insatisfação e ansiedade do eleitorado francês sobre temas como imigração, custo de vida, serviços públicos e o crescente déficit fiscal.

Assim, a França se encaminha para um prolongado período de paralisia governamental, que provavelmente persistirá até as eleições presidenciais de 2027.

  • Uma recomendação de investimento por dia é tudo que você precisa para começar a construir o seu patrimônio. E é justamente isso que o analista Matheus Spiess quer enviar no seu e-mail. Clique aqui para saber como receber.

Compartilhe

CRYPTO INSIGHTS

Tudo o que você precisa saber sobre os ETFs de Ethereum (ETH) que acabaram de ser lançados

23 de julho de 2024 - 17:36

Segue um dashboard da Bloomberg mostrando as gestoras que estão criando seus respectivos ETF´s de Ether, tickers, taxas, exchanges de negociação e custodiantes

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ibovespa fica a reboque do exterior antes dos balanços das big techs

23 de julho de 2024 - 8:02

Enquanto temporada de balanços ganha tração em meio a agenda fraca, Ibovespa se prepara para os resultados dos bancões

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Uma rotação setorial está em andamento — e ela conversa com o ‘Trump Trade’

23 de julho de 2024 - 6:37

Rotação setorial coincide com esgotamento da valorização das ‘big techs’ em Wall Street e inflação desacelerando nos EUA

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Erro de design na indústria de multimercados

22 de julho de 2024 - 20:03

O que aconteceu para os conhecedores de política monetária restritiva perderem tanto dinheiro no começo de 2024?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos fatos novos: Ibovespa reage a desistência de Biden e corte de juros na China

22 de julho de 2024 - 8:04

A bolsa brasileira tem pela frente uma agenda carregada, com os balanços da Vale e do Santander e o IPCA-15; lá fora, PCE é o destaque

Mande sua dúvida!

Meus pais fizeram dívidas no meu CPF e fiquei com o nome sujo; terei que processá-los?

20 de julho de 2024 - 8:00

Muitos pais usam o CPF dos filhos menores de idade indevidamente, mas isso pode configurar fraude! Veja o que a vítima deve fazer

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ibovespa repercute Orçamento congelado, privatização da Sabesp e pane em sistemas da Microsoft

19 de julho de 2024 - 8:17

Governo anuncia congelamento de R$ 15 milhões no Orçamento de 2024 em tentativa de cumprir meta fiscal

SEXTOU COM O RUY

Aumento de capital bilionário e aquisição de 4 usinas: o que isso significa para os acionistas da Eneva (ENEV3) e por que você deveria comprar as ações agora

19 de julho de 2024 - 6:07

Por 9x Valor da Firma/Ebitda, novos ativos entrando em operação e um cenário hidrológico que começou a ficar mais favorável, o papel é uma opção para a carteira

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Com Biden e Trump tão diferentes e tão iguais, Ibovespa começa o dia a reboque do exterior em dia de decisão do BCE

18 de julho de 2024 - 8:10

Ibovespa retomou caminho das altas ontem e hoje flerta com os 130 mil pontos; suspeitas de intervenção no iene pressionam moedas emergentes, inclusive o real

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Qual o real significado das séries invictas?

17 de julho de 2024 - 20:00

No futebol, ficamos tentados a avaliar o potencial preditivo das séries invictas, bem como de suas quebras

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Continuar e fechar