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Divulgação de resultados dos grandes bancos começa na terça-feira (25), com o Santander
A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2023 deve marcar uma nova oposição entre os maiores bancos do País. De um lado, Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú Unibanco (ITUB4). Do outro, Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4).
No primeiro pelotão, BB e Itaú devem esbanjar lucros vultosos, inadimplência controlada e a melhor rentabilidade do mercado. Já Santander e Bradesco tentam dar a volta por cima, mas ainda devem mostrar queda expressiva nos números.
Aliás, chama a atenção a disparidade das projeções do mercado para os dois maiores bancos privados do país. Se a previsão se confirmar, o lucro do Itaú no primeiro trimestre deve ser mais que o dobro do Bradesco, seu maior concorrente histórico.
Bradesco e Santander já haviam ficado para trás de BB e Itaú ao longo do ano passado, mas o episódio Americanas acabou por ampliar essa distância.
Por falar na varejista, seu pedido de recuperação judicial no começo de janeiro parece ter sido o estopim que revelou as dificuldades financeiras de várias outras companhias, como Oi (OIBR3), Light (LIGT3), Marisa (AMAR3) e Grupo Petrópolis, para citar alguns notáveis no primeiro trimestre.
Em meio à quebradeira das empresas, a concessão de crédito, que já estava contida, se retraiu ainda mais, com os bancos adotando uma postura mais criteriosa.
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O governo Lula não demorou em culpar a alta taxa de juros no país pela crise de crédito e entrou numa batalha direta com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Em março, houve até uma tentativa de reduzir juros na canetada, quando o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) arbitrariamente cortou o teto dos juros cobrados no consignado do INSS.
Depois de os bancos reagirem parando de oferecer o produto, o CNPS recuou parcialmente da decisão e algumas instituições retomaram a modalidade.
Como deu para perceber, não foi um trimestre tranquilo para quem concede crédito no Brasil. E o mês de abril já teve sua cota de polêmicas, com o Ministério da Fazenda revelando a intenção de reduzir os juros cobrados no rotativo, a linha de crédito mais cara do sistema financeiro do Brasil, com potencial de afetar os balanços dos bancos.
Esse pano de fundo deve se refletir na deterioração da inadimplência das empresas, ainda que em ritmo mais lento do que o das pessoas físicas vinha mostrando nas últimas divulgações. A inadimplência destas, por sua vez, deve ficar relativamente estável.
Vale destacar que o principal índice de inadimplência calculado pelos bancos considera as dívidas vencidas há mais de 90 dias. Portanto, ainda não será contabilizada a crise da Americanas. Mas provavelmente já será possível observar um efeito no índice que calcula as dívidas vencidas entre 15 e 90 dias.
Mesmo assim, os bancos que provisionaram 100% da sua exposição à varejista — isto é, Itaú e Bradesco, podem respirar aliviados. Já o Santander, o segundo maior credor da Americanas, provisionou apenas 30% da sua exposição de R$ 3,6 bilhões à companhia nos resultados do quarto trimestre de 2022 e deve registrar mais um balanço ruim.
E é justamente a unidade brasileira do banco espanhol que puxa a fila da divulgação de resultados dos bancos no 1T23 a partir de terça-feira (25), antes da abertura do mercado. Saiba o que os analistas esperam:
A unidade brasileira do Santander deve apresentar resultados aquém de seus pares mais uma vez, segundo os analistas.
A expectativa é de que os números ainda reflitam o impacto do aumento das provisões e também do encolhimento da margem financeira com o mercado (NII), ou seja, o resultado da tesouraria.
No ano passado, as despesas com provisões no Santander dispararam 55,9%, afetadas, principalmente, pelo caso Americanas.
Além disso, a tesouraria do Santander encerrou o ano de 2022 com uma perda de R$ 4,2 bilhões com posições que deram prejuízo em meio à alta da taxa Selic.
Para os analistas do Safra, esses dois fatores devem levar a uma nova queda do lucro líquido. Nas projeções para os resultados do Santander, os analistas incluíram provisão adicional por conta da Americanas e estimaram queda de 51% do lucro no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2022.
Já a XP espera aumento de dois dígitos na carteira de crédito, mas a tesouraria deve continuar com resultado negativo devido à menor receita de atividades de mercado.
Tudo isso deve afetar a rentabilidade do Santander, que provavelmente verá novo recuo do índice de retorno sobre o patrimônio (ROE).
Confira as recomendações para a ação do Santander que tivemos acesso:
| ANALISTA | RECOMENDAÇÃO SANB11 | PREÇO-ALVO |
| GOLDMAN SACHS | VENDA | R$ 25 |
| BTG PACTUAL | VENDA | R$ 26 |
| ITAÚ BBA | VENDA | R$ 27 |
| JP MORGAN | NEUTRO | R$ 28 |
| XP | NEUTRO | R$ 34 |
| SAFRA | NEUTRO | R$ 35 |
Depois de provisionar 100% do crédito cedido à Americanas no balanço do quarto trimestre de 2022, o Bradesco pode encarar os resultados deste ano sem se preocupar com os danos causados pela varejista ao seu balanço.
Isso custou uma queda de 76% do lucro líquido no quarto trimestre de 2022, que atingiu R$ 1,595 bilhão. Assim, o resultado de janeiro até março deste ano deve mostrar alguma melhora, vindo de uma base muito baixa.
Mas, na comparação com o mesmo período de 2022, quando ainda não havia efeito Americanas, o mercado estima queda de 45% do lucro. Isto porque ainda se espera que haja nova piora da inadimplência, o que deve elevar mais uma vez as provisões do banco.
Na divulgação de resultados passada, o CEO do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, disse que o crescimento das provisões para os clientes de varejo em 2023 acompanharia a expansão da carteira de crédito.
Como visto ao longo de 2022, a distância entre os papéis do Bradesco e do Itaú na bolsa se acentuou e deve permanecer dessa forma neste ano.
No final do ano passado, o Seu Dinheiro publicou uma reportagem questionando se o Bradesco havia se atrasado para pegar o bonde da transformação digital. Você pode ler aqui. Recentemente, o banco anunciou uma reestruturação no negócio de varejo e na área digital.
Confira as recomendações para a ação do Bradesco:
| ANALISTA | RECOMENDAÇÃO BBDC4 | PREÇO-ALVO |
| GOLDMAN SACHS | NEUTRO | R$ 14 |
| ITAÚ BBA | VENDA | R$ 14 |
| SANTANDER | VENDA | R$ 14 |
| BTG PACTUAL | NEUTRO | R$ 16 |
| XP | NEUTRO | R$ 18 |
| SAFRA | NEUTRO | R$ 19 |
| JP MORGAN | COMPRA | R$ 19 |
Um dos preferidos dos analistas, o Itaú deve reportar mais um balanço forte no primeiro trimestre deste ano.
O banco chefiado por Milton Maluhy provisionou 100% da sua exposição à Americanas no quarto trimestre, mas o impacto disso nas suas contas foi bem menor que no Bradesco devido ao tamanho do crédito concedido à varejista.
Para este início de ano, além do banco estar livre dos efeitos colaterais da Americanas, a expectativa positiva para o resultado do Itaú vem da melhor qualidade dos ativos e de uma gestão de tesouraria mais favorável.
Em 2022, o resultado da tesouraria dos principais concorrentes privados foi afetado pela Selic em patamares elevados, mas o Itaú conseguiu ficar no azul, ao contrário de seus pares.
A inadimplência deve se deteriorar de maneira controlada, como vem acontecendo nos últimos trimestres, ao passo que o índice de cobertura deve se manter estável.
Ao lado do Banco do Brasil, a ação do Itaú é a que conta com mais recomendações de compra. Confira:
| ANALISTA | RECOMENDAÇÃO ITUB4 | PREÇO-ALVO |
| GOLDMAN SACHS | COMPRA | R$ 31 |
| JP MORGAN | COMPRA | R$ 32 |
| SAFRA | COMPRA | R$ 34 |
| XP | COMPRA | R$ 34 |
| BTG PACTUAL | COMPRA | R$ 35 |
Ainda que muitos investidores não gostem de comprar ações de empresas estatais, o Banco do Brasil se tornou uma recomendação tão unânime que é impossível passar batido.
O BB impressionou o mercado ao reportar lucro de R$ 9,039 bilhões no quarto trimestre de 2022, um recorde na história do banco. E o resultado veio mesmo com o provisionamento da exposição do BB ao caso Americanas.
Mas vale lembrar que o banco optou por provisionar apenas metade do crédito, na confiança de que conseguirá recuperar o investimento.
No primeiro trimestre deste ano, o BB pagou mais de R$ 1 bilhão em juros sobre o capital próprio aos acionistas, o que ajuda a reforçar a tese de investimento no banco. Mas a dúvida sobre como será a direção do banco no novo governo ainda é válida para deixar alguns com o pé atrás na hora de comprar papéis do BB.
Por enquanto, os sinais que a nova CEO, Tarciana Medeiros, enviou ao mercado são de continuidade da gestão anterior.
A promessa da nova administração é de que o atual modelo de negócios será preservado, mas o presidente Lula já criticou essa postura e defendeu que os bancos públicos emprestem dinheiro com juros mais baixos que os praticados pelo mercado.
Seja como for, para o primeiro trimestre os analistas esperam uma redução do lucro do Banco do Brasil na comparação com o trimestre anterior, mas uma melhora de 27% em relação ao mesmo período de 2022.
O mix de carteira do BB, bastante focado no financiamento ao agronegócio, é o diferencial para a instituição se manter no atual patamar de baixíssima inadimplência e boas margens.
A expectativa é de que o banco continue com níveis de rentabilidade acima dos pares privados, o que torna o BB a principal escolha de muitos analistas do setor bancário. Confira as recomendações para os papéis:
| ANALISTA | RECOMENDAÇÃO BBAS3 | PREÇO-ALVO |
| ITAÚ BBA | COMPRA | R$ 48 |
| GOLDMAN SACHS | COMPRA | R$ 50 |
| BTG PACTUAL | COMPRA | R$ 56 |
| SAFRA | COMPRA | R$ 58 |
| XP | COMPRA | R$ 61 |
| SANTANDER | COMPRA | R$ 62 |
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