🔴 UM SALÁRIO MÍNIMO DE RENDA TODO O MÊS COM DIVIDENDOS? – DESCUBRA COMO

Felipe Miranda: Se você quer paz, prepare-se para a guerra

Economista acha que história e geopolítica não lhe pertencem, o que é obviamente um erro grotesco

15 de janeiro de 2024
20:15 - atualizado às 18:00
Financiamento da guerra
Imagem: Shutterstock

O sujeito sai do trabalho tarde da noite. Apressa-se em direção ao carro, parado no estacionamento em posição mais distante do acesso ao escritório. Está cansado e ansioso pelo merecido descanso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando se aproxima do veículo, percebe ter perdido sua chave. A iluminação no estacionamento é esparsa. Poucos postes para um pátio grande. Seu celular está sem bateria, impedindo o uso da própria lanterna.

Ele tem a mania de sempre checar os bolsos antes de deixar sua estação de trabalho. Sabe, portanto, que as chaves ainda estavam consigo antes de adentrar o estacionamento.

O sujeito tem o pátio inteiro para procurar a chave, mas rodeia obsessivamente perto dos poucos postes onde há iluminação.

A real probabilidade do entorno dos postes representar o lugar de “Achados & Perdidos” é mínima, mas é a única ferramenta de que dispõe.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Naquele escuro do restante da área, será impossível encontrar a chave. Ao martelo, tudo é prego.

Leia Também

Esse é um viés clássico das finanças comportamentais. Se não dispomos de ferramentas ideais para lidar com a realidade objetiva, adotamos outras imprecisas ou equivocadas de que dispomos.

Evidentemente, a realidade não vai se adequar aos nossos modelos mentais ou técnicas quase-científicas. Somos nós que deveríamos nos adaptar à realidade.

2024: juros e riscos geopolíticos

Se tivesse de caracterizar o ano de 2024 sob a ótica macro e sistêmica, apontaria dois grandes elementos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O primeiro se refere à perspectiva de corte de taxas de juro em âmbito global, o que deve implicar melhora do ambiente econômico e financeiro de maneira geral.

O segundo está ligado aos riscos geopolíticos, naquilo que a consultoria Eurasia vem chamando de “o ano das três guerras”, a saber: Rússia/Ucrânia, Israel/Hamas (com chances de proliferação pela região) e EUA contra si mesmo, numa eleição capaz de dividir o país.

Além das três guerras, há uma grande concentração de eleições pelo mundo.

Os economistas, analistas e gestores de investimentos são razoavelmente bons (embora se achem melhores do que realmente são) para calcular e dar preço ao primeiro ponto, mas são péssimos em relação ao segundo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Economia, história e geopolítica

Como Niall Ferguson gosta de dizer, economista acha que história e geopolítica não lhe pertencem, o que é obviamente um erro grotesco, porque essas coisas definem boa parte das relações econômico-financeiras – de forma bastante simples, pense como as coisas mudaram entre o impeachment de Dilma Rousseff e a eleição de Michel Temer.

Sabemos como uma queda das taxas de juro pode influenciar o múltiplo de determinada empresa ou diminuir-lhe suas despesas financeiras. Mas é um bocado mais difícil entender a cabeça de Vladimir Putin, Bashar Al-Assad ou Ebrahim Raisi. 

Conforme Luis Stuhlberger lembrou na ótima entrevista ao Valor, "O que a gente não controla são eleições, porque são ‘game changer’ [algo que muda o jogo], e a geopolítica. Agora há, particularmente, um cenário muito complexo de geopolítica, com várias frentes de risco no horizonte. (…) O desafio do desconhecido, todo evento geopolítico está ligado a uma tentativa, e nisso eu concordo com o Ray Dalio [fundador da Bridgewater], que fala muito sobre o suposto declínio do império americano. Então tem três frentes de risco. O primeiro é o que chama de Estados Unidos versus itself’, que é o debate fratricida entre republicanos e democratas que vai ter nessa eleição. O segundo é o desafio militar dos Estados Unidos de ter guerras longe, como o xerife do mundo, tal como no Oriente Médio, na Ucrânia, o Irã, a Coreia do Norte e a China. Se juntar tudo isso, existe um desafio. Os Estados Unidos, que são a reserva de moeda do mundo, com um fiscal horroroso.”

Consequência e riscos para o Brasil

Há uma consequência primeira desse jogo que, ao menos em termos relativos, pode ser positivo para o Brasil, no que a WHG, por exemplo, tem insistido: “mais do que um play de nearshoring, o Brasil volta a ser estratégico".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Somos um país neutro e um dos poucos capazes de conversar com os dois lados da Segunda Guerra Fria. Temos todo tipo de commodity.

Estamos entre os maiores produtores de grãos, minério de ferro e petróleo do mundo. Há um play global de mercados emergentes ex-China – e se um tantinho do fluxo estrangeiro que ia para a Ásia vier para cá, nos lembraremos de que a porta deste grande teatro chamado B3 é bastante estreita.

Temos uma posição de contas externas bastante privilegiada, com superávit da balança comercial flertando com US$ 100 bilhões – essa entrada de renda externa pode ajudar o fiscal e facilitar programas sociais, numa repetição menos intensa do observado no ciclo 2003-2007.

Ao mesmo tempo, a intensidade das questões geopolíticas representa um risco importante. A Ucrânia pode ser formalmente dividida em 2024, o que significaria um desrespeito formal às fronteiras definidas no ambiente pós-45.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Existe probabilidade significativa de que a guerra no Oriente Médio se espraie para além da questão estrita entre Israel e Hamas. E, se Trump voltar, sabe lá qual seria seu nível de revanchismo. 

Um porto-seguro nos investimentos

Se, portanto, podemos e em certo sentido devemos estar expostos ao kit Brasil, que deveria se beneficiar do contexto global e da queda da taxa de juros como poucos, o que pode ser hedge para essa história?

O ouro é o seguro clássico para recrudescimento das tensões políticas. Não está propriamente barato sob uma perspectiva histórica, mas serve bem para situações de guerras intensas e profundas, sobretudo se formos questionar a posição americana como xerife do mundo.

E uma alternativa é o próprio petróleo. Estamos dançando à beira do vulcão no Oriente Médio. Ainda que o fundamento estrito aponte para excesso de oferta da commodity e pressão baixista, uma restrição mais pronunciada da produção no Oriente Médio poderia pegar o mundo no contrapé.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há uma posição short enorme em petróleo e todos agora parecem pessimistas com a commodity, o que a torna um hedge razoavelmente barato.

Uma eventual disparada do óleo dificultaria o processo de desinflação global e, por conseguinte, restringiria o espaço para queda das taxas de juro, afetando as bolsas de maneira destacada.

Ou seja, é um hedge clássico no momento e que poderia salvar o ano no caso de uma catástrofe.

Um combo de ações de petroleiras brasileiras parece boa pedida. Ninguém gosta agora e é isso que faz dele algo tão interessante. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: O mercado realmente subestima a Selic?

26 de novembro de 2025 - 19:30

Dentro do arcabouço de metas de inflação, nosso Bacen dá mais cavalos de pau do que a média global. E o custo de se voltar atrás para um formulador de política monetária é quase que proibitivo. Logo, faz sentido para o mercado cobrar um seguro diante de viradas possíveis.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As projeções para a economia em 2026, inflação no Brasil e o que mais move os mercados hoje

26 de novembro de 2025 - 8:36

Seu Dinheiro mostra as projeções do Itaú para os juros, inflação e dólar para 2026; veja o que você precisa saber sobre a bolsa hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os planos e dividendos da Petrobras (PETR3), a guerra entre Rússia e Ucrânia, acordo entre Mercosul e UE e o que mais move o mercado

25 de novembro de 2025 - 8:20

Seu Dinheiro conversou com analistas para entender o que esperar do novo plano de investimentos da Petrobras; a bolsa brasileira também reflete notícias do cenário econômico internacional

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: O paradoxo do banqueiro central

24 de novembro de 2025 - 19:59

Se você é explicitamente “o menino de ouro” do presidente da República e próximo ao ministério da Fazenda, é natural desconfiar de sua eventual subserviência ao poder Executivo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Hapvida decepciona mais uma vez, dados da Europa e dos EUA e o que mais move a bolsa hoje

24 de novembro de 2025 - 7:58

Operadora de saúde enfrenta mais uma vez os mesmos problemas que a fizeram despencar na bolsa há mais dois anos; investidores aguardam discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE) e dados da economia dos EUA

BOMBOU NO SD

CDBs do Master, Oncoclínicas (ONCO3), o ‘terror dos vendidos’ e mais: as matérias mais lidas do Seu Dinheiro na semana

23 de novembro de 2025 - 17:13

Matéria sobre a exposição da Oncoclínicas aos CDBs do Banco Master foi a mais lida da semana; veja os destaques do SD

MERCADOS HOJE

A debandada da bolsa, pessimismo global e tarifas de Trump: veja o que move os mercados hoje

21 de novembro de 2025 - 9:27

Nos últimos anos, diversas empresas deixaram a B3; veja o que está por trás desse movimento e o que mais pode afetar o seu bolso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Planejamento, pé no chão e consciência de que a realidade pode ser dura são alguns dos requisitos mais importantes de quem quer ser dono da própria empresa

20 de novembro de 2025 - 8:36

Milhões de brasileiros sonham em abrir um negócio, mas especialistas alertam que a realidade envolve insegurança financeira, mais trabalho e falta de planejamento

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Fed já pode usar AI para cortar juros?

19 de novembro de 2025 - 20:00

Chegamos à situação contemporânea nos EUA em que o mercado de trabalho começa a dar sinais em prol de cortes nos juros, enquanto a inflação (acima da meta) sugere insistência no aperto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A nova estratégia dos FIIs para crescer, a espera pelo balanço da Nvidia e o que mais mexe com seu bolso hoje

19 de novembro de 2025 - 8:01

Para continuarem entregando bons retornos, os Fundos de Investimento Imobiliários adaptaram sua estratégia; veja se há riscos para o investidor comum. Balanço da Nvidia e dados de emprego dos EUA também movem os mercados hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O recado das eleições chilenas para o Brasil, prisão de dono e liquidação do Banco Master e o que mais move os mercados hoje

18 de novembro de 2025 - 8:29

Resultado do primeiro turno mostra que o Chile segue tendência de virada à direita já vista em outros países da América do Sul; BC decide liquidar o Banco Master, poucas horas depois que o banco recebeu uma proposta de compra da holding Fictor

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Eleição no Chile confirma a guinada política da América do Sul para a direita; o Brasil será o próximo?

18 de novembro de 2025 - 6:03

Após a vitória de Javier Milei na Argentina em 2023 e o avanço da direita na Bolívia em 2025, o Chile agora caminha para um segundo turno amplamente favorável ao campo conservador

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os CDBs que pagam acima da média, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje

17 de novembro de 2025 - 7:53

Quando o retorno é maior que a média, é hora de desconfiar dos riscos; investidores aguardam dados dos EUA para tentar entender qual será o caminho dos juros norte-americanos

VISÃO 360

Direita ou esquerda? No mundo dos negócios, escolha quem faz ‘jogo duplo’

16 de novembro de 2025 - 8:00

Apostar no negócio maduro ou investir em inovação? Entenda como resolver esse dilema dos negócios

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esse número pode indicar se é hora de investir na bolsa; Log corta dividendos e o que mais afeta seu bolso hoje

14 de novembro de 2025 - 8:24

Relação entre preço das ações e lucro está longe do histórico e indica que ainda há espaço para subir mais; veja o que analistas dizem sobre o momento atual da bolsa de valores brasileira

SEXTOU COM O RUY

Investir com emoção pode custar caro: o que os recordes do Ibovespa ensinam

14 de novembro de 2025 - 6:55

Se você quer saber se o Ibovespa tem espaço para continuar subindo mesmo perto das máximas, eu não apenas acredito nisso como entendo que podemos estar diante de uma grande janela de valorização da bolsa brasileira — mas isso não livra o investidor de armadilhas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Seca dos IPOs ainda vai continuar, fim do shutdown e o que mais movimenta a bolsa hoje

13 de novembro de 2025 - 7:57

Mesmo com Regime Fácil, empresas ainda podem demorar a listar ações na bolsa e devem optar por lançar dívidas corporativas; mercado deve reagir ao fim do maior shutdown da história dos EUA, à espera da divulgação de novos dados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Podemos resumir uma vida em uma imagem?

12 de novembro de 2025 - 19:54

Poucos dias atrás me deparei com um gráfico absolutamente pavoroso, e quase imediatamente meu cérebro fez a estranha conexão: “ora, mas essa imagem que você julga horripilante à primeira vista nada mais é do que a história da vida da Empiricus”

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Shutdown nos EUA e bolsa brasileira estão quebrando recordes diariamente, mas só um pode estar prestes a acabar; veja o que mais mexe com o seu bolso hoje

11 de novembro de 2025 - 8:28

Temporada de balanços, movimentos internacionais e eleições do ano que vem podem impulsionar ainda mais a bolsa brasileira, que está em rali histórico de valorizações; Isa Energia (ISAE4) quer melhorar eficiência antes de aumentar dividendos

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ibovespa imparável: até onde vai o rali da bolsa brasileira?

11 de novembro de 2025 - 7:28

No acumulado de 2025, o índice avança quase 30% em moeda local — e cerca de 50% em dólar. Esse desempenho é sustentado por três pilares centrais

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar