Após conquistar Putin, Elon Musk cai nas graças de Xi Jinping com propostas para tensão entre Taiwan e China
O embaixador da China nos EUA, Qin Gang, destacou que a proposta do CEO da Tesla relaciona-se diretamente com “seus princípios básicos para resolver a questão de Taiwan” e seria “a melhor abordagem para realizar a reunificação nacional”

Ao que parece, o título de homem mais rico do mundo não é o suficiente para Elon Musk. Agora, o CEO da Tesla quer também a reputação de patrono da paz mundial.
Após cair nas graças do presidente russo Vladimir Putin ao propor soluções para acabar com a guerra na Ucrânia, desta vez, o bilionário quer conquistar sorrisos de Xi Jinping — e tem uma ideia para acabar com o conflito geopolítico envolvendo a China e Taiwan.
Elon Musk e a proposta para Taiwan
Surpreendentemente, o plano de paz não foi anunciado no Twitter, o meio de comunicação favorito do empresário, mas sim em entrevista ao jornal Financial Times.
Ao jornal, Elon Musk diz considerar-se um “solucionador de problemas”, e fez suas sugestões para acabar com as tensões no Estreito de Formosa — que envolvem transformar Taiwan em uma espécie de réplica de Hong Kong.
"Minha recomendação… seria descobrir um modelo de zona administrativa especial para Taiwan que fosse razoavelmente palatável. Provavelmente não deixaria todos felizes”, disse o bilionário.
“É possível, e eu acho que provavelmente, na realidade, eles poderiam ter um acordo mais favorável do que Hong Kong.”
Leia Também
Seu salário, imóvel e investimentos têm o mesmo CEP, mas não deveriam — como começar a investir no exterior
Do déficit fiscal à IA: o que está em jogo para os mercados com as eleições dos EUA, segundo o UBS
A China curtiu, Elon Musk
Não é preciso dizer que, em pouco tempo, as autoridades da China foram às redes sociais demonstrar satisfação com a postura de Musk.
O embaixador da China nos Estados Unidos, Qin Gang, destacou que a proposta do CEO da Tesla relaciona-se diretamente com “seus princípios básicos para resolver a questão de Taiwan” e afirma ser “a melhor abordagem para realizar a reunificação nacional”.
“Eu gostaria de agradecer @elonmusk por seu apelo pela paz através do Estreito de Formosa e sua ideia de estabelecer uma zona administrativa especial para Taiwan. Na verdade, [as ideias de] ‘Reunificação pacífica’ e ‘Um país, Dois sistemas’ são nossos princípios básicos para resolver a questão de Taiwan”, disse Gang, em tweet.
O político afirma que “Taiwan desfrutará de um alto grau de autonomia como região administrativa especial e de um vasto espaço para o desenvolvimento”.
“Os direitos e interesses do povo de Taiwan serão totalmente protegidos, e ambos os lados do Estreito de Formosa compartilharão a glória do rejuvenescimento nacional”, garantiu o embaixador chinês.
Isto é, apenas se o país cumprir algumas condições. Entre elas, estariam a garantia da soberania, segurança e dos interesses de desenvolvimento da China.
A reação de Taiwan a Elon Musk
Acontece que, como esperado, os representantes de Taiwan não responderam positivamente à proposta de Elon Musk.
“Nossa liberdade e democracia não estão à venda”, respondeu Bi-khim Hsiao, embaixador de Taipé em Washington, nos Estados Unidos.
"Qualquer proposta duradoura para o nosso futuro deve ser determinada pacificamente, livre de coerção e respeitando os desejos democráticos do povo de Taiwan", concluiu Hsiao.
A tensão entre China e Taiwan
O princípio de “Uma Só China” citado pelo embaixador chinês determina que o país que mantiver relações com Pequim ou Taipé deve reconhecer a existência de apenas uma China.
Diante disso, o país que mantiver relações diplomáticas plenas com Taipé não atingirá o mesmo grau de relacionamento com Pequim. E vice-versa.
No caso, Taiwan é exatamente a peça que falta para que Pequim complete seu quebra-cabeça de reunificação.
O rompimento aconteceu em 1949. Desde então, o país asiático reivindica Taipé como parte integrante de seu território, alegando que a ilha é uma província separatista e será reincorporada.
Atualmente, Taiwan é plenamente reconhecida por pouco mais de uma dúzia de países. Nem mesmo os EUA mantêm relações diplomáticas plenas com Taipé, nem reconhecem formalmente o governo.
Em meados de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi além da estratégia norte-americana de “ambiguidade” de longa data em relação a Taiwan.
O presidente afirmou que as forças militares dos EUA entrariam em defesa de Taiwan no caso de um “ataque sem precedentes”.
Porém, na entrevista, Biden ressaltou que o governo norte-americano manterá o princípio de “Uma China” quando questionado sobre a posição do país em relação à independência de Taiwan.
“Concordamos com o que assinamos há muito tempo. Há uma política de Uma China, e Taiwan faz seus próprios julgamentos sobre sua independência. Não estamos nos movendo – não estamos incentivando a independência. Essa decisão cabe a eles.”
Um passo para frente, dois para trás
Apesar de ter ganhado a simpatia das autoridades chinesas, Elon Musk tem um longo caminho a percorrer quando se trata da China.
Em entrevista ao jornal Financial Times publicada na última sexta-feira (07), o bilionário contou que o governo asiático não está muito contente com o sistema de internet por satélite da SpaceX, chamado Starlink.
Porém, a questão vai além da reprovação: segundo Musk, as autoridades chinesas garantiram que o executivo não poderia vender o Starlink na China.
A desaprovação asiática veio após o lançamento do serviço na Ucrânia para ajudar os militares a contornar o corte da internet feito pela Rússia e reconectar o país europeu.
Além do serviço da SpaceX, as operações da Tesla estão sujeitas a impactos futuros caso haja qualquer conflito entre a China e Taiwan.
A fábrica da montadora de veículos elétricos de Musk em Xangai, na China, é responsável por cerca de 30% a 50% da produção total da Tesla.
Após os elogios das autoridades chinesas pela proposta do CEO em relação a Taiwan, as vendas da Tesla na China atingiram um novo recorde mensal.
A fabricante de veículos elétricos vendeu cerca de 83 mil automóveis em setembro, um aumento de 8% em relação ao mês anterior, segundo a Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA, na sigla em inglês).
Na visão de Elon Musk, o conflito em torno de Taiwan “é inevitável”, e sua fabricante de carros sofreria os efeitos de qualquer ataque — mas não seria a única. “A Apple estaria em apuros, com certeza”, disse o bilionário.
O empresário acredita que, apesar da tensão em Taipé, a fábrica da Tesla em Xangai ainda seria capaz de fornecer automóveis aos clientes na China, mas não em outros lugares no mundo.
*Com informações de Financial Times e Reuters
FED EM TRANSFORMAÇÃO
Adeus, Super Quarta? Warsh muda calendário do Fed e prepara mais novidades para 2027
29 de outubro de 2026 - 15:15DECEPCIONOU
Alphabet (GOGL34): dona do Google reduz investimentos, mas balanço decepciona e ações despencam mais de 10%
29 de outubro de 2026 - 11:22BALANÇOS
Foguete decola, streaming trava: SpaceX sobe e Netflix cai após resultados trimestrais; entenda os números
20 de outubro de 2026 - 20:09DE PARIS A MARSELHA
Ruas em chamas na França, mercados pegam fogo na Europa — e isso mexe com os investimentos
19 de outubro de 2026 - 14:29A ELEIÇÃO E O SEU BOLSO
EUA entre a espada e a espada: como guerras, inflação e eleições de meio de mandato pressionam Trump e mexem com a sua carteira
19 de outubro de 2026 - 7:14MAIS PERTO DO QUE PARECE?
De Marte para a sua carteira: o que muda se Elon Musk juntar Tesla e SpaceX
15 de outubro de 2026 - 19:45PERFIL
Avó piloto, formado pela Ferrari e agora na Fórmula 1: quem é Rafael Câmara, anunciado pela Haas para 2027
15 de outubro de 2026 - 13:39QUEM VÊ CLOSE, NÃO VÊ CORRE
Como a Apple deixou a desconfiança para trás e alcançou (de novo) a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado
14 de outubro de 2026 - 17:16PENALIDADE BILIONÁRIA
US$ 1,2 bilhão na conta: multa vira dor de cabeça no balanço deste gigante dos EUA; ações sentem o baque
14 de outubro de 2026 - 14:06RETORNO INCERTO?
Cassino da inteligência artificial? O alerta do presidente da Broadcom que fez tremer as ações de chips
13 de outubro de 2026 - 17:32HUB PARA CASA
E agora, Elon Musk? O lançamento da Apple que faz a ação subir para a terceira maior alta em Nova York
13 de outubro de 2026 - 13:31EM XEQUE
iPhone com os dias contados? Como a Starlink de Elon Musk pode acabar com o império da Apple
12 de outubro de 2026 - 18:45VENCEDORES DA TEMPORADA
Empresas do S&P 500 devem lucrar 31% mais no 3T26 — e esses dois setores devem largar na frente
12 de outubro de 2026 - 16:31BIBLIOTECA BÁSICA
A regra milenar de ‘A Arte da Guerra’ que Warren Buffett usa para evitar derrotas na bolsa
12 de outubro de 2026 - 11:57UM RISCO NEM TÃO ADMINISTRADO ASSIM
O Nobel de Economia que alertou para o risco e viu seu fundo perder 44% em um mês
10 de outubro de 2026 - 7:48A ÚLTIMA PERNADA
S&P 500 pode dar um sprint final até dezembro — mas investidor não deve ignorar uma pedra no caminho
9 de outubro de 2026 - 18:31PEGADINHA NORUEGUESA?
“Achei que fosse brincadeira”: quem é Navi Pillay, a vencedora do Nobel da Paz de 2026
9 de outubro de 2026 - 8:35OUSADIA PREMIADA
Canadense Anne Carson dá sopro de poesia ao Prêmio Nobel de Literatura
8 de outubro de 2026 - 8:49É SÓ O COMEÇO
O melhor está por vir para a TSMC após alta de 55% no ano. Entenda o que a Nvidia e Elon Musk têm a ver com o futuro das ações
7 de outubro de 2026 - 17:05SHERLOCKS DOS AMINOÁCIDOS