Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Erro de design na indústria de multimercados

O que aconteceu para os conhecedores de política monetária restritiva perderem tanto dinheiro no começo de 2024?

22 de julho de 2024
20:03 - atualizado às 12:28
bolsa brasileira ações ibovespa investimentos small caps
Imagem: Shutterstock

Poucas coisas são tão tóxicas quanto a pessoa que nunca erra. “Eu ganho. Nós empatamos. Vocês perdem.” Serve para empresários, líderes de equipe e gestores de portfólio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A etimologia de “autoridade" se relaciona ao particípio “augere”, de aumentar, aprimorar ou fazer crescer (a equipe, claro) – mas quem Faria isso na rua dos egos inflados? 

Na semana passada, ouvi uma longa explicação de um gestor de multimercados sobre o acerto dos brasileiros em 2023:

“A nossa indústria foi a grande vencedora daquele ano. Isso porque os brasileiros são calejados nessa história de inflação e conhecem muito bem a reação dos Bancos Centrais. Seria necessário subir bastante as taxas de juros. E, portanto, pudemos apostar na abertura das curvas de juro. O gringo estava tão desacostumado com inflação que nem lembrava como seria isso. Tínhamos uma vantagem competitiva clara."

No breve intervalo da palestra do meu interlocutor, que apenas fingia tratar aquela defecação de sapiência como um diálogo, aproveitei sua pausa para tomar fôlego e disparei: 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Mas o que aconteceu para esses mesmos conhecedores de política monetária restritiva perderem tanto dinheiro no começo de 2024?”

Leia Também

“Ai, daí foi azar. Acontece com todo mundo.”

Sorte, azar e investimentos

De fato, azar ou sorte desempenham papel determinante, inclusive no longo prazo, para separar vencedores de ganhadores no mercado financeiro (e em quase todas as outras áreas da vida).

Se Trump não tivesse virado o rosto por poucos graus… Se aquelas duas bolas na trave do Bahia ao final do jogo tivessem entrado… Se Hitler fosse mulher… E se você ainda não está convencido do argumento, lembre-se de que, se não fosse a mutação genética (um fenômeno 100% aleatório), ainda seríamos um ser unicelular sem complexidade e inteligência. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não é apenas que a aleatoriedade explica parte dos resultados, mas que tem a maior responsabilidade pelos desempenhos.

André Ramalho, zagueiro do Corinthians, tentou até identificar alguma força oculta para explicar as duas bolas no poste, algo como: “Esse tipo de coisa não é sorte. É resultado de muito trabalho.”

Ainda estou tentando entender como duas bolas na trave, cuja trajetória marginalmente diferente poderia ter resultado em gols, não são resultados da sorte.

Erros e acertos nos investimentos

Olha, nada contra a sorte. Ao contrário, prefiro a companhia da deusa Fortuna à de um inteligente azarado. “Sem sorte, você nem atravessa a rua.” Mas não pode ser competência no acerto e azar no erro. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O ponto principal aqui apontado para o ceticismo com a indústria se assenta em sua falta de rigor metodológico.

Quando a cota sobe, é acerto do gestor, sem espaço para sorte. Quando cai, aí é só azar mesmo, nada de erro ou incompetência. 

Fique claro: erros e acertos fazem parte do processo. Se você for um gestor macro de excelência, vai acertar 55% das vezes. Também não se trata de advocacia em causa própria. Para que não reste dúvida a esse respeito: erro todos os dias, várias e várias vezes, de maneira feia e intensa.

Mas faltam rigor epistemológico e honestidade intelectual com os resultados e as diligências. Essa é minha maior preocupação com o futuro da indústria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Diferentemente de interpretações mais usuais de que se trata apenas de uma conjuntura e de um ciclo ruim desse nicho, receio que, se não houver mudança, essa possa ser uma ruptura mais estrutural.

Como se diferenciar no mercado

Não confunda a afirmação com uma crítica à inteligência, à capacidade de análise ou ao comprometimento dos gestores e de seus times.

No geral, é gente extremamente competente e esperta, dedicada, formada nas melhores universidades do mundo, com muita experiência no que faz e potência de raciocínio.

Mas é dessa fortaleza que também emerge uma enorme dificuldade: se é todo mundo inteligente e dedicado, como se diferenciar? Como ter um edge em relação às outras 700 gestoras, que também só tem gente brilhante, genial e dedicada?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há alguns anos, até poderia haver vantagem informacional, seja no acesso à informação ou em seu tratamento e processamento. Hoje, não há.

O economista PhD por Stanford da gestora X sabe tanto quanto o PhD por Princeton da empresa Y. O modelo do Banco Central é conhecido de todo mundo, mas estão todos tentando acertar qual o nível da Selic na próxima reunião do Copom. Qual a chance de isso dar certo de maneira sistemática?

Em vez de assumirmos nossa incapacidade de penetrar o impermeável, andamos para trás.

Sem a vantagem informacional canônica, passamos a valorizar reuniões fechadas, em que se comenta uma coisa ou outra de forma desavisada e, falsamente, despretensiosa. A verdadeira análise perde importância frente ao Corporate access.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Todos os participantes de mercado são doadores de alpha para os participantes da versão dos “embargos auriculares” aplicados ao mercado financeiro. Institucionalizamos agora o insider trading, disfarçado pelo eufemismo no “quente e frio” com RIs, CFOs e CEOs.

Para além do mercado local

Outra saída típica: se ficamos muito grandes para o mercado local e não há mais tanto edge informacional, passemos a operar lá fora. Ótima ideia para maximizar os erros! 

Se estamos cometendo equívocos no nosso próprio quintal, por que passaremos a acertar no sudeste asiático? Se a concorrência aqui é grande, não seria ainda pior no exterior?

Na Sulamericana, o Corinthians pode até ter alguma chance mínima, mas seria uma vergonha jogar a Champions League.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Será que não saímos assim de nosso círculo de competência? Ou, ainda pior, estamos fechando os olhos para um grande style drift de boa parte da indústria?

  • Como proteger os seus investimentos: dólar e ouro são ativos “clássicos” para quem quer blindar o patrimônio da volatilidade do mercado. Mas, afinal, qual é a melhor forma de investir em cada um deles? Descubra aqui. 

A arquitetura dos processos de investimentos

Na história da Empiricus, trabalhei como um louco. Ainda trabalho arduamente.

Pudemos reunir aqui pessoas de muito talento, inteligentes e dedicadas. Tivemos também alguns raros momentos de iluminação.

Mas, sempre que perguntado, atribuo à sorte a maior responsabilidade pelo nosso crescimento. Se uma coisa ou outra tivessem sido marginalmente diferentes, essas linhas nem existiriam. Teríamos quebrado ou desistido. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Estou certo também de que, se investigássemos as trajetórias empresariais por aí, identificaríamos dinâmica semelhante, apesar da insistência de alguns empresários de autoatribuir-se uma coleção de superpoderes ou, ainda pior, invocarem uma intervenção divina em seu sucesso – quando vejo isso, sempre me pergunto: caramba, mas, entre bilhões de pessoas no mundo, por que Deus parou suas atividades para selecionar esse empreendedor para ser sucedido em detrimento do outro?

Aquela história do André Agassi quando ouviu Michael Chang dizendo que precisava agradecer a Deus pela sua vitória; ah, muito legal, então Deus preferiu Chang a Agassi! Quanta generosidade e justiça!

Será que os gestores também se dão conta de que muito de sua rentabilidade veio apenas de forças aleatórias? Será que uma grande habilidade não derivava apenas de arbitragem entre passivo e ativo?

A coisa está construída de maneira torta. Como o gestor precisa gerar alpha, ele é pago para discordar do mercado. Se você discorda do mercado, vai incorrer em volatilidade, claro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ocorre que, se tiver muita volatilidade, seu telefone vai tocar, com o alocador exigindo stopar aquela posição ou até mesmo já pedindo resgate. O cliente não tolera volatilidade.

Então, o gestor precisa discordar do mercado, mas só um pouquinho. Não pode discordar muito. Como resultado, quando o gestor acerta, dá CDI+2%. Quando erra, rende negativo. E, no final, todo mundo reclama disso. Ora, mas foi feito pra ser assim. É a arquitetura do processo.

Se você constrói algo para dar errado, olha, boas chances de dar errado.

 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia