O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Como um dilema proposto em 1950 nos ajuda a entender o que está acontecendo no Brasil
“Dilema do prisioneiro” é aquele tipo de equilíbrio de Nash (sim, do filme “Uma Mente Brilhante”) em que a falta de coordenação entre os envolvidos leva a um resultado pior frente ao que seria o ótimo social.
Se você já conhece o problema, pode pular os próximos três parágrafos.
Originalmente, o dilema foi proposto em 1950 por Merrill Flood e Melvin Dresher, apresentado assim:
Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença.
Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro.
A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir?
Leia Também
O melhor para os dois seria ambos negarem, claro. No entanto, movido pelo autointeresse e sem saber se o colega vai cooperar, um resultado típico costuma ser os dois delatarem, com medo de chegarem ao pior resultado para si.
“Delatar" é a chamada estratégia dominante para ambos os jogadores. Se "B" negar, a decisão de “A" deveria ser, pensando em si, mesmo, delatar (“A” sai livre, contra a alternativa de ser condenado a seis meses).
Já se “B” delatar, o melhor para “A" também seria delatar (“A" é condenado a cinco anos, contra a alternativa de pegar 10 anos). Vale o mesmo raciocínio para as decisões de “B”. Assim, chegamos ao resultado indesejável para os dois, mesmo com uma postura estritamente racional.
Há uma série de aplicações do Dilema do Prisioneiro e do tema mais geral de Teoria dos Jogos à Economia. A maior parte delas está centrada na Microeconomia e dinâmicas competitivas, mas não é só isso.
Paul Krugman, por exemplo, tem um artigo clássico sobre coordenação entre política fiscal e monetária na esfera macro. A melhor combinação possível entre as políticas seria um fiscal apertado, com um monetário frouxo.
Ocorre que, sem conseguir confiar na capacidade dos governos se manterem austeros diante do claro viés populista, costumamos morrer exatamente no oposto: uma política fiscal frouxa, que força um monetário apertado. Qualquer semelhança com o caso brasileiro não é mera coincidência.
É curioso como governos de esquerda costumam criticar os juros altos, mas acabam sendo seus principais causadores. O governo gasta mais e impõe uma trajetória não-convergente para a dívida pública. Investidores cobram mais juros para financiar o país.
As expectativas de inflação sobem com medo de o Banco Central perder a moeda. A política monetária se vê obrigada a reagir. Voltando à teoria dos jogos, é como se estivéssemos numa dinâmica de Stackelberg em que o Copom, embora seja quem define a Selic, apenas reage à escolha do líder.
Outra aplicação bem típica à Pindorama se verifica na reforma tributária. O melhor para todo mundo seria ninguém ter alíquota privilegiada.
Todos pagam o mesmo imposto, chegando a isonomia tributária, simplificação e eficiência produtiva. O capital não é alocado a partir de planejamentos tributários e não precisamos submeter o produto à Zona Franca de Manaus, enfrentando a logística do labirinto do Minotauro, para ter uma determinada isenção.
Mas sabemos que o setor X da economia, que é muito estratégico e tem efeitos sociais enormes, vai lá fazer seu lobby. Então, o setor Y também se motiva a fazer o mesmo. Em pouco tempo, todo o alfabeto, que gostaria de ter uma alíquota geral menor, está lá barganhando seu próprio benefício.
Assim se forma o país da meia-entrada. Uma porção enorme de setores fica com uma alíquota diferenciada. O resto da sociedade paga a conta. Morremos com a maior alíquota de IVA do mundo.
Tudo isso é conhecido, sem grandes novidades. Agora, porém, entra uma nova dinâmica em cena. Na teoria dos jogos, a prática é outra. No equilíbrio entre Executivo e Legislativo, encontramos um desastre para os verdadeiros liberais.
O governo teoricamente progressista perde todas as pautas de costumes, seja a PEC das Drogas, os vetos da saidinha ou a manutenção da decisão de Bolsonaro para a Lei de Segurança Nacional. Não há progressismo algum na agenda de costumes.
Ao mesmo tempo, observamos um governo deliberadamente reacionário na economia, tentando recuperar pautas de 20 anos atrás.
O problema não é exatamente que as ideias sejam velhas, mas que sejam velhas e ruins. Não deu certo antes e não há nenhuma evidência de que possam dar certo agora. Dizem que repetir o mesmo procedimento esperando um resultado diferente é uma das definições de loucura.
Vivemos um ambiente de contrarreforma ou de restauracionismo, em que buscamos voltar a um passado anterior à Lei das Estatais, menor independência do Banco Central, leis de conteúdo nacional para o setor petróleo, insistência obsessiva por refinarias como Abreu e Lima, nova tentativa de revitalizar a fracassada indústria naval.
Poderíamos chegar a uma espécie de ótimo social em que Paulo Guedes conduziria a economia e Haddad tocaria a pauta dos costumes. Estamos com o risco de ter Galípolo definindo boa parte da política econômica e Silas Malafaia pregando os costumes.
Reclamamos da polarização entre Lula e Bolsonaro, mas precisamos tomar cuidado com o que desejamos. Do jeito que as coisas vão, o reacionarismo do governo na economia e do Congresso nos costumes pode nos levar a um resultado ainda pior.
Com uma ala do PT cogitando outro candidato em 2026 e Bolsonaro impedido, podemos fugir da atual polarização para cair em outra, num grande embate entre primeiras damas.
Você já está preparado para Janja contra Michele? E para quem achar São Paulo mais avançada e “leading" para o restante do Brasil, conseguiremos conviver com o prefeito Pablo Marçal?
Bom, quem sabe assim possamos aprender a subitamente pilotar um helicóptero diante de uma pane no ar, nos preparar para um Ironman em cinco dias, lutar contra um rinoceronte. Estamos perdendo o senso do ridículo e, com ele, a esperança.
Este é um novo risco do Brasil: deixarmos até mesmo o título de país do futuro. Veja o que aconteceu com a Argentina quando a elite intelectual e empresarial desistiu de seu país.
Ainda há tempo de evitar o pior, com foco de curto prazo em encerrar a desancoragem das expectativas de inflação. Um primeiro passo importante seria Fazenda e BC voltarem a se falar diretamente.
Reclamar na imprensa que o outro só fala com o mercado não vai ajudar muito.
O ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos
Depois de quase cinco anos de seca de IPOs, 2026 pode ver esse cenário mudar, e algumas empresas já entraram com pedidos de abertura de capital
Esta é a segunda vez que me pergunto isso, mas agora é a Inteligência Artificial que me faz questionar de novo
São três meses exatos desde que Lando Norris confirmou-se campeão e garantiu à McLaren sua primeira temporada em 17 anos. Agora, a Fórmula 1 está de volta, com novas regras, mudanças no calendário e novidades no grid. Em 2026, a F1 terá carros menores e mais leves, novos modos de ultrapassagem e de impulso, além de novas formas de recarregar as […]
Ações das petroleiras subiram forte na bolsa nos últimos dias, ainda que, no começo do ano, o cenário para elas não fosse positivo; entenda por que ainda vale ter Petrobras e Prio na carteira
Para dividendos, preferimos a Petrobras que, com o empurrãozinho do petróleo, caminha para um dividend yield acima de 10%; já a Prio se enquadra mais em uma tese de crescimento (growth)
Confira o que esperar dos resultados do 4T25 da Petrobras, que serão divulgados hoje, e qual deve ser o retorno com dividendos da estatal
A concentração em tecnologia deixou lacunas nas carteiras — descubra como o ambiente geopolítico pode cobrar essa conta
A Ação do Mês busca chegar ao Novo Mercado e pode se tornar uma pagadora consistente — e robusta — de dividendos nos próximos anos; veja por que a Axia (AXIA3) é a escolhida
Veja como acompanhar a temporada de resultados das construtoras na bolsa de valores; PIB, guerra no Oriente Médio e Caged também afetam os mercados hoje
Mais do que tentar antecipar desfechos políticos específicos, o foco deve permanecer na gestão de risco e na diversificação, preservando uma parcela estratégica de proteção no portfólio
Em situações de conflito, fazer as malas para buscar um cenário mais tranquilo aparece como um anseio para muitas pessoas. O dinheiro estrangeiro, que inundou a B3 e levou o Ibovespa a patamares inéditos desde o começo do ano, tem data para carimbar o passaporte e ir embora do Brasil — e isso pode acontecer […]
Primeiro bimestre de 2026 foi intenso, mas enquanto Ibovespa subiu 18%, IFIX avançou apenas 3%; só que, com corte de juros à vista, é hora de começar a recompor posições em FIIs
Entre as cabines de primeira classe e os destinos impactados pelo excesso de visitantes, dois olhares sobre a indústria de viagens atual
Veja por que a Vivo (VIVT3) é vista como boa pagadora de dividendos, qual o tamanho da Bradsaúde e o que mais afeta o mercado hoje
Mesmo sendo considerada uma das ações mais “sem graça” da bolsa, a Vivo subiu 50% em 2025 e já se valoriza quase 30% em 2026
Mesmo com a perspectiva de queda nos juros, os spreads das debêntures continuam comprimidos, mas isso pode não refletir uma melhora nos fundamentos das empresas emissoras
Estudo histórico revela como o desempenho do mês de janeiro pode influenciar expectativas para o restante do ano no mercado brasileiro
Entenda o que as novas tarifas de exportação aos EUA significam para aliados e desafetos do governo norte-americano; entenda o que mais você precisa ler hoje
Antigos alvos da política comercial norte-americana acabam relativamente beneficiados, enquanto aliados tradicionais que haviam negociado condições mais favoráveis passam a arcar com custos adicionais