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Com rali de fim de ano, Ibovespa teve melhor desempenho anual desde 2019, mas as primeiras colocações ficaram com a criptomoeda e com alguns títulos públicos; veja o ranking completo
Os mercados financeiros tradicionais encerraram suas atividades na última quinta-feira (28), o que já nos permite fechar o ranking dos melhores investimentos de 2023. E as rentabilidades dos ativos locais ao longo do ano refletiram o otimismo não só em relação à economia brasileira como também com as perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos.
Como já era de se esperar, o campeão do ano foi o bitcoin, que até o fim do dia de ontem acumulava uma alta (em reais) de cerca de 136% no ano, uma verdadeira reversão do movimento visto em 2022, quando a criptomoeda foi o pior investimento do ano, com baixa de mais de 65%.
O BTC termina 2023 na faixa dos US$ 42 mil (alta de mais de 150% na moeda americana), o equivalente a cerca de R$ 206 mil.
O restante do pódio, com seus distantes segundo e terceiro lugares, foi, por sua vez, fortemente disputado pelos ativos tradicionais. A bolsa até que tentou e, num sprint final impressionante, conseguiu superar com folga o CDI figurar entre os melhores investimentos do ano.
Porém, a alta de 22,28% do Ibovespa, que terminou o ano na marca inédita dos 134.185 pontos, ainda não foi o suficiente para garantir o pódio para a bolsa, e o principal índice da B3 ainda acabou figurando atrás dos títulos do Tesouro Direto mais beneficiados pela descompressão nos juros ao longo do ano.
Na lanterna do ranking, por outro lado, aparecem os únicos ativos com desempenho negativo e abaixo da inflação oficial, medida pelo IPCA, neste ano de 2023: o ouro e o dólar, que fechou abaixo de R$ 5.
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Veja a seguir quais foram os melhores e piores investimentos de dezembro e de 2023:
| Investimento | Rentabilidade no mês |
| Bitcoin | 11,24% |
| Ibovespa | 5,38% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2033 | 4,58% |
| IFIX | 4,25% |
| Tesouro Prefixado 2029 | 3,80% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055 | 3,31% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040 | 2,90% |
| Tesouro IPCA+ 2035 | 2,81% |
| Tesouro IPCA+ 2045 | 2,76% |
| Debêntures indexadas ao IPCA (IDA-IPCA)* | 2,34% |
| Tesouro IPCA+ 2029 | 1,72% |
| Tesouro Prefixado 2026 | 1,67% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2032 | 1,66% |
| Debêntures (IDA-Geral)* | 1,50% |
| Tesouro Selic 2029 | 0,96% |
| CDI* | 0,94% |
| Tesouro Selic 2026 | 0,92% |
| Poupança nova** | 0,60% |
| Poupança antiga** | 0,60% |
| Ouro | -0,98% |
| Dólar à vista | -1,26% |
| Dólar PTAX | -1,90% |
| Investimento | Rentabilidade no ano |
| Bitcoin | 136,45% |
| Tesouro Prefixado 2029 | 27,51% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2033 | 26,33% |
| Tesouro IPCA+ 2045 | 22,98% |
| Ibovespa | 22,28% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055 | 19,69% |
| Tesouro Prefixado 2026 | 19,48% |
| Tesouro IPCA+ 2035 | 18,38% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040 | 18,24% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2032 | 15,57% |
| IFIX | 15,50% |
| Tesouro IPCA+ 2026 | 13,64% |
| Tesouro Selic 2027 | 13,38% |
| CDI* | 13,00% |
| Debêntures (IDA-Geral)* | 12,10% |
| Debêntures indexadas ao IPCA (IDA-IPCA)* | 11,20% |
| Fundos multimercados (IHFA)*** | 8,98% |
| Poupança nova** | 8,07% |
| Poupança antiga** | 8,07% |
| IPCA (últimos 12 meses) | 4,68% |
| IPCA (projeção Focus para 2023) | 4,46% |
| Ouro (OZ1) | -5,96% |
| Dólar PTAX | -7,20% |
| Dólar à vista | -8,08% |
O ano que passou viu o surgimento de novas tensões geopolíticas no mundo e, no Brasil, o controle da inflação e o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic.
Mas o que verdadeiramente deu o tom, tanto aos ativos locais quanto aos globais, foi a dinâmica de juros nos Estados Unidos e a possibilidade (ou não) de uma recessão na maior economia do mundo.
No primeiro semestre, foi o noticiário local que contribuiu para a valorização dos ativos de risco domésticos, incluindo os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação.
Uma sucessão de dados de inflação e crescimento econômico melhores que o esperado começou a animar os investidores e alimentar as expectativas de início de um ciclo de corte de juros no Brasil.
A aprovação do arcabouço fiscal e o encaminhamento da reforma tributária no Congresso também contribuíram para a melhora na percepção do risco-país, assim como a manutenção das metas de inflação.
Com tudo isso, vimos um alívio nos juros futuros locais e uma consequente valorização nas ações, nos títulos públicos prefixados e indexados à inflação, bem como nos fundos imobiliários, todos eles ativos que se beneficiam da queda nas taxas de juros.
O segundo semestre começou com o início do ciclo de cortes na taxa Selic pelo Banco Central, mas a expectativa de maiores altas nos ativos de risco (aqueles que se beneficiam dos juros em queda) não se concretizou.
Foi aí que a coisa toda azedou nos Estados Unidos. Dados de inflação e crescimento econômico persistentes em conjunto com falas duras dos dirigentes do Federal Reserve, o banco central americano, jogaram água no chope dos investidores que vinham antecipando um possível alívio monetário.
A disparada que se viu nos retornos dos títulos do Tesouro americano (Treasurys), que chegaram a superar os 5% ao ano, derrubou os ativos de risco globalmente, e o mercado brasileiro acompanhou.
Em agosto, setembro e outubro, os juros futuros locais também subiram, e vimos desempenhos pífios ou negativos no Ibovespa, no IFIX (o Índice de Fundos Imobiliários) e na renda fixa prefixada ou indexada à inflação, mesmo com a continuidade dos cortes na Selic pelo BC.
Mas em novembro os refrescos vieram: o Fed flexibilizou o discurso e passou a prever três cortes de juros no ano que vem, mais até do que o mercado esperava. Isso marcou o fim do aperto monetário americano e contratou o rali de fim de ano.
Os juros futuros caíram (aqui e lá fora), as bolsas globais dispararam e ativos como fundos imobiliários, títulos prefixados e indexados à inflação acompanharam.
A expectativa agora é que o BC brasileiro tenha até mais espaço para cortar juros com a flexibilização monetária nos EUA.
E embora os países europeus ainda não estejam na fase de baixar os juros, os dados de inflação por lá já começaram a dar sinais melhores, que permitiram ao menos um fim no aperto monetário.
No cenário doméstico, também vimos o governo conseguir aprovar uma série de medidas para aumentar a arrecadação e reequilibrar as contas públicas, incluindo a tão aguardada aprovação da reforma tributária.
Embora o cenário fiscal ainda inspire cautela e as medidas adotadas pelo governo Lula não sejam exatamente aquelas que o mercado considerava ideais, analistas e gestores de recursos hoje são unânimes em considerar que pelo menos agora temos mais previsibilidade para a trajetória da dívida pública, o que também contribui para juros mais baixos.
O ano de 2023, no entanto, termina com uma pulga atrás da orelha dos investidores: afinal, pode haver recessão nos Estados Unidos no ano que vem, após um aperto monetário tão forte que levou as taxas de juros do país ao maior patamar em 40 anos?
A maior aposta no momento é de um pouso suave para a economia americana ou, no máximo, uma recessão leve, uma vez que os juros já podem começar a cair no primeiro semestre do ano que vem.
O temor de uma recessão nos EUA, aliado com a fraqueza exibida pela economia chinesa em 2023, foram os fatores seguraram os preços das commodities ao longo do ano.
Até mesmo o petróleo manteve seus preços controlados, apesar dos novos conflitos no Oriente Médio que vieram se somar à guerra entre Ucrânia e Rússia, como foi o caso da guerra entre Israel e o Hamas.
Ainda assim, os preços se mantiveram em patamares razoáveis (o que foi bom para as empresas brasileiras), mas o fato de não terem sido pressionados contribuiu para a inflação mais controlada.
Os criptoativos deixaram para trás o "longo inverno cripto" iniciado no fim de 2021 e puderam se recuperar neste ano, muito impulsionados pela perspectiva de entrada de investidores institucionais no mercado de ativos digitais.
Essa maior institucionalização pode ser impulsionada pela aprovação da criação de um ETF (fundo de índice) de bitcoin à vista nos EUA (hoje existem apenas ETFs de contratos futuros de bitcoin no mercado americano), o que está em vias de ocorrer.
O avanço da regulação do mercado cripto no mundo, a punição de más práticas e fraudes, bem como a expectativa com o halving do bitcoin no ano que vem (evento que promove uma redução na emissão de novos BTC no mercado) também contribuíram para impulsionar os preços em 2023.
Tudo isso teve como pano de fundo a já mencionada mudança de tom na política monetária nos EUA, pois o fim da alta dos juros e a perspectiva de cortes nas taxas da maior economia do mundo são eventos que tendem a valorizar os ativos de risco, sobretudo aqueles ligados à tecnologia, como as criptomoedas.
A inflação mais controlada no Brasil, a redução no risco fiscal, o início do ciclo de cortes na taxa Selic e, principalmente, o fim da alta dos juros nos EUA, aliado à perspectiva de três cortes no ano que vem, foram os fatores que contribuíram para a queda nos juros futuros brasileiros em 2023, tanto os de curto quanto os de longo prazo.
Com esse alívio, os ativos de renda fixa prefixados e indexados à inflação viram espaço para se valorizar e, em muitos casos, se recuperar do tombo visto no ano passado.
Entre os títulos públicos, aqueles negociados no Tesouro Direto, os grandes campeões de 2023 foram os prefixados, que se beneficiam não só do alívio nos juros como também da inflação mais controlada.
Dois deles aparecem logo depois do bitcoin no ranking dos melhores investimentos, com valorizações superiores a 25% no ano.
Os títulos públicos indexados à inflação, os chamados Tesouro IPCA+, também se saíram muito bem neste ano, e o melhor deles foi o Tesouro IPCA+ 2045, com ganho de cerca de 23% no ano. Em 2022, este título havia sido o segundo pior investimento do ano, com queda de quase 12%, atrás apenas do bitcoin.
Os títulos privados estão representados no nosso ranking pelas debêntures, cujo desempenho é medido pelos Índices de Debêntures Anbima (IDAs), que acompanham a variação de cestas de títulos com determinadas características.
Como você pode ver na tabela, as debêntures até que não se saíram mal, mas não conseguiram superar o CDI.
Embora elas também tenham sido beneficiadas pela queda dos juros futuros, a quebra da Americanas e da Light no início do ano causou grande impacto negativo no mercado de dívida corporativa brasileiro, que viu os recursos secarem e os títulos se desvalorizarem brutalmente, diante do temor de contágio e de uma onda de calotes.
Assim, embora a recuperação das debêntures já tenha começado, inclusive com a volta das emissões, ela não foi suficiente para equiparar o desempenho médio desses títulos com o dos títulos públicos correspondentes.
O quase-pódio do Ibovespa em 2023 teve gostinho de vitória. Só para você ter uma ideia, até o fim de outubro, o principal índice de ações brasileiro acumulava alta de apenas 3,11% no ano.
Embora tenha chegado a superar os 15% no acumulado do ano em julho, o indicador foi devolvendo os ganhos nos meses subsequentes, com a disparada dos juros dos Treasurys e o discurso duro do Fed.
Mas a partir de novembro, tudo mudou, e a bolsa brasileira engatou o rali que lhe era predestinado, segundo os analistas de ações.
Com o discurso mais brando do banco central americano e a perspectiva de três cortes de juros no ano que vem - com a expectativa do mercado sendo de um corte já em março -, o Ibovespa entrou em disparada e passou a renovar recordes atrás de recordes, fechando o ano em um patamar histórico inédito. Apenas nos últimos dois meses do ano foram quase 20% de alta.
| Empresa | Código | Desempenho | Empresa | Código | Desempenho |
| Grupo Soma | SOMA3 | 24,79% | Grupo Casas Bahia | BHIA3 | -15,70% |
| Pão de Açúcar | PCAR3 | 21,19% | 3R Petroleum | RRRP3 | -12,34% |
| CSN | CSNA3 | 19,73% | IRB | IRBR3 | -12,28% |
| Usiminas | USIM5 | 18,19% | São Martinho | SMTO3 | -11,50% |
| Cielo | CIEL3 | 16,67% | BRF | BRFS3 | -5,80% |
| MRV | MRVE3 | 16,13% | Azul | AZUL4 | -5,21% |
| Braskem | BRKM5 | 14,27% | Petz | PETZ3 | -4,36% |
| Dexco | DXCO3 | 13,66% | Locaweb | LWSA3 | -1,31% |
| Raízen | RAIZ4 | 13,52% | Gol | GOLL4 | -1,21% |
| Petroreconcavo | RECV3 | 12,19% | Vibra | VBBR3 | -1,00% |
| Empresa | Código | Desempenho | Empresa | Código | Desempenho |
| Yduqs | YDUQ3 | 123,08% | Grupo Casas Bahia | BHIA3 | -81,03% |
| CSN Mineração | CMIN3 | 118,72% | Pão de Açúcar | PCAR3 | -40,64% |
| Ultrapar | UGPA3 | 114,66% | Minerva | BEEF3 | -38,87% |
| Cyrela | CYRE3 | 93,57% | Petz | PETZ3 | -36,70% |
| Petrobras PN | PETR4 | 93,45% | Alpargatas | ALPA4 | -32,89% |
| Banco do Brasil | BBAS3 | 73,91% | Petroreconcavo | RECV3 | -31,35% |
| Petrobras ON | PETR3 | 73,09% | Assaí | ASAI3 | -30,22% |
| IRB | IRBR3 | 71,71% | 3R Petroleum | RRRP3 | -29,28% |
| BRF | BRFS3 | 66,79% | Grupo Soma | SOMA3 | -25,65% |
| Cogna | COGN3 | 64,62% | CVC | CVCB3 | -22,05% |
Já os fundos imobiliários viram uma trajetória mais firme e tranquila de valorização ao longo de 2023, também beneficiados pela descompressão geral nas taxas de juros. O IFIX fechou o ano com alta de mais de 15%.
Apesar de também terem sofrido com calotes e recuperações judiciais de inquilinos e devedores, assim como o mercado de debêntures, no geral o desempenho dos FIIs foi bom.
Enquanto os fundos de papel, que investem em títulos de renda fixa atrelados ao mercado imobiliário, viram valorização nos papéis das suas carteiras, os fundos de tijolo, que investem em imóveis físicos, viram um verdadeiro renascimento.
Embora a Selic tenha sido cortada de 13,75% para 11,75% ao ano ao longo do segundo semestre, o juro de dois dígitos ainda garantiu um gordo retorno para as aplicações mais conservadoras, cuja rentabilidade é atrelada à Selic ou ao CDI.
O CDI acumulou um ganho de 13% no ano, e os títulos Tesouro Selic, os mais conservadores do Tesouro Direto, se valorizaram mais de 13% em 2023.
Até mesmo a caderneta de poupança conseguiu superar a inflação e rendeu mais de 8%, graças a uma Taxa Referencial (TR) mais gordinha (a TR também guarda certa relação com a Selic).
Por fim, os únicos desempenhos negativos (e abaixo da inflação) em 2023 ficaram por conta do dólar e do ouro.
Na verdade, o ouro até viu uma boa valorização em dólares neste ano (considerando o contrato futuro com entrega para fevereiro), pois o metal precioso tende a subir quando os juros futuros americanos perdem força, principalmente num cenário de altos riscos geopolíticos, como o que estamos vivendo no mundo hoje.
Porém, ao considerarmos o valor em reais do ouro à vista negociado na B3 (OZ1), o retorno foi negativo, dada a fraqueza da moeda americana em relação à divisa brasileira.
O dólar assistiu a uma queda global neste ano, desvalorizando-se inclusive ante outras moedas fortes, com o fim da alta de juros nos EUA, perspectivas de cortes nas taxas e a possibilidade de uma recessão.
Esse movimento de queda também foi visto em relação ao real, que por sua vez também se valorizou com o maior controle inflacionário, melhora do cenário fiscal e balança comercial positiva.
Assim, pelo segundo ano consecutivo o dólar termina o ano num patamar mais baixo do que começou: na cotação à vista, a moeda americana baixou de R$ 5,28 para R$ 4,85. Já na cotação PTAX, o dólar caiu de R$ 5,22 para R$ 4,84.
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