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NOVOS PLANOS DE PAZ

Após conquistar Putin, Elon Musk cai nas graças de Xi Jinping com propostas para tensão entre Taiwan e China

O embaixador da China nos EUA, Qin Gang, destacou que a proposta do CEO da Tesla relaciona-se diretamente com “seus princípios básicos para resolver a questão de Taiwan” e seria “a melhor abordagem para realizar a reunificação nacional”

Elon Musk e Xi Jinping
Elon Musk e Xi Jinping - Imagem: Dan Taylor/Heisenberg Media/Wikimedia Commons/U.S. Department of State

Ao que parece, o título de homem mais rico do mundo não é o suficiente para Elon Musk. Agora, o CEO da Tesla quer também a reputação de patrono da paz mundial.

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Após cair nas graças do presidente russo Vladimir Putin ao propor soluções para acabar com a guerra na Ucrânia, desta vez, o bilionário quer conquistar sorrisos de Xi Jinping — e tem uma ideia para acabar com o conflito geopolítico envolvendo a China e Taiwan.

Elon Musk e a proposta para Taiwan

Surpreendentemente, o plano de paz não foi anunciado no Twitter, o meio de comunicação favorito do empresário, mas sim em entrevista ao jornal Financial Times.

Ao jornal, Elon Musk diz considerar-se um “solucionador de problemas”, e fez suas sugestões para acabar com as tensões no Estreito de Formosa — que envolvem transformar Taiwan em uma espécie de réplica de Hong Kong.

"Minha recomendação… seria descobrir um modelo de zona administrativa especial para Taiwan que fosse razoavelmente palatável. Provavelmente não deixaria todos felizes”, disse o bilionário.

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“É possível, e eu acho que provavelmente, na realidade, eles poderiam ter um acordo mais favorável do que Hong Kong.”

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A China curtiu, Elon Musk

Não é preciso dizer que, em pouco tempo, as autoridades da China foram às redes sociais demonstrar satisfação com a postura de Musk.

O embaixador da China nos Estados Unidos, Qin Gang, destacou que a proposta do CEO da Tesla relaciona-se diretamente com “seus princípios básicos para resolver a questão de Taiwan” e afirma ser “a melhor abordagem para realizar a reunificação nacional”.

“Eu gostaria de agradecer @elonmusk por seu apelo pela paz através do Estreito de Formosa e sua ideia de estabelecer uma zona administrativa especial para Taiwan. Na verdade, [as ideias de] ‘Reunificação pacífica’ e ‘Um país, Dois sistemas’ são nossos princípios básicos para resolver a questão de Taiwan”, disse Gang, em tweet.

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https://twitter.com/AmbQinGang/status/1578858531012640768

O político afirma que “Taiwan desfrutará de um alto grau de autonomia como região administrativa especial e de um vasto espaço para o desenvolvimento”.

“Os direitos e interesses do povo de Taiwan serão totalmente protegidos, e ambos os lados do Estreito de Formosa compartilharão a glória do rejuvenescimento nacional”, garantiu o embaixador chinês.

Isto é, apenas se o país cumprir algumas condições. Entre elas, estariam a garantia da soberania, segurança e dos interesses de desenvolvimento da China.

A reação de Taiwan a Elon Musk

Acontece que, como esperado, os representantes de Taiwan não responderam positivamente à proposta de Elon Musk. 

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“Nossa liberdade e democracia não estão à venda”, respondeu Bi-khim Hsiao, embaixador de Taipé em Washington, nos Estados Unidos.

"Qualquer proposta duradoura para o nosso futuro deve ser determinada pacificamente, livre de coerção e respeitando os desejos democráticos do povo de Taiwan", concluiu Hsiao.

A tensão entre China e Taiwan

O princípio de “Uma Só China” citado pelo embaixador chinês determina que o país que mantiver relações com Pequim ou Taipé deve reconhecer a existência de apenas uma China.

Diante disso, o país que mantiver relações diplomáticas plenas com Taipé não atingirá o mesmo grau de relacionamento com Pequim. E vice-versa.

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No caso, Taiwan é exatamente a peça que falta para que Pequim complete seu quebra-cabeça de reunificação. 

O rompimento aconteceu em 1949. Desde então, o país asiático reivindica Taipé como parte integrante de seu território, alegando que a ilha é uma província separatista e será reincorporada.

Atualmente, Taiwan é plenamente reconhecida por pouco mais de uma dúzia de países. Nem mesmo os EUA mantêm relações diplomáticas plenas com Taipé, nem reconhecem formalmente o governo.

Em meados de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi além da estratégia norte-americana de “ambiguidade” de longa data em relação a Taiwan.

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O presidente afirmou que as forças militares dos EUA entrariam em defesa de Taiwan no caso de um “ataque sem precedentes”.

Porém, na entrevista, Biden ressaltou que o governo norte-americano manterá o princípio de “Uma China” quando questionado sobre a posição do país em relação à independência de Taiwan.

“Concordamos com o que assinamos há muito tempo. Há uma política de Uma China, e Taiwan faz seus próprios julgamentos sobre sua independência. Não estamos nos movendo – não estamos incentivando a independência. Essa decisão cabe a eles.”

Um passo para frente, dois para trás

Apesar de ter ganhado a simpatia das autoridades chinesas, Elon Musk tem um longo caminho a percorrer quando se trata da China.

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Em entrevista ao jornal Financial Times publicada na última sexta-feira (07), o bilionário contou que o governo asiático não está muito contente com o sistema de internet por satélite da SpaceX, chamado Starlink.

Porém, a questão vai além da reprovação: segundo Musk, as autoridades chinesas garantiram que o executivo não poderia vender o Starlink na China.

A desaprovação asiática veio após o lançamento do serviço na Ucrânia para ajudar os militares a contornar o corte da internet feito pela Rússia e reconectar o país europeu.

Além do serviço da SpaceX, as operações da Tesla estão sujeitas a impactos futuros caso haja qualquer conflito entre a China e Taiwan.

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A fábrica da montadora de veículos elétricos de Musk em Xangai, na China, é responsável por cerca de 30% a 50% da produção total da Tesla.

Após os elogios das autoridades chinesas pela proposta do CEO em relação a Taiwan, as vendas da Tesla na China atingiram um novo recorde mensal.

A fabricante de veículos elétricos vendeu cerca de 83 mil automóveis em setembro, um aumento de 8% em relação ao mês anterior, segundo a Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA, na sigla em inglês).

Na visão de Elon Musk, o conflito em torno de Taiwan “é inevitável”, e sua fabricante de carros sofreria os efeitos de qualquer ataque — mas não seria a única. “A Apple estaria em apuros, com certeza”, disse o bilionário.

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O empresário acredita que, apesar da tensão em Taipé, a fábrica da Tesla em Xangai ainda seria capaz de fornecer automóveis aos clientes na China, mas não em outros lugares no mundo.

*Com informações de Financial Times e Reuters

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