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No episódio #46, Roberto Dumas Damas, do Insper, e o gestor da Dahlia Capital, José Rocha, revelam por que o dólar não deve ser substituído no mundo
Os últimos capítulos da história dos Estados Unidos causam calafrios nos investidores. O mercado, que até então tratava o dólar como reserva de valor, agora cogita um possível fim do reinado da moeda norte-americana — e a China está na lista de ‘competidores’ favoritos dos investidores para assumir a posição.
Afinal, com uma dívida trilionária e o risco de um calote inédito dos EUA, não é de se espantar que o mercado procure uma nova alternativa ao dólar para se proteger.
Entretanto, apesar dos rumores entre o mercado financeiro, a China está longe de ‘roubar’ o lugar dos EUA como principal moeda global — e existem alguns motivos para isso, de acordo com os convidados do episódio #46 do Market Makers.
A edição do podcast contou com a presença do mestre em economia chinesa e professor de Economia no Insper, Roberto Dumas Damas, e o gestor da Dahlia Capital, José Rocha. A gestora independente possui mais de R$ 7 bilhões em ativos sob gestão.
Confira a conversa na íntegra aqui:
Na visão do professor Roberto Dumas Damas, a probabilidade de existir um processo de “desdolarização” para os próximos 10 anos é “muito, muito difícil”.
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Em conversa com os apresentadores Renato Santiago e Thiago Salomão, Damas destaca que o primeiro motivo para a manutenção do dólar como moeda internacional deve-se inteiramente à força dos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos são o mercado financeiro mais desenvolvido, mais regulado e o país é considerado um porto seguro para o mundo inteiro”, conta.
Enquanto isso, José Rocha, da Dahlia Capital, afirma que os EUA são a superpotência dominante do mundo devido a uma série de razões, que incluem a geografia do país, a qualidade das instituições e a vantagem tecnológica.
"Se o teu país tem a vantagem demográfica, tecnológica e das instituições e ele tem a vantagem geográfica de ser independente em energia e em comida, é natural que o seu país tenha a moeda de reserva do mundo”, argumenta Rocha.
Os convidados do Market Makers ainda revelaram os motivos que explicam o porquê de a China não conseguir emplacar o renminbi — nome oficial do dinheiro chinês, popularmente chamado de yuan — como moeda internacional.
O professor do Insper, que é especialista em economia chinesa, afirma que, para ser uma moeda conversível — isto é, ser aceita por todo o mundo —, é preciso, antes de tudo, ter livre movimentação de capitais.
Porém, na visão do economista, a China não possui a livre movimentação de capital — e nem tem intenção de fazê-lo.
“É importante que a conta capital seja aberta. Mas quando ela vai ser aberta? Quando o Partido Comunista Chinês e o governo deixarem de usar os bancos chineses como braço parafiscal para legitimar o governo. E quando isso vai acontecer? É difícil, porque a gente sabe que economia, política e sociedade são uma coisa só”, afirma Damas.
Ainda segundo o professor do Insper, se você concorda que os bancos asiáticos deixarão de ser usados como braço parafiscal, é porque “está do lado dos que acreditam que o yuan pode ser uma moeda internacional e a conta capital ser aberta”.
“Eu não acredito. Por ser ditadura, é preciso ter o controle completo dos bancos. Para não ter o sudden stop [parada repentina nos fluxos de capital, em português], eu não acredito que a conta capital vai ser escancarada em 10 anos. Não vejo nenhuma possibilidade de desdolarização em 10 anos.”
Enquanto isso, o gestor da Dahlia Capital, José Rocha, destaca que, apesar de não enxergar um processo de desdolarização a longo prazo, há razões para o mercado cogitar a possibilidade no curto prazo.
“Faz sentido que o renminbi tenha um peso um pouco maior do que ele tem no momento nas reservas internacionais. Porque a China é um parceiro comercial importante de muitos países.”
Seja como for, isso não deve ser o suficiente para o gigante asiático tomar o lugar do dólar norte-americano como a moeda de reserva do mundo.
"É muito difícil lutar contra essas coisas. Isso não quer dizer que a China é ruim, ela só é o segundo melhor [país]. O melhor é os Estados Unidos. Por causa disso, o dólar é a moeda. Não tem desdolarização, não ao nível de perder o status de moeda de reserva do mundo.”
Clique aqui para assistir à conversa na íntegra:
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