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Em bases cambiais neutras, o avanço da receita líquida do Mercado Livre no país teria sido ainda maior, de 36% na base anual
Muito se fala sobre o futuro do e-commerce no Brasil após a recuperação judicial da Americanas (AMER3): quem irá ocupar o vácuo da varejista, envolvida numa crise sem fim após a descoberta de um rombo contábil bilionário? O Mercado Livre (MELI34) é um dos candidatos — mas mostra que, mesmo sem esse efeito, está avançando pelo país.
Há pouco, a gigante latino-americana reportou seus resultados financeiros referentes aos três últimos meses de 2022. E, considerando os resultados do grupo como um todo, as cifras impressionam: a receita líquida chegou a US$ 3,3 bilhões, alta de 56,5% em relação ao mesmo período do ano passado, considerando uma base cambial neutra.
Se levado em conta o resultado nas moedas locais — o Mercado Livre atua com destaque no Brasil, na Argentina e no México —, o desempenho seria um pouco mais modesto: US$ 3 bilhões, um avanço de 40,9% em um ano.
Mas o que importa para nós, brasileiros, é o que o Mercado Livre fez no país entre outubro e dezembro do ano passado. E, por aqui, foi gerada pouco mais da metade da receita líquida, ou US$ 1,53 bilhão, ou um crescimento de 28% em relação ao quarto trimestre de 2021, considerando a performance em reais.
Mais que isso: também na nossa moeda, o volume vendido de mercadorias (GMV, na sigla em inglês) avançou 22% em um ano; se levarmos em conta a base cambial neutra, com todos os resultados locais dolarizados, a receita líquida do Brasil teria avançado 36%, enquanto o GMV teria se expandido em 29%.
E, vale lembrar: estamos falando do quarto trimestre de 2022 — portanto, um período anterior à eclosão da crise na Americanas.
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"No Brasil, esperamos que nossa maior 'sofisticação' sirva para atender clientes maiores e mais importantes no marketplace, enquanto os vendedores de porte pequeno e médio continuarão a direcionar o nosso crescimento e o ganho de participação de mercado", diz a empresa.
O próprio Mercado Livre ressalta que o quarto trimestre foi particularmente forte no segmento de comércio — a empresa também conta com um braço financeiro e outro de serviços diversos. Mas, considerando apenas a transação de mercadorias, o Brasil foi peça-chave.
Como já foi dito, o volume vendido de mercadorias no país cresceu 35% em reais, ou 22% em bases cambiais neutras — e, vale lembrar, o Brasil é o principal local de atuação do Mercado Livre.
"Nossa campanha de Black Friday no Brasil superou de maneira significativa o mercado mais fraco, e esse foi apenas um dos destaques de um ano de grandes ganhos de participação de mercado em várias categorias, o que foi consistente na maioria dos locais em que estamos", diz a companhia, que diz ter conseguido o resultado sem ter uma "bala de prata" — investimentos e execução estratégica são apontados como os responsáveis pelo desempenho.
Outro destaque da operação brasileira foi o Mercado Envios, ramo de logística da companhia; o país viu um aumento sequencial em sua adoção ao longo do ano, o que fez com que o seu nível de penetração chegasse a perto de 40%.
Quanto às atividades da área de fintech, o Mercado Livre diz que o uso de cartões de crédito no Brasil e no México terá um papel importante; ao longo do segundo semestre, a empresa diz ter visto uma melhora significativa do negócio de cartões, após uma desaceleração nas emissões na primeira metade do ano.
Também em comunicado, o Mercado Livre se diz confiante no potencial de crescimento nos próximos anos, mesmo após uma série de dificuldades macroeconômicas nas regiões em que atua no curto prazo — a empresa afirma que continuará desenvolvendo tecnologias para ter uma vantagem competitiva na América Latina
"No curto prazo, estamos operando num cenário bastante competitivo e de rápida mutação no Brasil", diz o Mercado Livre, no que parece ser uma menção à questão da Americanas "Nossos times, como sempre, estiveram ativos para garantir que a companhia está posicionada como um lar natural para os consumidores e vendedores".
Independente dos resultados no Brasil, os investidores gostaram do que viram no balanço do Mercado Livre: no after market em Nova York — uma espécie de prorrogação da sessão regular —, as ações MELI operam em forte alta de 5,43%, a US$ 1.198,00.
No Brasil, onde o mercado está fechado, os BDRs MELI34 terminaram o pregão desta quinta-feira (23) com ganhos de 5,46%, a R$ 51,22.
E boa parte dessa reação positiva vista em Wall Street se deve às outras linhas do balanço consolidado do Mercado Livre no quarto trimestre: em moedas locais, o lucro bruto foi de US$ 1,46 bilhão, alta de 70% em relação ao mesmo período do ano passado.
O lucro líquido, por sua vez, chegou a US$ 165 milhões; entre outubro e dezembro de 2021, houve prejuízo de US$ 46 milhões; com isso, o lucro por ação (LPA) foi de US$ 3,25 no quarto trimestre de 2022, ante um prejuízo de US$ 0,92 por papel há um ano.
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A produção superou em 0,5 ponto porcentual o limite do guidance da estatal, que previa crescimento de até 4%. O volume representa alta de 11% em relação a 2024.
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