Café com Presidente versão 2023: Lula vai ter podcast, mas com formato diferente de Bolsonaro
O petista não quer seguir os mesmos passos do antecessor, que usava lives semanais para se comunicar com a população

Nos primeiros mandatos como presidente, entre 2003 e 2010, Luiz Inácio Lula da Silva tinha um programa de rádio chamado Café com o Presidente. Passados 20 anos daquele início, o petista se modernizou e deve comandar em breve um podcast, ainda sem nome.
A ideia surgiu depois que a equipe de Lula desistiu das lives semanais — alguns ministros se colocaram contra porque consideraram o formato muito parecido com o que Jair Bolsonaro usava para se comunicar com a população.
De acordo com a colunista Vera Rosa, do Estadão, o plano é que Lula apresente seu cotidiano na presidência. Ministros, deputados, senadores e outros personagens serão os convidados para a conversa com o petista.
O podcast ainda não tem data para estrear, mas a intenção é que o programa semanal nas redes sociais seja lançado em formato de podcast antes de Lula completar 100 dias de governo.
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Enquanto o podcast de Lula não vem…
… O presidente vai se comunicando por carta mesmo. Nesta quarta-feira (22), Lula enviou uma delas à Unesco, defendendo formalmente a regulação das plataformas digitais para fortalecer a democracia e assegurar os direitos humanos contra a desinformação que circula nas redes sociais.
"Precisamos de equilíbrio. De um lado, é necessário garantir o exercício da liberdade de expressão individual, que é um direito humano fundamental. De outro lado, precisamos assegurar um direito coletivo: o direito de a sociedade receber informações confiáveis, e não a mentira e a desinformação", diz Lula.
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No fim desta publicação, vê pode ler a carta de Lula na íntegra.
A reunião com os ministros
O dia do presidente foi marcado pela reunião com os ministros para tratar da tragédia no litoral norte de São Paulo. De acordo com o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Goés, mais de R$ 7 milhões foram liberados pelo governo federal nesta quarta-feira (22) ao município de São Sebastião (SP), um dos mais afetados pelas chuvas torrenciais na região.
Os recursos poderão ser usados para compra de cestas básicas, kits de limpeza e de higiene pessoal, colchões, refeições, água mineral, combustível e aluguel de caminhão-pipa.
De acordo com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, serão atendidas mais de 73 mil pessoas. Os municípios que desejarem receber recursos devem enviar planos de trabalho.
Na segunda-feira (20), o governo federal reconheceu o estado de calamidade pública em seis municípios paulistas: São Sebastião, Caraguatatuba, Guarujá, Bertioga, Ilhabela e Ubatuba. No mesmo dia, Lula foi até São Sebastião, acompanhado de ministros.
Durante a visita, o presidente anunciou que haveria prioridade para a construção de moradias do Minha Casa, Minha Vida nos municípios atingidos.
A íntegra da carta de Lula à Unesco
À Sua Excelência a Senhora
Audrey Azoulay
Diretora-Geral da UNESCO
Senhora Diretora-Geral,
Gostaria de agradecê-la pelo convite para participar da Conferência Global da UNESCO que será realizada em Paris entre os dias 22 e 23 de fevereiro de 2023.
As plataformas digitais, em suas diferentes modalidades, são parte fundamental de nosso dia-a-dia. Elas definem a maneira como nos comunicamos, como nos relacionamos e como consumimos produtos e serviços. O desenvolvimento da internet trouxe resultados extraordinários para a economia global e para nossas sociedades. As plataformas ajudam a promover e difundir o conhecimento. Facilitam o comércio. Aumentam a produtividade. Ampliam a oferta de serviços e a circulação de informações.
Esses benefícios, no entanto, estão distribuídos de maneira desproporcional entre as pessoas de diferentes níveis de renda, ampliando a desigualdade social. O ambiente digital acarretou a concentração de mercado e de poder nas mãos de poucas empresas e países. Trouxe, também, riscos à democracia. Riscos à convivência civilizada entre as pessoas. Riscos à saúde pública. A disseminação de desinformação durante a pandemia contribuiu para milhares de mortes. Os discursos de ódio fazem vítimas todos os dias. E os mais atingidos são os setores mais vulneráveis de nossas sociedades.
O mundo todo testemunhou o ataque de extremistas às sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Brasil no último 8 de janeiro. Ao fim do dia, a democracia brasileira venceu e saiu ainda mais forte. Mas nunca deixaremos de nos indignar com as cenas de barbárie daquele domingo.
O que ocorreu naquele dia foi o ápice de uma campanha, iniciada muito antes, que usava, como munição, a mentira e a desinformação. E tinha, como alvos, a democracia e a credibilidade das instituições brasileiras. Em grande medida, essa campanha foi gestada, organizada e difundida por meio das diversas plataformas digitais e aplicativos de mensagens. Repetiu o mesmo método que já tinha gerado atos de violência em outros lugares do mundo. Isso tem que parar.
A comunidade internacional precisa, desde já, trabalhar para dar respostas efetivas a essa questão desafiadora de nosso tempo. Precisamos de equilíbrio. De um lado, é necessário garantir o exercício da liberdade de expressão individual, que é um direito humano fundamental. De outro lado, precisamos assegurar um direito coletivo: o direito de a sociedade receber informações confiáveis, e não a mentira e a desinformação.
Também não podemos permitir que a integridade de nossas democracias seja afetada pelas decisões de alguns poucos atores que hoje controlam as plataformas. A regulação deverá garantir o exercício de direitos individuais e coletivos. Deverá corrigir as distorções de um modelo de negócios que gera lucros explorando os dados pessoais dos usuários. Para ser eficiente, a regulação das plataformas deve ser elaborada com transparência e muita participação social. E no plano internacional deve ser coordenada multilateralmente. O processo lançado na UNESCO, tenho certeza, servirá para construção de um diálogo plural e transparente. Um processo que envolva governos, especialistas e sociedade civil.
Ao mesmo tempo, devemos trabalhar para reduzir o fosso digital e promover a autonomia dos países em desenvolvimento nessa área. Precisamos garantir o acesso à internet para todos, fomentar a educação e as habilidades necessárias para uma inserção ativa e consciente de nossos cidadãos no mundo digital. Países em desenvolvimento devem ser capazes de atuar de forma soberana na moderna economia de dados, como agentes e não apenas como exportadores de dados ou consumidores passivos dos conteúdos.
Esta conferência na UNESCO é o início de nosso debate, e não seu ponto final. Estou certo de que o Brasil poderá contribuir de forma significativa para a construção de um ambiente digital mais justo e equilibrado, baseado em estruturas de governança transparentes e democráticas.
Aproveito a oportunidade para apresentar os votos de minha mais alta estima e consideração.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República Federativa do Brasil
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