Lajes corporativas: Se o Itaú está investindo, você também deveria?
Em meio à recuperação do mercado de lajes corporativas, o Itaú virou dono de um dos locais mais premiados da Faria Lima. Quando um grande player realiza esse tipo de operação, é uma boa sinalização sobre o setor
À medida que deixamos para trás os desafios enfrentados pela crise sanitária, o mercado de lajes corporativas começa a dar sinais de recuperação.
A notícia mais quente da semana foi a compra do Faria Lima 3500 pelo Itaú por um valor total de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Estamos falando de um expressivo valor por metro quadrado de R$ 64 mil.
O Itaú, que já ocupava o imóvel, passa a ser dono de um dos locais mais premiados da Faria Lima. Quando um grande player realiza esse tipo de operação, é uma boa sinalização sobre o setor.
Em termos operacionais, a melhora notada ao longo dos últimos 18 meses começou a se desenhar com a flexibilização das restrições de saúde pública e volta da normalidade nos escritórios no último ano.
Empresas que haviam adotado estratégias de trabalho remoto começaram a reconsiderar a importância do ambiente físico, retomando a procura por espaços nos empreendimentos.
Este cenário é visível na cidade de São Paulo, na qual notamos melhorias nos indicadores de mercado, tal como a absorção líquida, que encerrou o 4T23 no patamar de 136 mil metros quadrados, alongando a sequência de trimestres consecutivos no positivo. De acordo com a Buildings, a taxa de vacância de edifícios A+ finalizou o ano em 21,6%.
Leia Também
Região da Faria Lima segue na preferência
Entre as praças, a região da Faria Lima (Itaim Bibi / Vila Olímpia) segue dominante, com a taxa média de vacância em um dígito e o aluguel saltando para R$ 320/m2 em alguns imóveis.
Em geral, sigo com preferência por edifícios premium nessas regiões consolidadas, tendo em vista a sólida demanda por espaços, além de forte capacidade de retenção de locatários, fator que se mostrou fundamental nos últimos anos. Os fundos VBI Prime Properties (PVBI11) e CSHG Prime Offices (HGPO11) são bons exemplos disso.
Como estamos falando de praças com escassez de espaços disponíveis, notamos recentemente o escoamento de locações para regiões secundárias.
Este é o caso das avenidas Paulista e Berrini, que apresentaram dinâmicas interessantes em seus indicadores de ocupação e não possuem elevada atividade construtiva no momento, favorecendo a competitividade dos espaços vagos. Este pode ser um cenário interessante para captura de valor ao longo dos próximos anos.
Por fim, a região da Chucri Zaidan tem apresentado indicadores de absorção favoráveis. Mas ainda tenho uma visão cética sobre os imóveis da região, tendo em vista a elevada taxa de vacância (acima de 30%), aluguel abaixo da média e sua localização menos acessível.
Inclusive, entre os principais pólos corporativos da cidade de São Paulo, a Chucri Zaidan figura como a região com o maior estoque performado, de acordo com dados da Cushman & Wakefield.
Quando olhamos para a indústria de fundos imobiliários…
Nota-se que boa parte dos portfólios possui exposição às regiões citadas nos parágrafos acima. Portanto, há sinalizações positivas quanto ao aumento da ocupação no portfólio dos fundos imobiliários e sua capacidade de repassar preços.
Este cenário já impactou positivamente as cotas em 2023, alinhado ao movimento de queda da taxa de juros. Contudo, a composição de ativos é bem heterogênea quando tratamos dos FIIs de escritórios.
Enquanto alguns players estão bem posicionados em regiões tradicionais da capital paulista, temos estratégias concentradas em praças secundárias ou que ainda não demonstraram recuperação – Alphaville e Rio de Janeiro são alguns exemplos. Isso sem contar os desafios de endividamento de alguns fundos, que se alavancaram para adquirir imóveis nos últimos anos.
Com isso, por mais que o segmento de escritórios seja o mais descontado entre os tradicionais, há uma discrepância significativa entre os fundos da cesta, conforme ilustrado abaixo no indicador prêmio/desconto sobre cota patrimonial.
Em suma, mesmo com a perspectiva favorável, é muito importante estar atento ao perfil de portfólio e a estrutura de capital dos fundos.
Na minha visão, existem oportunidades pontuais no universo de escritórios, com capacidade de valorização de dois dígitos em 2024. Ao mesmo tempo, algumas estratégias oferecem uma relação risco vs retorno desfavorável, com possibilidade de perda de capital investido.
A opção premium dos escritórios
O VBI Prime Properties (PVBI11) é um legítimo FII de lajes corporativas premium, com um portfólio composto atualmente por seis imóveis, totalizando uma área bruta locável (ABL) de mais de 66 mil metros quadrados.
| Ativo | Cidade | ABL | Participação | Classificação | LEED |
| Park Tower | SP | 22.340 m2 | 100% | AAA | Gold |
| FL 4440 | SP | 11.056 m2 | 50% | AAA | Platinum |
| Union FL | SP | 5.042 m2 | 50% | AAA | Gold |
| Vila Olimpia Corporate | SP | 6.114 m² | 20% | AAA | Gold |
| The One | SP | 7.364 m | 71% | AA | Platinum |
| Vera Cruz II | SP | 7.202 m | 36% | AAA | Platinum |
Desde a última citação nesta coluna, houve algumas mudanças no portfólio do PVBI11. Mas as suas principais características permanecem: ativos premium (A+) e muito bem localizados.
Além disso, todos os edifícios performados contam com certificação LEED Gold ou Platinum, o que traz maior atratividade para o imóvel.
Em resumo, há pouco mais de um ano, a VBI aproveitou a melhora do cenário para ativos de risco e o momento de consolidação da indústria de FIIs para adotar um perfil mais ativo na gestão do portfólio. Destaco a aquisição de participações nas lajes do Vila Olímpia Corporate (VOC), The One e Vera Cruz II.
Em geral, as teses consistem na capacidade de elevação do valor real do aluguel (leasing spread) dos imóveis no decorrer do tempo.
Possivelmente já veremos elevações no preço de locação ao longo deste ano, diante da perspectiva mais sólida de melhora para o segmento de escritórios, em linha com a introdução desta coluna.
Vacância deve aumentar, mas...
Na parte comercial, o PVBI11 convive com uma taxa de vacância física de 9,5%, que possivelmente aumentará com a desocupação do The One e de 2,2 mil metros quadrados no Faria Lima 4440, programada para maio de 2024. Segundo a gestão, existem conversas para ocupação da área vaga do portfólio, especialmente no VOC.
Entre os motivos para a sua presença nesta edição, estão a alta qualidade dos ativos e suas respectivas localizações privilegiadas. Esses fatores devem contribuir para a elevação da ocupação e incremento dos valores de aluguel diante de um cenário positivo para o mercado de lajes corporativas.
O curtíssimo prazo pode registrar estagnação, mas há um potencial interessante nas cotas do fundo, que tem hoje um portfólio único para a categoria. Entendo que sua carteira deveria negociar a um valor por metro quadrado acima de R$ 30 mil.
Colocando os números na planilha (DFC), encontramos um valor justo de R$ 112,50 por cota do PVBI11, ou seja, um upside potencial de 8,5%. Este percentual, somado à expectativa de proventos para os próximos 12 meses, confere um potencial de retorno de 16% para o fundo durante o período.
Como citei anteriormente, o segmento de escritórios deve ressurgir nos próximos anos, mas a seleção deve ser bem criteriosa. O PVBI11 está entre as minhas preferências, mas tem um fundo específico que oferece uma oportunidade ainda mais atrativa para 2024.
Para saber minha principal recomendação no setor, recomendo acessar a série Renda Imobiliária da Empiricus. Aqui tem uma promoção especial para o primeiro mês de assinatura.
- Além de PVBI11: conheça outros 4 fundos imobiliários que Caio Araujo recomenda para surfar a onda de juros baixos investindo em FIIs com bom potencial de valorização + dividendos. O relatório gratuito está aqui.
Um abraço,
Caio
Bolsa nas alturas: Ibovespa fecha acima dos 158 mil pontos em novo recorde; dólar cai a R$ 5,3346
As bolsas nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia também encerraram a sessão desta quarta-feira (26) com ganhos; confira o que mexeu com os mercados
Hora de voltar para o Ibovespa? Estas ações estão ‘baratas’ e merecem sua atenção
No Touros e Ursos desta semana, a gestora da Fator Administração de Recursos, Isabel Lemos, apontou o caminho das pedras para quem quer dar uma chance para as empresas brasileiras listadas em bolsa
Vale (VALE3) patrocina alta do Ibovespa junto com expectativa de corte na Selic; dólar cai a R$ 5,3767
Os índices de Wall Street estenderam os ganhos da véspera, com os investidores atentos às declarações de dirigentes do Fed, em busca de pistas sobre a trajetória dos juros
Ibovespa avança e Nasdaq tem o melhor desempenho diário desde maio; saiba o que mexeu com a bolsa hoje
Entre as companhias listadas no Ibovespa, as ações cíclicas puxaram o tom positivo, em meio a forte queda da curva de juros brasileira
Maiores altas e maiores quedas do Ibovespa: mesmo com tombo de mais de 7% na sexta, CVC (CVCB3) teve um dos maiores ganhos da semana
Cogna liderou as maiores altas do índice, enquanto MBRF liderou as maiores quedas; veja o ranking completo e o balanço da bolsa na semana
JBS (JBSS3), Carrefour (CRFB3), dona do BK (ZAMP3): As empresas que já deixaram a bolsa de valores brasileira neste ano, e quais podem seguir o mesmo caminho
Além das compras feitas por empresas fechadas, recompras de ações e idas para o exterior também tiraram papéis da B3 nos últimos anos
A nova empresa de US$ 1 trilhão não tem nada a ver com IA: o segredo é um “Ozempic turbinado”
Com vendas explosivas de Mounjaro e Zepbound, Eli Lilly se torna a primeira empresa de saúde a valer US$ 1 trilhão
Maior queda do Ibovespa: por que as ações da CVC (CVCB3) caem mais de 7% na B3 — e como um dado dos EUA desencadeou isso
A combinação de dólar forte, dúvida sobre o corte de juros nos EUA e avanço dos juros futuros intensifica a pressão sobre companhia no pregão
Nem retirada das tarifas salva: Ibovespa recua e volta aos 154 mil pontos nesta sexta (21), com temor sobre juros nos EUA
Índice se ajusta à baixa dos índices de ações dos EUA durante o feriado e responde também à queda do petróleo no mercado internacional; entenda o que afeta a bolsa brasileira hoje
O erro de R$ 1,1 bilhão do Grupo Mateus (GMAT3) que custou o dobro para a varejista na bolsa de valores
A correção de mais de R$ 1,1 bilhão nos estoques expôs fragilidades antigas nos controles do Grupo Mateus, derrubou o valor de mercado da companhia e reacendeu dúvidas sobre a qualidade das informações contábeis da varejista
Debandada da B3: quando a onda de saída de empresas da bolsa de valores brasileira vai acabar?
Com OPAs e programas de recompras de ações, o número de empresas e papéis disponíveis na B3 diminuiu muito no último ano. Veja o que leva as empresas a saírem da bolsa, quando esse movimento deve acabar e quais os riscos para o investidor
Medo se espalha por Wall Street depois do relatório de emprego dos EUA e nem a “toda-poderosa” Nvidia conseguiu impedir
A criação de postos de trabalho nos EUA veio bem acima do esperado pelo mercado, o que reduz chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro; bolsas saem de alta generalizada para queda em uníssono
Depois do hiato causado pelo shutdown, Payroll de setembro vem acima das expectativas e reduz chances de corte de juros em dezembro
Os Estados Unidos (EUA) criaram 119 mil vagas de emprego em setembro, segundo o relatório de payroll divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Departamento do Trabalho
Sem medo de bolha? Nvidia (NVDC34) avança 5% e puxa Wall Street junto após resultados fortes — mas ainda há o que temer
Em pleno feriado da Consciência Negra, as bolsas lá fora vão de vento em poupa após a divulgação dos resultados da Nvidia no terceiro trimestre de 2025
Com R$ 480 milhões em CDBs do Master, Oncoclínicas (ONCO3) cai 24% na semana, apesar do aumento de capital bilionário
A companhia vive dias agitados na bolsa de valores, com reação ao balanço do terceiro trimestre, liquidação do Banco Master e aprovação da homologação do aumento de capital
Braskem (BRKM5) salta quase 10%, mas fecha com ganho de apenas 0,6%: o que explica o vai e vem das ações hoje?
Mercado reagiu a duas notícias importantes ao longo do dia, mas perdeu força no final do pregão
SPX reduz fatia na Hapvida (HAPV3) em meio a tombo de quase 50% das ações no ano
Gestora informa venda parcial da posição nas ações e mantém derivativos e operações de aluguel
Dividendos: Banco do Brasil (BBAS3) antecipa pagamento de R$ 261,6 milhões em JCP; descubra quem entra no bolo
Apesar de o BB ter terminado o terceiro trimestre com queda de 60% no lucro líquido ajustado, o banco não está deixando os acionistas passarem fome de proventos
Liquidação do Banco Master respinga no BGR B32 (BGRB11); entenda os impactos da crise no FII dono do “prédio da baleia” na Av. Faria Lima
O Banco Master, inquilino do único ativo presente no portfólio do FII, foi liquidado pelo Banco Central por conta de uma grave crise de liquidez
Janela de emissões de cotas pelos FIIs foi reaberta? O que representa o atual boom de ofertas e como escapar das ciladas
Especialistas da EQI Research, Suno Research e Nord Investimentos explicam como os cotistas podem fugir das armadilhas e aproveitar as oportunidades em meio ao boom das emissões de cotas dos fundos imobiliários