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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Mais um

Americanas (AMER3): sobe para quatro o número de processos abertos na CVM para investigar a empresa

Em vias de pedir recuperação judicial, Americanas também vem sendo investigada pelo xerife do mercado de capitais pelas suas inconsistências contábeis

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
16 de janeiro de 2023
19:37
Fachada de unidade da rede Lojas Americanas Express (AMER3 LAME3 LAME4), na Avenida Paulista, região central de São Paulo
Fachada de unidade da rede Lojas Americanas Express, na Avenida Paulista, região central de São Paulo. - Imagem: Estadão Conteúdo/Itaci Batista

Mais um processo foi aberto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta segunda-feira (16) para investigar a Americanas (AMER3) após a companhia divulgar, na semana passada, uma inconsistência contábil estimada em R$ 20 bilhões em seus balanços, que podem elevar a sua dívida para R$ 40 bilhões.

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Agora, a xerife do mercado de capitais tem quatro processos abertos para investigar a varejista, que pode vir a pedir recuperação judicial num futuro próximo.

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A Americanas conseguiu, na Justiça do Rio, uma tutela de urgência cautelar que a protege de ter suas dívidas executadas por credores em razão da divulgação do rombo bilionário, o que é considerado uma preparação para um pedido de RJ.

Um dos processos na CVM tem como partes interessadas, além das próprias Americanas, a Associação Brasileira de Investidores (Abradin), a PwC, empresa responsável por auditar as demonstrações financeiras da varejista, e a B3, operadora da bolsa de valores brasileira.

Relembre o imbróglio envolvendo a Americanas (AMER3)

A revelação da inconsistência contábil nos balanços das Americanas no último dia 11, junto com a divulgação da saída do então CEO, Sergio Rial, e do CFO e diretor de relações com investidores, André Covre, derrubou as ações AMER3 em mais de 70% no dia seguinte. De lá para cá, os papéis já derreteram 83%.

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A oscilação foi forte também entre os títulos de dívida da empresa no mercado de debêntures. O evento, assim, machucou tanto os sócios quanto os credores da companhia.

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Agora, o mercado - sobretudo os bancos credores - esperam que os acionistas de referência - o trio de empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira - façam um aporte bilionário na companhia.

Há quem também já esteja recorrendo à Justiça para receber o que deve. Com as correções no balanço, a Americanas certamente terá seus indicadores de liquidez e endividamento bagunçados, condição que normalmente consiste em quebra de contrato em financiamentos, dando ao credor o direito de executar a dívida.

O BTG é um desses credores, que já entrou na Justiça pelo direito de manter o pagamento efetuado pela companhia a uma dívida de R$ 1,2 bilhão, que venceu antecipadamente em razão da divulgação do rombo. O referido pagamento corre o risco de ser desfeito pela tutela obtida pela companhia.

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