Nem Lula nem Bolsonaro: veja quem se saiu melhor no primeiro debate de presidenciáveis
Jair Bolsonaro teve pior desempenho entre os debatedores, segundo Datafolha, seguido pelo ex-presidente Lula. Veja quem ganhou a preferência da audiência

Decepcionou-se quem assistiu ao debate de presidenciáveis realizado na noite de domingo à espera de discussão de propostas ou de um eventual protagonismo dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quem acompanhou o debate de pipoca na mão querendo ver algum barraco entre os presidenciáveis também fez o cálculo errado.
Os participantes pareciam mais preocupados em emplacar frases de efeito genéricas e passagens para uso na campanha. Restando pouco mais de um mês para o primeiro turno, Lula e Bolsonaro tinham a preocupação adicional de não abrirem flancos que justificassem perda de terreno nas intenções de voto.
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Sobre quem se saiu melhor no morno debate de ontem? De acordo com uma pesquisa qualitativa realizada com um grupo de eleitores indecisos pelo Instituto Datafolha, a resposta é Simone Tebet (MDB).
Perguntados sobre o desempenho de cada candidato no debate realizado em parceria pelas TVs Band e Cultura, pelo portal UOL e pelo jornal Folha de S. Paulo, 43% dos entrevistados responderam que Simone Tebet foi a melhor.
Ciro Gomes ficou em segundo lugar, com 23% das menções. Lula e Bolsonaro empataram na terceira posição, com 10% cada. Felipe D’Avila (Novo) apareceu na sequência com 8%. Soraya Thronicke (União Brasil) fechou a fila com 2%.
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Bolsonaro foi o pior
Mas quem se saiu pior? O Datafolha também fez essa pergunta.
Nesse quesito, Bolsonaro “ganhou” disparado, considerado o pior por 51% dos entrevistados. Veja abaixo um trecho da participação de Bolsonaro no debate e aproveite para nos seguir no Instagram (basta clicar aqui). Assim você recebe diariamente análises de mercado decisivas no período eleitoral, insights de investimento e a opinião dos principais analistas e gestores do mercado.
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Lula teve o segundo pior desempenho na avaliação dos indecisos, com 21% das menções.
Soraya foi a terceira pior, com 14%, seguida por D’Ávila (7%), Simone (5%) e Ciro (2%).
Lula na defensiva
Líder nas pesquisas, Lula foi um dos alvos preferenciais de seus adversários. O candidato petista à Presidência da República manteve-se na defensiva durante a maior parte do tempo. Em alguns momentos, chegou a abrir mão da possibilidade de sair em defesa do PT.
Despertou na reta final do debate. Em suas considerações finais, destacou a aliança com o candidato a vice Geraldo Alckmin (PSB), defendeu as gestões da ex-presidente Dilma Rousseff e falou do legado de seus dois mandatos à frente do Planalto.
Lula recorreu à experiência como presidente entre 2003 e 2010 para mostrar que estaria capacitado a resolver a crise econômica brasileira. Aproveitou ainda para provocar Bolsonaro ao falar sobre obras públicas. "Eu ia falar de obras públicas, mas é tão medíocre de obras hoje que não vou falar para não humilhar quem está governando o Brasil."
Em direito de resposta por ter sido chamado de "ex-presidiário" por Bolsonaro, Lula disse que foi preso para facilitar a eleição do atual presidente. O petista ainda pontuou estar "mais limpo que ele ou qualquer parente dele".
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Para finalizar, prometeu que, se eleito, vai "apagar todos os sigilos" decretados pelo candidato à reeleição em "um decreto só".
Bolsonaro não se segurou
Bolsonaro começou o debate perceptivelmente fazendo força para manter a fala calma. Mirou em Lula na hora de atacar, mas o segundo lugar nas pesquisas também o transformou em alvo dos demais candidatos. E nem lembrou da existência de um ministro chamado Paulo Guedes.
O tom agressivo se fez mais evidente diante das críticas ao processo de vacinação.
Perdeu as estribeiras não quando questionado por adversários, mas no bloco destinado a perguntas dos jornalistas dos veículos organizadores do debate.
Questionado por Vera Magalhães, apresentadora do Roda Viva, Bolsonaro esbanjou misoginia contra a jornalista. Na sequência, direcionou a grosseria a Simone Tebet. Para quem engajou a primeira-dama Michelle Bolsonaro na tentativa de aproximar-se do público feminino, não pegou bem.
A situação gerou reações imediatas das duas candidatas presentes. Soraya Thronicke disse ficar incomodada quando “homens são tchutchuca com outros homens, mas vêm para cima da gente sendo tigrão”. Uma clara menção ao caso do youtuber que abordou Bolsonaro chamando-o de “tchutchuca” do Centrão.
Simone Tebet recordou momentos ocorridos durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, em 2021, a qual integrou. "Recebi violência política na CPI, fui chamada de descontrolada. um outro me ameaçando porque queria me impedir de falar e de participar da 'CPI da Vida'. E pior que isso, um ministro seu, Bolsonaro, tentou me intimidar entrando no Supremo Tribunal Federal porque eu denunciei o esquema de corrupção da vacina que vossa excelência não quis comprar", declarou.
Em solidariedade a Vera Magalhães, Simone Tebet declarou: "Nós precisamos de uma mulher para arrumar a casa, precisamos de uma mulher para pacificar o País, para unir o País, para dar credibilidade, para fazer com que esse ódio, que começou lá atrás, no governo do PT, de nós contra eles, definitivamente chegue ao fim".
Lula e Ciro também se solidarizaram com a jornalista.
Simone Tebet criticou Lula e Bolsonaro e apresentou-se como alternativa
Voltando a Simone Tebet, a emedebista foi considerada a ganhadora do debate, segundo os indecisos consultados pelo Datafolha.
A candidata dirigiu suas críticas principalmente a Lula e Bolsonaro e lamentou a polarização entre os dois candidatos. "Falando do passado, alimentando o ódio, dividindo as famílias e polarizando o Brasil", afirmou.
"Triste o Brasil que tem que escolher entre o petrolão e mensalão do PT e o escândalo de corrupção da educação e do orçamento secreto do atual governo", disse.
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Ela prometeu, caso vença, liderar um governo que irá acabar com a fome, miséria e discriminação. Para isso, porém, ela vai precisar disparar nas pesquisas e deixar todo mundo na pista.
Ciro Gomes defende mudança de modelo econômico
Outro candidato bem avaliado no debate foi Ciro Gomes. O pedetista prometeu replicar em escala mais ampla o modelo educacional que vem melhorando os indicadores de ensino do Ceará, seu Estado de origem. Também saiu em defesa da mudança do modelo econômico e de governança do Brasil.
"É deprimente um país como o nosso ficar discutindo quem é mais corrupto, quem é menos corrupto. Minha luta é contra modelo econômico que é o mesmo rigorosamente há 25, 30 anos, que montou uma máquina perversa de transferir renda” dos mais pobres para os mais ricos, declarou Ciro.
Veja também: Lula ou Bolsonaro — quem investe melhor?
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