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EM HAVANA

Em Cuba, Lula defende ordem mundial justa e critica embargo ao país antes de viajar para encontro da ONU

A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprova todos os anos um texto denunciando os efeitos negativos da política americana e pedindo o fim do embargo

Presidente Lula, em viagem a Cuba
Presidente Lula, em viagem a Cuba - Imagem: Ricardo Stuckert / Agêcia Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu uma ordem mundial mais justa em relação aos países em desenvolvimento, diante dos debates sobre modelos de revolução digital e mudanças climáticas. Ele citou ainda uma responsabilidade diferente se comparada aos países ricos.

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Na avaliação do brasileiro, países do Sul Global têm condições de ocupar a "vanguarda da ciência, tecnologia e inovação" e, para isso, é preciso união.

"Precisamos voltar a agir juntos, porque juntos seremos fortes, como já fizemos no passado", declarou, durante discurso na Cúpula do G77 + China, realizada em Havana, Cuba, neste sábado. "Devemos forjar uma visão comum que leve em consideração as preocupações dos países de renda baixa e média e de outros grupos mais vulneráveis."

"O G77 foi fundamental para expor as anomalias do comércio global e para defender a construção de uma Nova Ordem Econômica Internacional", acrescentou Lula. "A governança mundial segue assimétrica. A ONU, o sistema Bretton Woods e a OMC estão perdendo credibilidade."

Na fala, Lula citou duas transformações em curso no mundo que, segundo ele, "não podem ser moldadas por um punhado de economias ricas, reeditando a relação de dependência entre centro e periferia".

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Em Cuba, Lula fala em painel científico para IA

A primeira é a revolução. O presidente brasileiro comentou que grandes multinacionais do setor de tecnologia possuem "modelo de negócios que acentua a concentração de riquezas, desrespeita leis trabalhistas e muitas vezes alimenta violações de direitos humanos e fomenta o extremismo".

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Para isso, Lula defendeu o estabelecimento de um painel científico para a inteligência artificial, mas desde que seja possível assegurar a participação de especialistas do mundo em desenvolvimento.

"O projeto de Diretrizes Globais para a Regulamentação de Plataformas Digitais da Unesco equilibra a liberdade de expressão e o acesso à informação com a necessidade de coibir a disseminação de conteúdos que contrariem a lei ou ameacem a democracia e os direitos humanos", defendeu.

A segunda transformação em curso é a transição energética. Ao falar sobre a promoção de uma industrialização sustentável, Lula destacou que países em desenvolvimento não têm "a mesma dívida histórica dos países ricos pelo aquecimento global".

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Brasil na presidência do G20

"O princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, permanece válido. É por isso que o financiamento climático tem de ser assegurado a todos os países em desenvolvimento, segundo suas necessidades e prioridades", comentou.

O presidente assegurou o compromisso de que, na presidência do G20, o Brasil irá propor a criação de um Grupo de Trabalho voltado à ciência, tecnologia e inovação para alavancar os interesses dos países em desenvolvimento nesses campos.

Lula contra o embargo de Cuba

Lula  defendeu a posição do Brasil contra o embargo dos Estados Unidos em relação a Cuba, classificando-o como ilegal. Para Lula, o país tem sido defensor de uma "governança global mais justa".

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"O Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral. Rechaçamos a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo", disse o presidente, durante a reunião deste sábado.

"Cuba tem sido defensora de uma governança global mais justa. E até hoje é vítima de um embargo econômico ilegal."

Denúncia contra o embargo

A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) — evento que o presidente irá discursar na abertura — aprova todos os anos um texto denunciando os efeitos negativos da política americana e pedindo o fim do embargo — a medida não tem, porém, efeito vinculante. O Brasil se posicionava a favor da resolução desde que foi apresentada pela primeira vez, em 1992.

Contudo, sob a presidência de Jair Bolsonaro, em 2019, o País se opôs à condenação, rompendo uma tradição diplomática de apoio à resolução pedindo o fim do bloqueio.

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No ano, apenas Estados Unidos, sob Donald Trump, e Israel votaram da mesma maneira que o Brasil.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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