Nem tudo o que reluz é ouro? Metal precioso atinge cotação recorde no mercado à vista — e analistas acreditam que o preço vai continuar subindo
Tensões geopolíticas, queda dos juros nos EUA e tendência de baixa do dólar tendem a beneficiar o ouro nos próximos meses — e talvez anos

O ouro é a cor máxima dos recordes. Quando uma marca olímpica ou mundial é superada e leva a uma conquista ou um atleta ou time se sagra campeão, é a medalha de ouro que adorna o peito no alto do pódio. Hoje, porém, é o ouro que bate seus próprios recordes.
A cotação do ouro no mercado à vista superou a marca dos US$ 2.100 por onça-troy na madrugada desta segunda-feira (4).
Na máxima, o metal precioso bateu US$ 2.110,80. Na cotação atual do dólar, isso significa R$ 10.296,41 por meros 31,1 gramas de ouro.
Depois de estabelecer seu novo recorde, o ouro devolveu parte dos ganhos. No entanto, analistas de mercado acreditam que o metal deve permanecer dentro da faixa dos US$ 2.000 não só pelos próximos dias, mas também durante 2024.
Novos recordes para o ouro?
Já faz alguns meses que a alta do ouro vem chamando a atenção dos participantes do mercado.
E essa tendência de valorização é composta por uma trinca de fatores, segundo especialistas nesse mercado.
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O primeiro é a tensão geopolítica — e em especial a guerra entre Israel e o grupo islâmico Hamas.
Mas há fatores mais relevantes a sugerir uma tendência de valorização da commodity metálica no decorrer dos próximos meses.
O dólar vem perdendo força ante outras moedas fortes. E as flutuações do dólar e do ouro costumam ter correlação divergente. Quando um sobe, o outro cai.
Portanto, caso a tendência de enfraquecimento do dólar nos mercados internacionais de câmbio se confirme, a expectativa é de que o ouro tenha espaço para continuar subindo.
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O dólar, os juros e o ouro
O que dá ainda mais força para a análise de que o ouro possa alcançar novos recordes nos próximos meses é a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) dará início a um ciclo de corte de juros em algum momento do primeiro semestre de 2024.
Essa leitura vem ganhando espaço entre os investidores apesar dos alertas de dirigentes do Fed de que as pressões inflacionárias ainda não estão totalmente dissipadas.
De qualquer modo, a expectativa de corte nos juros norte-americanos tende a manter o dólar sob pressão — e, consequentemente, tornar o ouro ainda mais reluzente aos olhos dos investidores.
Ouro a US$ 2.200 em 2024?
“Os recuos esperados tanto no dólar quanto nas taxas de juros ao longo de 2024 são os principais propulsores do ouro”, disse o chefe de estratégia de mercados, economia global e pesquisa de mercados da UOB, Heng Koon How, citado pela CNBC.
Ele acredita que o preço à vista do metal pode chegar a US$ 2.200 até o fim de 2024.
Para Nicky Shiels, estrategista-chefe de commodities metálicas da MKS PAMP, o ouro não está tão alavancado quanto em momentos anteriores de valorização.
Com isso, ele teria chances reais de atingir a marca de US$ 2.200 por onça-troy em breve.
Alta pode ser influenciada por outros bancos centrais além do Fed
A perspectiva de alta do ouro ganha um reforço dos bancos centrais. E não é apenas por causa de um possível ciclo de alívio monetário por parte do Fed.
Outros BCs devem entrar em cena por meio da compra em larga escala do metal precioso.
Bart Melek, estrategista-chefe de commodities da TD Securities, considera que as compras de ouro pelos bancos centrais servirá como um catalisador de alta dos preços.
De acordo com uma sondagem recente do Conselho Mundial do Ouro, 24% de todos os bancos centrais ao redor do mundo pretendem aumentar suas reservas de ouro nos próximos 12 meses.
A justificativa apresentada pelos participantes da pesquisa é o pessimismo em relação às perspectivas do dólar como reserva de valor.
Na avaliação de Melek, isso significa uma demanda potencialmente maior pelo metal precioso por parte de governos de todo o mundo não apenas durante 2024, mas também pelos anos seguintes.
*Com informações da CNBC.
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