O dólar já subiu 10% em 2024: essas são as 5 ações para lucrar com o real fraco, segundo o BTG Pactual
Os analistas também escolheram cinco papéis para ficar longe em meio à disparada da moeda norte-americana neste ano — duas aéreas integram essa lista

A tarde da última quarta-feira (12) foi intensa para quem investe na bolsa brasileira. Em meio à decisão de juros nos EUA e a falas do presidente Lula por aqui, o Ibovespa atingiu o menor patamar em um ano, enquanto o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,42.
Ainda que o cenário eleve a aversão ao risco dos investidores, a situação abriu uma oportunidade para quem quer lucrar com ações, na avaliação do BTG Pactual.
Nesta quinta-feira (13), a moeda norte-americana operou em leve queda, devolvendo parte dos ganhos da última sessão, mas ainda acumula valorização da ordem de 10% frente ao real em 2024.
Em meio ao enfraquecimento do real, que é pressionado ainda pelas preocupações com a questão fiscal do Brasil e pelos rendimentos elevados dos Treasurys nos EUA, o banco elegeu cinco ações negociadas na B3 para quem quer surfar esse ambiente.
As seleções dos analistas vão desde ações do setor de papel e celulose até petroleiras, empresas do agronegócio, varejistas e outras companhias ligadas ao consumo.
O BTG ainda lista cinco papéis para ficar longe em meio à disparada do dólar neste ano — e aqui vai um spoiler: duas aéreas integram essa lista.
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Ações de exportadoras e a alta do dólar
A começar pelas exportadoras brasileiras. Parte das vendas dessas companhias é realizada em dólar, enquanto a maior parcela de seus custos é em moeda local. Por isso, um real fraco normalmente é “super positivo” para as empresas de exportação, segundo os analistas.
As principais escolhas do BTG Pactual no segmento são as ações da Suzano (SUZB3) e da Vale (VALE3) — que possuem 100% das receitas em dólar, contra aproximadamente 35% e 60% dos custos em real, respectivamente.
Nesse sentido, outra boa pedida em exportação é a Klabin (KLBN11), de acordo com os economistas.
Do lado das petroleiras, empresas como a Petrobras (PETR4) — com receitas dolarizadas em 80% e custos em reais em 50% — e a Prio (PRIO3) — que chega a 100% das vendas em dólar e metade dos gastos em real — são as principais beneficiadas pela moeda local fraca.
A alta do dólar ainda deve impulsionar a Embraer (EMBR3), fabricante brasileira de aeronaves que hoje tem 93% das vendas negociadas em dólar, com 83% de custos em reais. Vale lembrar que os papéis lideram o ranking de maiores valorizações do Ibovespa em 2024.
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De olho no agro
As ações do agronegócio e as empresas ligadas ao segmento de alimentos também são potenciais vencedoras com o enfraquecimento do real, segundo o BTG.
Para os analistas, ainda que a maior parte dos produtos comercializados por essas companhias seja cotada em dólar, a produção desses itens é local.
Porém, é importante lembrar que grande parte dos custos também é dolarizada, já que as companhias possuem operações espalhadas pelo mundo.
“Ainda assim, a linha de resultados financeiros lastreados em real recebe um impulso, pois os ganhos em dólar são convertidos para a moeda local”, afirma o banco.
De olho neste cenário, o BTG escolheu as ações da SLC Agrícola (SLCE3), São Martinho (SMTO3) e Jalles Machado (JALL3) como as favoritas.
Um frigorífico também conquistou lugar nesta lista por possuir grande parte da receita em dólar: JBS (JBSS3).
As favoritas do BTG Pactual
Apesar de todas as ações citadas acima serem potencialmente beneficiadas pela alta do dólar, existem cinco papéis preferidos pelos analistas:
- Embraer (EMBR3)
- Klabin (KLBN11)
- Prio (PRIO3)
- JBS (JBSS3)
- SLC Agrícola (SLCE3)
Porém, o BTG avalia que a Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e Petrobras (PETR4) são outras opções interessantes em meio à desvalorização do real.
E quais ações ficam na berlinda em meio à disparada do dólar?
Para o BTG Pactual, as ações das companhias aéreas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) devem ser as mais penalizadas por um enfraquecimento do real.
Afinal, cerca de 80% das receitas dessas empresas são em moeda local, enquanto pelo menos metade dos custos são dolarizados, especialmente combustíveis.
Porém, uma empresa de alimentos também deve sofrer com o dólar alto: a M. Dias Branco (MDIA3).
Isso porque, segundo os analistas, a companhia vende quase todos os produtos localmente, mas tem 60% dos custos — principalmente ligados ao trigo — em dólar.
Além disso, algumas varejistas de vestuário, como Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Hering — esta sob o guarda-chuva do Grupo Soma (SOMA3) —, têm parte dos custos dolarizados e as margens podem sofrer com a valorização da moeda norte-americana.
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