Ação com lucro sem sustos e ótimos dividendos? Sim, ela existe e deveria estar na sua carteira
A fase pesada de capex dessa empresa ficou para trás – o que, combinado com a redução do endividamento, deve culminar em um aumento na distribuição aos acionistas neste e nos próximos anos
Na última segunda-feira (29), quando eu já estava guardando minhas coisas para ir embora, um colega me perguntou: "E aí Ruy, tá indo para casa se preparar para os resultados da Vivo que vão sair hoje à noite?"
"Me preparar, como assim?", eu devolvi a pergunta, sem entender muito bem o que ele quis dizer com isso.
Ele então explicou: "Ah, se preparar mentalmente. Sempre dá uma ansiedade danada quando uma empresa está perto de divulgar o balanço. Eu fico atualizando o site a cada 10 segundos pra ver se o documento foi divulgado e saber logo como foi o trimestre."
Eu expliquei para ele que ia para casa fazer exercício, tomar um banho, comer… Só depois é que eu iria olhar o resultado da Vivo, mas ele não entendeu muito bem a minha calma, então eu continuei:
"Deixa eu te explicar: a Vivo não é essas tranqueiras que você analisa, que em um trimestre dá lucro, no outro dá prejuízo e você nunca sabe o que vai acontecer direito. A Vivo é um reloginho, os resultados crescem e ela ainda paga dividendos pra caramba. Eu não preciso ficar colado no site porque os números nunca trazem grandes surpresas".
Depois disso, peguei minhas coisas e fui embora para só quatro horas depois abrir o site da Vivo e apreciar mais um trimestre de crescimento de Ebitda e de lucro.
Leia Também
Empresas brasileiras fazem fila em Wall Street, e investidores aguardam dados dos EUA e do Brasil
Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão
A temporada de resultados seria bem menos estressante para analistas e para acionistas se só existissem empresas assim… Meu amigo que o diga.
- Elétrica “mais barata entre os seus pares” é uma das recomendações da carteira de dividendos do analista Ruy Hungria; veja o portfólio de ação completo gratuitamente
Sem sustos
A receita líquida móvel da Vivo cresceu +8,9% no trimestre, impulsionada pelo pós-pago que tem uma qualidade melhor e já representa 83% do segmento – essa boa expansão mostra que o ambiente competitivo segue mais racional após a saída da Oi. Assim como nos últimos trimestres, o churn (cancelamento) segue bastante controlado, abaixo de 1%.
A receita líquida fixa também cresceu, ajudada pela ótima expansão anual de +17% do segmento de fibra (FTTH) e de +8% nas vendas de serviços corporativos (B2B). No entanto, a receita total dos negócios fixos cresceu apenas +4% em relação ao 2T23, impactada pela contração de -15% dos negócios fixos legados (como voz e cabo), apesar de isso ser amplamente esperado pelo mercado.
No consolidado (móvel + fixo), a receita expandiu +7,4% ante o 2T23, para R$ 13,7 bilhões, em linha com as expectativas.
Com um bom controle de custos e despesas, o Ebitda também cresceu em um ritmo interessante (+7,3%, para R$ 5,45 bilhões). Mais interessante ainda foi o crescimento de 23% do fluxo de caixa livre, que chegou a R$ 3,1 bilhões, ajudado por investimentos um pouco menores e menos gastos com leasing. Esse é um dado relevante pois significa maior capacidade de pagar dividendos (falaremos sobre isso mais abaixo).
Por fim, o lucro líquido atingiu R$ 1,2 bilhão, com ótima expansão anual de +9%, ajudado pela alta do Ebitda.
- Leia também: “Caçadores de ação”: a empresa que ainda está fora do radar dos investidores, mas é por pouco tempo
A ação VIVT3 ainda pode pagar mais dividendos
Há um outro aspecto interessante relacionado aos dividendos. Nos últimos anos, após a aquisição de ativos da Oi, fortes investimentos em fibra e 5G, a Vivo precisou segurar um pouco a distribuição de dividendos.
Mas como você pode ver no gráfico abaixo, a fase pesada de capex ficou para trás, e os investimentos que antes representavam mais de 20% da receita, agora estão próximos de 17%. Isso representa uma "economia" de quase R$ 2 bilhões, o que combinado com a redução do endividamento devem culminar em um aumento dos dividendos neste e nos próximos anos.
Pensando nisso, a série Vacas Leiteiras mantém a ação VIVT3 na carteira, que segue bastante barata e conta com um dividend yield que tem potencial para se aproximar de 10% nos próximos anos considerando as recompras.
Se quiser conferir essa e todas as outras pagadoras de dividendos que compõem o rebanho, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a semana que vem.
Ruy
O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?
O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?
FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias
China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado
As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas
Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025
Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente
Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres
Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026
A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência
Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky
Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)
FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque
Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs
O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia
Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores
De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar
Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026
Tony Volpon: Uma economia global de opostos
De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026
Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa
A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais
O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje
O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora
A Vale brilhou em 2025, mas se o alerta dessas mineradoras estiver certo, VALE3 pode ser um dos destaques da década
Se as projeções da Rio Tinto estiverem corretas, a virada da década pode começar a mostrar uma mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda, e os preços do minério já parecem ter começado a precificar isso
As vantagens da holding familiar para organizar a herança, a inflação nos EUA e o que mais afeta os mercados hoje
Pagar menos impostos e dividir os bens ainda em vida são algumas vantagens de organizar o patrimônio em uma holding. E não é só para os ricaços: veja os custos, as diferenças e se faz sentido para você
Rodolfo Amstalden: De Flávio Day a Flávio Daily…
Mesmo com a rejeição elevada, muito maior que a dos pares eventuais, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem chance concreta de seguir em frente; nem todas as candidaturas são feitas para ganhar as eleições
Veja quanto o seu banco paga de imposto, que indicadores vão mexer com a bolsa e o que mais você precisa saber hoje
Assim como as pessoas físicas, os grandes bancos também têm mecanismos para diminuir a mordida do Leão. Confira na matéria
As lições do Chile para o Brasil, ata do Copom, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje
Chile, assim como a Argentina, vive mudanças políticas que podem servir de sinal para o que está por vir no Brasil. Mercado aguarda ata do Banco Central e dados de emprego nos EUA
Chile vira a página — o Brasil vai ler ou rasgar o livro?
Não por acaso, ganha força a leitura de que o Chile de 2025 antecipa, em diversos aspectos, o Brasil de 2026
Felipe Miranda: Uma visão de Brasil, por Daniel Goldberg
O fundador da Lumina Capital participou de um dos episódios de ‘Hello, Brasil!’ e faz um diagnóstico da realidade brasileira
Dividendos em 2026, empresas encrencadas e agenda da semana: veja tudo que mexe com seu bolso hoje
O Seu Dinheiro traz um levantamento do enorme volume de dividendos pagos pelas empresas neste ano e diz o que esperar para os proventos em 2026