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Por mais distante que pareça, muitas das discussões giram em torno das decisões tomadas pelo Fed — o que acontece lá influencia diretamente o nosso mercado.
Entre as mesas de almoço e as salas de reunião da Faria Lima, o que não faltam são discursos recheados de expressões em inglês.
Valuation, bull market, default, hedge, spread... e por aí vai.
Para quem está envolvido nesse mercado ao menos oito horas por dia, cinco dias na semana, tudo parece tão simples quanto ensinar um bebê a falar.
Contudo, você e eu sabemos que não é bem assim para os “não-viventes” desse mercado.
Lembro quando comecei a me interessar pelo mercado financeiro. Estava cursando o segundo ano de engenharia e a bolsa de valores parecia muito mais interessante do que as aulas de cálculo e estruturas de concreto.
Por mais chamativos que fossem os gráficos de altas e baixas das ações no meu home broker (olha aí, mais uma palavra apropriada do inglês), eu precisava entender o que movia essa engrenagem, então passei a acompanhar grandes nomes do mercado nas minhas redes sociais.
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Caramba... aquilo era muito mais complexo do que eu esperava.
Descobri o que hoje me parece óbvio: comprar uma cesta de boas ações e mais alguns títulos de dívida envolve realmente entender o que acontece na economia, no Brasil e no mundo.
Não basta só comprar a ação de uma empresa por simplesmente gostar do que ela vende. Nem mesmo adquirir o CDB de um banco só porque ele me parece sólido.
É preciso compreender o contexto em que o negócio está inserido e avaliar se adquiri-lo naquele momento faz sentido de fato.
Por mais distante que pareça, muitas das discussões giram em torno das decisões tomadas pelo banco central norte-americano, o Fed (Federal Reserve) — o que acontece lá influencia diretamente o nosso mercado.
Isso tem a ver com a estabilidade financeira dos países desenvolvidos contra emergentes e os efeitos nas taxas de juros do Brasil e no valor do real perante o dólar.
Após o fim da pandemia, pela população ter passado bastante tempo em casa, as reservas das famílias cresceram consideravelmente, aquecendo a economia dos Estados Unidos.
Com as pessoas gastando mais, houve o aumento dos preços de produtos e serviços, pressionando os índices americanos de inflação – tão conhecida por nós brasileiros, mas pouco discutida entre os países desenvolvidos nas últimas décadas.
Para tratar do problema, o Fed precisou aumentar as taxas de juros do país (Fed Funds Rates, similar a nossa taxa Selic).
As altas começaram em março do ano passado e, atualmente, a taxa chegou ao patamar entre 5,25% e 5,50% ao ano – maior nível em mais de 15 anos. O mercado ainda precifica a possibilidade de mais uma alta por lá, mas o final do ciclo atual já está próximo.
Dentro desse cenário, muito se discute sobre a trajetória da economia até esse final de ciclo e alguns termos são utilizados para designar as principais possibilidades – todos em inglês, obviamente.
"Hard landing", "soft landing" e "no landing" são as expressões mais utilizadas e o objetivo é que você saia daqui sabendo exatamente o que significam – e para onde possivelmente estamos caminhando.
Hard Landing, que na tradução livre para o português seria algo como “pouso forçado”, ocorre quando há a convergência da inflação à meta com significativo prejuízo para o crescimento econômico.
Imagine um avião que precisa pousar forçadamente em algum lugar no meio do nada. Não seria nada fácil, não é? Esse tipo de “pouso econômico” também não é.
Nessa situação, a economia entra em recessão, com aumento no desemprego e queda nos retornos dos investimentos mais sensíveis a ciclos econômicos – geralmente, os bancos centrais evitam esse cenário ao máximo.
Um caso clássico de hard landing nos EUA ocorreu na época em que Paul Volcker era presidente do Fed, entre 1979 e 1983 (ele ficou no comando até 1987).
No período, a inflação alcançou o patamar de 11% no acumulado de 12 meses até meados de 1980 e, para contê-la, de julho de 1980 até janeiro de 1981, o Fed subiu as taxas de juros acentuadamente até marcas acima de 19% ao ano.
O resultado foi uma recessão profunda entre julho de 1981 e novembro de 1982, com as taxas de desemprego em níveis superiores a 10%. Por consequência, até a metade de 1983, a inflação de 12 meses já havia voltado para o patamar de 3%.
A economia pousou onde deveria, mas não foi fácil, não é?
A segunda possibilidade é o soft landing, ou “pouso suave”. Nesse caso, o processo de desaceleração da economia é feito de forma lenta e gradual, evitando assim uma desaceleração abrupta ou uma recessão.
Seria como se um avião que fizesse o seu pouso de forma tranquila na pista de aterrissagem.
Alan Greenspan foi responsável por um dos melhores casos de soft landing da história (considerado por alguns, inclusive, o único caso em que realmente se teve um pouso suave).
Em 1994, os Estados Unidos estavam passando por um momento de recuperação após a recessão que aconteceu entre 1990 e 1991. A taxa de desemprego caía rapidamente, a inflação estava próxima dos 3% ao ano e a taxa de juros dos Fed Funds também estava na casa dos 3%.
Greenspan foi presidente do Fed entre 1987 e 2006 e, naquele cenário, dada a aceleração da economia, a recuperação da inflação começou a preocupá-lo. De forma preventiva, o Fed optou por aumentar as taxas de juros sete vezes, chegando aos patamares de 6% ao ano.
Em 1995 a economia começou a desacelerar, então o Fed optou por cortar os juros três vezes e o melhor cenário possível aconteceu: a inflação se manteve baixa e estável, o desemprego continuou a registar uma tendência descendente e o crescimento real do PIB situou-se, em média, acima dos 3% ao ano pelo resto da década.
A terceira possibilidade – e a mais cotada entre os gestores de hedge funds e fundos de ações lá fora para o momento – é o no landing (sem pouso). Nesse caso, a economia continua em crescimento, mas a inflação não é controlada da forma como os banqueiros centrais gostariam.
A inflação americana hoje tem sido chamada de “sticky inflation”, ou seja, mais “pegajosa”, mantendo-se por mais tempo nos níveis atuais.
Em outra ótica, há um mercado de trabalho ainda aquecido na terra do Tio Sam, com níveis baixíssimos de desemprego e crescimento salarial, além de um consumidor que continua com recursos para gastar.
O problema deste terceiro caso é que, como a economia não está desacelerando, isso atrasa o objetivo do Fed em retornar a inflação à meta para poder, enfim, reduzir as taxas de juros, o que faz com que elas fiquem em níveis mais altos por mais tempo (mais uma expressão usual em inglês, o “higher for longer”).
Taxas de juros mais altas podem desencadear uma série de consequências negativas, como empréstimos mais caros, redução da demanda por imóveis e uma correção do mercado acionário – já que o mercado exigirá um prêmio maior para ativos de risco.
O avião da inflação americana ainda está em voo de cruzeiro, em comunicação com a torre de controle (Fed) para iniciar o procedimento de aterrissagem.
Resta agora saber se passaremos por uma turbulência severa nos momentos finais da viagem ou se esse pouso será digno de aplausos.
Grande abraço e até a próxima,
Rafaela Ribas
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