Rodolfo Amstalden: Banda fiscal no centro do palco é sinal de que o show começou
Sequestrada pela política fiscal, nossa política monetária desenvolveu laços emocionais profundos com seus captores, e acabou por assimilar e reproduzir alguns de seus traços mais viciosos

“Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou.”- Chico Buarque
Devidamente elucidativa a matéria do Valor, publicada no início da semana, acusando o mau uso da banda fiscal.

Em tese, a banda de resultado primário deveria servir para acomodar situações excepcionais, para o bem ou para o mal.
No entanto, a esta altura do campeonato, todos nós já entendemos que o piso da banda virou o centro da meta.
Ou seja, o Governo Lula só tem tomado medidas sérias de contingenciamento quando esbarra no limite inferior da margem de tolerância.
Leia Também
Naturalmente, isso afeta a credibilidade do pacto econômico chamado de “novo arcabouço fiscal”, e ameaça o próprio cumprimento do limite inferior, pois acabamos por replicar a lógica inerente de intervalo de confiança também para ele (todo piso contratual tem também o seu próprio piso estatístico).
Mas, infelizmente, essa não é a pior parte da história, pois da gestão fiscal brasileira nunca esperamos muito mesmo.
Sem COMPROMISSO com a REGRA FISCAL, o BRASIL não DESLANCHA
Quando a banda vira meta: o sequestro do monetário pelo fiscal
Conforme explicado na referida matéria, o conceito da banda fiscal provavelmente foi emprestado pela equipe de Haddad do regime de metas de inflação, que baliza os principais marcos de política monetária no mundo ocidental.
Aqui, porém, identificamos uma perigosa transferência de habitus no campo das políticas econômicas.
Sequestrada pela política fiscal, nossa política monetária desenvolveu laços emocionais profundos com seus captores, e acabou por assimilar e reproduzir alguns de seus traços mais viciosos.
Veja, isso tem pouco a ver com o conceito econômico de “dominância fiscal”, e muito mais a ver com um conceito social (teoria dos jogos) de dominância fiscal.
Conforme a cartilha, o jogo de cintura de um lado deveria ser compensado pela rigidez do outro lado. Porém, na prática, o custo proibitivo da rigidez acaba por ditar a mimese do jogo de cintura original.
Se não podemos jogar separados, vamos jogar juntos…
À medida que o tempo passa, o Copom parece brigar – sem sucesso – pelo teto da banda de inflação (proporcional ao piso da banda fiscal), criando assim uma nova banda tácita em cima desse teto.
Prova disso está nas leituras sucessivas do Focus, agora já denunciando 4,63% de IPCA esperado para este ano ( > 4,50%), e percentuais sistematicamente acima do centro da meta de 3,00% para 2025, 2026 e 2027.
Em defesa do Bacen, devo argumentar que não é verdade que a trajetória da inflação brasileira está desancorada; ela só está ancorada em um outro lugar, mais alto.
Gestão fiscal faz banda virar meta, e a gestão monetária também.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
As PMEs na disputa com gigantes no marketplace, o sobe e desce dos juros no Brasil e nos EUA e o que mais move os mercados
15 de setembro de 2026 - 8:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como os grandes investidores buscam ganhar com o trade eleitoral, o império de bolos de R$ 800 milhões, e a última pesquisa eleitoral: o que ler hoje
14 de setembro de 2026 - 8:06TRILHAS DE CARREIRA
O fim da carreira em 3 fases: por que a transição profissional está se tornando a norma no mercado
13 de setembro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como resolver briga por aluguel em uma fração do tempo e do custo, as oportunidades na bolsa de valores e o que mais agita o mercado hoje
11 de setembro de 2026 - 8:15SEXTOU COM O RUY
Ainda vale comprar ações? Histórico indica que a bolsa brasileira pode não estar tão cara quanto parece
11 de setembro de 2026 - 7:31O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como calcular o valor justo do IPTU ou ITBI, o futuro da Selic e a crise no STF: o que move os mercados hoje
10 de setembro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: De agora em diante, o trade eleitoral é com emoção
9 de setembro de 2026 - 19:55O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O retorno da Petz Cobasi (AUAU3), a crise no STF e o que mais movimenta os mercados hoje
9 de setembro de 2026 - 8:13O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Imposto sobre herança e doações pode ficar mais caro, payroll afeta juros nos EUA e qual o risco do IPCA +8%: os mercados hoje
8 de setembro de 2026 - 8:14INSIGHTS ASSIMÉTRICOS
O CPI virou o voto de Minerva do Fed: o que o dado pode revelar sobre os próximos passos dos juros nos EUA?
8 de setembro de 2026 - 8:13O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O Brasil pode dar calote na dívida, a agenda de inflação e o que mais mexe com seu bolso hoje
7 de setembro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O FII do mês com desconto e qualidade, as oportunidades de investimento em bancos, o caso Master no STF: o que ler hoje
4 de setembro de 2026 - 8:19SEXTOU COM O RUY
O cenário está cada vez mais difícil para os bancos, mas ainda existem boas oportunidades para investir
4 de setembro de 2026 - 7:02O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O back to basics na bolsa, o quebra-quebra corporativo e o que mais mexe com o mercado hoje
3 de setembro de 2026 - 8:18EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Quem está por cima, e quem está por baixo?
2 de setembro de 2026 - 20:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como a IA mexe com o futuro da Vale, a guerra no Oriente Médio e a relação entre Moraes e Vorcaro: o que mexe com seu bolso hoje
2 de setembro de 2026 - 8:06O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Internacionalização de negócios, pêndulo eleitoral e alta do petróleo: confira tudo o que agita os mercados hoje
1 de setembro de 2026 - 8:37DÉCIMO ANDAR