A política externa de Lula 3 seria um prato cheio para o Barão de Itararé — de onde menos se espera é que não vem nada mesmo
Vocè viu a última do Apporelly? Fosse vivo, o Barão de Itararé estaria deitando e rolando com as últimas de Lula
A expressão “de onde menos se espera é que não vem mesmo” foi criada por Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, colunista humorístico cujo nome era simplificado para Apporelly, e que se intitulava jocosamente Barão de Itararé.
“Você viu a última do Apporelly?”, as pessoas perguntavam umas às outras.
O “barão” viveu 76 anos (1895-1971). Nascido no Rio Grande do Sul, fez a maior parte de sua carreira na imprensa carioca. Primeiro no jornal A Manhã, isso antes de fundar seu próprio semanário, que recebeu o sugestivo título de A Manha.
Lula seria tema recorrente do Barão de Itararé
Se fosse nosso contemporâneo, o presidente Lula (ou, melhor, o presidente Lula 3) seria um tema recorrente de Apporelly. Principalmente sua política externa confusa e incoerente.
Ousando imitar o inimitável humorista, eu diria que “o Brasil vai sediar uma reunião de cúpula (summit) entre Lula, Xi Jinping e Joe Biden, para pôr fim às divergências entre os dois países e impor um cessar-fogo na guerra russo-ucraniana.”
Durante os quatro anos Bolsonaro, o Brasil tornou-se assunto de primeira grandeza na imprensa mundial, o que jamais tinha acontecido com um presidente brasileiro.
Leia Também
Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão
A janela para o mundo invertido nos investimentos, e o que mais move o mercado hoje
Isso se deveu ao desmatamento da Amazônia, ao garimpo ilegal na terra dos yanomanis, aos pronunciamentos antivacina contra a Covid-19 e aos atritos com quase todos os países.
Fora as declarações homofóbicas, machistas, racistas etc etc.
Lula foi exaltado pela imprensa internacional
Por ocasião da campanha presidencial de 2022, Lula, por ser o único político capaz de derrotar Jair Bolsonaro, foi exaltado pela imprensa internacional.
Transformaram-no em herói, o único super-homem capaz de salvar a Amazônia, ainda mais que Marina Silva (esta, ecologista autêntica) o apoiou.
“Vai interromper a devastação da floresta”; ”Salvará a vida dos índios”; “Vai pôr fim à mineração ilegal”.
Foi a partir daí que Luiz Inácio Lula da Silva se julgou um político de renome mundial.
Essa opinião foi reforçada pela mensagem de congratulações que recebeu do presidente Joe Biden logo após o TSE declará-lo vencedor nas urnas, parabenizando-o pela vitória e elogiando o sistema eleitoral brasileiro (por experiência própria, Biden sabe bem o que é uma apuração de votos complicada, ineficiente e sujeita a manipulações).
Naquela mesma noite, já quase madrugada em Paris, chegou também um telefonema de Emmanuel Macron (aquele a quem Bolsonaro desrespeitou a mulher, Brigitte Macron), exaltando a vitória petista.
Apesar desses trunfos, e como a diferença de votos aqui foi de apenas 1,5%, Lula era rejeitado pelas forças armadas (ou alguém acha que os militares deixariam militantes da CUT ou do MST acampar em frente às suas unidades?) e se sentia inseguro na presidência.
- Não dê dinheiro à Receita Federal à toa: você pode estar deixando de receber uma boa restituição do Imposto de Renda por algum equívoco na hora da declaração. Clique aqui e baixe GRATUITAMENTE um guia completo para não errar em nada na hora de acertar as contas com o Leão.
Lula foi salvo pelos ataques de 8 de janeiro
Foi salvo pelos ataques de 8 de janeiro, uma das maiores estultices que já vi. Se aqueles manifestantes achavam que, destruindo as sedes físicas dos três Poderes, estavam dando um golpe de Estado, é porque a ignorância imperava entre eles.
Para tomar o poder em Cuba, no final dos anos 1950, Fidel Castro precisou formar uma guerrilha que começou sua luta em Sierra Maestra e foi agregando voluntários até que pudessem sair da selva e se deslocar para Havana, onde foram recebidos triunfalmente em 1º de janeiro de 1959.
Nelson Mandela (este sim, um verdadeiro herói), ficou preso durante 27 anos. Até que (graças a um clamor mundial em seu favor e boicotes de todos os tipos contra o regime de apartheid vigente na África do Sul) foi solto e se elegeu presidente no voto popular.
Após uma tentativa fracassada de golpe, que o levou à prisão, na Venezuela o coronel Hugo Chávez, após ser solto, candidatou-se a presidente e obteve 80% dos votos.
Isso lhe permitiu mudar a composição da Suprema Corte e obter do Congresso (no qual tinha praticamente todas as cadeiras – a oposição não concorreu ao pleito) poderes para legislar por decreto.
Ou seja, tornou-se ditador legal, se é que estas duas palavras não são conflitantes.
Na Espanha, o generalíssimo Francisco Franco precisou vencer uma cruenta guerra civil, que durou quase três anos (julho 1936/abril 1939) e deixou meio milhão de mortos, para assumir poderes totais, dos quais usufruiu durante 36 anos, só terminando com sua morte e estabelecimento de uma monarquia constitucionalista.
O próprio golpe militar brasileiro (que muitos chamam de Revolução) se deu com algumas características especiais.
Senão, vejamos:
O presidente João (Jango) Goulart e seu cunhado, Leonel Brizola (governador do Rio Grande do Sul), mais Brizola do que Jango, pretendiam instalar um governo nos moldes cubanos. Só que lhes faltou uma Sierra Maestra.
Num discurso no Automóvel Clube do Brasil (Cinelândia, Rio de Janeiro), proferido em 30 de março de 1964, Goulart conclamou os soldados, cabos e sargentos das Forças Armadas a se rebelarem contra seus oficiais.
Qualquer chefe de Estado ou de governo que dissesse isso, inclusive nos Estados Unidos, seria deposto. Talvez por ação do Congresso ou da Suprema Corte, mas seria.
Em sua grande maioria, o povo brasileiro era a favor da deposição de Jango.
Com o golpe (ou Revolução, como queiram) em andamento, João Goulart fugiu para o Uruguai.
O marechal Humberto de Alencar Castelo Branco não se plantou no palácio do Planalto e disse “Agora quem manda sou eu”. O Congresso Nacional o elegeu, incluindo os votos favoráveis de Juscelino Kubitschek e Ulysses Guimarães, sendo que o segundo, durante anos, chefiaria a oposição aos governos militares que se seguiram ao de Castelo.
Portanto, se aqueles manifestantes que depredaram os prédios mais importantes da República em Brasília achavam que estavam dando um golpe de Estado, se instalando no poder, cometeram uma idiotice fundamental, idiotice essa pela qual estão pagando caro.
Existe um nome específico para isso: quartelada. Mesmo que, acredito eu, a maior parte dos golpistas se constituísse de civis.
Ainda que se mantivessem no interior dos prédios públicos e não arredassem pé de lá, os governos estrangeiros não os reconheceriam. Continuariam considerando Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil.
VEJA TAMBÉM - Fugi do país para escapar de uma montanha de dívidas, meus credores podem me perseguir?
Confira o episódio desta semana do quadro A Dinheirista, em que a repórter Julia Wiltgen resolve esse e mais casos cabeludos envolvendo dinheiro. Confira:
O que Lula não percebeu
Só que Lula ainda não percebeu que pouco mais de um terço dos brasileiros apoia o seu governo e que diversos países (governo, imprensa e opinião pública) estão trocando o apoio inicial pela reprovação às suas atitudes e declarações estapafúrdias.
Em seu primeiro mandato, Lula tinha Palocci e Meirelles cuidando das finanças e José Dirceu, do apoio do Congresso. É verdade que Dirceu fazia isso pagando uma mesada a senadores e deputados mas tinha sucesso. Até que aquele burocrata dos Correios e Roberto Jefferson entregaram o jogo.
O segundo mandato de Lula transcorreu bem, não só pela inércia mas também, e principalmente, pelo dinheiro subtraído da Petrobras que garantiu o apoio da classe política.
Leia também
- A crise de 29 e a de 23: por que bancos em apuros são tão antigos quanto os próprios bancos
- Jorge Paulo Lemann “transou” como poucos e fez da Ambev uma gigante. Mas e agora, com o caso Americanas?
O rei da cocada preta
Agora, como disse acima, o presidente se acha o rei da cocada preta.
Daqui a alguns dias, Lula viajará para a Inglaterra para assistir a coroação do rei Charles III.
Depois de dizer que seu chanceler, Mauro Vieira, iria representá-lo no evento, o presidente decidiu ir pessoalmente.
Numa falta de educação sem tamanho, alegou que precisa ir a Londres conversar com o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak.
O que alguém precisa dizer a Lula abertamente é que o rei Charles III dá enorme importância ao Brasil porque é aqui que fica a maior floresta tropical do planeta. E ele é defensor atuante da preservação da natureza.
Outras coisas deveriam ser sopradas ao ouvido do presidente:
“Pode até ser que o yuan se torne a moeda universal, mas isso, caso aconteça, deverá demorar várias décadas. Ou um século.”
“A China tem três trilhões de dólares de reservas. Apesar das atuais divergências entre Biden e Jinping, há um acordo não escrito entre os dois: ‘Vocês continuam comprando nossas mercadorias’, pensa o chinês. ‘Vocês aplicam seu dinheiro em obrigações do nosso Tesouro’, raciocina o americano.”
Agora pergunto eu: Porque será que o capital do banco dos Brics é de 50 bilhões de dólares?
Não deveria ser em reais (Brasil), rublos (Rússia), rúpias (Índia), yuans (China) ou rands (África do Sul), moedas países componentes do grupo?
Pena mesmo que o Apporelly, Barão de Itararé, não vivesse nos dias de hoje. Ele já acordaria de manhã com a piada pronta.
Um forte abraço a todos,
FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias
China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado
As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas
Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025
Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente
Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres
Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026
A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência
Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky
Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)
FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque
Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs
O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia
Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores
De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar
Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026
Tony Volpon: Uma economia global de opostos
De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026
Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa
A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais
O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje
O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora
A Vale brilhou em 2025, mas se o alerta dessas mineradoras estiver certo, VALE3 pode ser um dos destaques da década
Se as projeções da Rio Tinto estiverem corretas, a virada da década pode começar a mostrar uma mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda, e os preços do minério já parecem ter começado a precificar isso
As vantagens da holding familiar para organizar a herança, a inflação nos EUA e o que mais afeta os mercados hoje
Pagar menos impostos e dividir os bens ainda em vida são algumas vantagens de organizar o patrimônio em uma holding. E não é só para os ricaços: veja os custos, as diferenças e se faz sentido para você
Rodolfo Amstalden: De Flávio Day a Flávio Daily…
Mesmo com a rejeição elevada, muito maior que a dos pares eventuais, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem chance concreta de seguir em frente; nem todas as candidaturas são feitas para ganhar as eleições
Veja quanto o seu banco paga de imposto, que indicadores vão mexer com a bolsa e o que mais você precisa saber hoje
Assim como as pessoas físicas, os grandes bancos também têm mecanismos para diminuir a mordida do Leão. Confira na matéria
As lições do Chile para o Brasil, ata do Copom, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje
Chile, assim como a Argentina, vive mudanças políticas que podem servir de sinal para o que está por vir no Brasil. Mercado aguarda ata do Banco Central e dados de emprego nos EUA
Chile vira a página — o Brasil vai ler ou rasgar o livro?
Não por acaso, ganha força a leitura de que o Chile de 2025 antecipa, em diversos aspectos, o Brasil de 2026
Felipe Miranda: Uma visão de Brasil, por Daniel Goldberg
O fundador da Lumina Capital participou de um dos episódios de ‘Hello, Brasil!’ e faz um diagnóstico da realidade brasileira
Dividendos em 2026, empresas encrencadas e agenda da semana: veja tudo que mexe com seu bolso hoje
O Seu Dinheiro traz um levantamento do enorme volume de dividendos pagos pelas empresas neste ano e diz o que esperar para os proventos em 2026
Como enterrar um projeto: você já fez a lista do que vai abandonar em 2025?
Talvez você ou sua empresa já tenham sua lista de metas para 2026. Mas você já fez a lista do que vai abandonar em 2025?