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A entrevista de emprego tende a continuar no modelo remoto no pós-pandemia. O futuro dos processos seletivos é híbrido: presencial e online
“Olá. Consegue me ouvir?”, “Sim, estou te ouvindo. E você está?” Esse costuma ser o início de qualquer diálogo no modelo remoto, em aplicativos como o Zoom ou o Google Meet. O teste de áudio e vídeo virou praticamente um ritual nas conversas realizadas através de uma tela durante a pandemia, incluindo as entrevistas de emprego.
Comigo não foi diferente. Em 2021, após o término da graduação, estava em busca de um emprego efetivo. As etapas de procura, candidatura e entrevistas foram todas no modo remoto.
Esse é um caso particular que se estendeu a muitos outros candidatos a uma vaga de emprego, no regime CLT - que era o meu caso -, estágio, trainee ou qualquer outra modalidade de ocupação - o que inclui empregos temporários e autônomos (freelancers).
Segundo a consultoria global de carreira Korn Ferry, 85% das companhias adotaram o home office como a única forma de trabalho. A pesquisa foi realizada em novembro de 2021.
Isso quer dizer que a maneira de abrir uma vaga de trabalho e todas as outras fases que envolvem a seleção aconteceram dentro de casa, através de um computador, uma plataforma de conversa à distância e uma conexão de internet.
Agora que a pior fase da pandemia parece enfim ter ficado para trás, o que muda para quem está em busca de um novo emprego? Na reportagem a seguir eu conto como as empresas pretendem selecionar os candidatos a uma vaga e as dicas para você se preparar, seja para uma entrevista pessoal ou virtual.
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Se você não gosta muito de falar por uma tela de computador, não trago boas notícias. Nos processos de recrutamento e seleção, o modelo remoto veio para ficar, segundo especialistas. É o que comenta, por exemplo, Sandra Gioffi, diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) Brasil.
Para ela, as entrevistas de emprego presenciais ainda são importantes e devem acontecer em específicos casos. “É uma questão muito mais de cultura do que da técnica e da eficácia da ferramenta” [de entrevista online].
A seleção online deve se tornar usual principalmente nas primeiras fases do processo. “Contudo, ainda existe, pela característica do gestor, uma entrevista presencial. Mas, isso ainda é pelo modelo mental do gestor que é muito apegado à questão do contato físico’, acrescenta Gioffi.
Ou seja, os processos seletivos tendem a misturar etapas online e entrevistas presenciais. O que já vem acontecendo no contexto de reabertura da economia. Interações em grupo, dinâmicas e testes comportamentais, criados para aplicação presencial, devem voltar aos tempos pré-pandemia — que não estão tão distantes assim.
Nesse mesmo sentido, Alessandra Araújo, sócia e diretora comercial da Estação4, uma consultoria de Desenvolvimento Humano, aponta que algumas práticas e técnicas de entrevistas presenciais, no período pré-pandemia, vão ser retomadas.
“Muito provavelmente, a gente vai voltar a utilizar algumas ferramentas que a gente sente falta para determinadas posições, tipos de trabalho”, disse.
“Da mesma forma que as empresas estão migrando para o híbrido no dia a dia de trabalho, consequentemente, os processos seletivos eles também vão ser parte no presencial, parte no online”, afirma Alessandra.
O modelo remoto de trabalho traz as suas vantagens e que não podemos negar. Mas quando se está na busca de um emprego?
Sandra Gioffi, diretora do ABRH Brasil, destacou que uma das vantagens “aceleradas” pela pandemia é a possibilidade de participar de vários processos seletivos ao mesmo tempo. Mais oportunidades tanto para o candidato quanto para as empresas.
As plataformas de recrutamento já contam hoje com algoritmos capazes de fazer o “match” entre candidatos e vagas. Caso a empresa tenha como prática o home office, consegue atingir pessoas de qualquer canto do mundo.
Por outro lado, não podemos desconsiderar alguns entraves que o online não consegue afastar. “Esse algoritmo, por si, pode ter um viés de quem o programou, o que pode ser um pouco injusto”, considera a diretora da ABRH.
Mas uma verdade que não se pode negar é a agilidade dos processos remotos.
Por outro lado, é importante também considerar a espontaneidade dos candidatos. “Quando você está presencialmente tem um tempo de espera, você conhece a organização e o recrutador consegue ler mais facilmente o comportamento do candidato. Quando você está em uma posição remota, todo esse contexto é reduzido”, comenta Gioffi.
Conversar com o recrutador ou com o possível gestor, por si só, pode causar certo nervosismo. Logo, para que o momento da entrevista de emprego não seja uma surpresa, com atrasos e imprevistos, é importante saber algumas diferenças entre elas.
A diferença está no modelo em si. Enquanto que no presencial vale estar atento à maneira como se apresentar, no online a aparência é importante apenas do tronco para cima, por exemplo.
Isso não quer dizer que o visual não seja importante em uma entrevista remota. Uma boa iluminação, além da qualidade do aúdio e do vídeo também interferem — elas são “as roupas” do processo de seleção online.
VEJA TAMBÉM: ENTREVISTA DE EMPREGO? 7 dicas para ser aprovado | Como conquistar a PROMOÇÃO dos seus sonhos
Uma nova modalidade de seleção que deve ganhar força no pós-pandemia é o chamado “recrutamento às cegas”.
Nesse tipo de seleção, o candidato grava um vídeo contando sobre quem ele é e as justificativas para a candidatura na vaga. A empresa recrutadora apenas recebe um vídeo, sem a imagem do interessado na vaga, ou seja, impossibilitando distinguir as suas características físicas.
Seja qual for o formato, o processo de avaliação do profissional pouco se altera, segundo Alessandra Araújo, sócia e diretora comercial da Estação4.
As perguntas são, em grande parte, sobre quem é o candidato, as experiências, os fatos relevantes que precisam ser compartilhados para a conquista da vaga.
“O recrutador vai avaliar quais são as habilidades, competências e capacidades do candidato dentro da vaga proposta”, explica.
Por fim, Alessandra diz que o posicionamento de quem vai contratar o profissional é fundamental. “O entrevistador tem que ter uma sensibilidade apurada e um senso de empatia para tirar sempre o melhor do candidato.”
Saber como se portar e conversar, ainda que remotamente, faz mais diferença do que se imagina.
Mesmo que no currículo você exponha todas as aptidões, experiências e aprendizados, a vivência pessoal pode acrescentar dados valiosos para a conquista da vaga. Isso porque é o que pode gerar o ‘match’, a partir das habilidades comportamentais, até mais que a técnica em si.
Aproveitar o momento para citar experiências adicionais, como viagens, expectativas para o futuro podem te colocar ou retirar daquela vaga.
A diretora da ABRH, Sandra Gioffi, dá algumas dicas:
“Primeiramente, o candidato deve estar bem apresentável, o que não é terno nem roupa social, é estar com uma roupa de trabalho e com foco na entrevista. Obviamente, de câmera aberta, porque é onde ele se deixa ver e consegue fazer uma interação com quem está entrevistando. O lugar também precisa ser silencioso”.
Além disso, o candidato precisa se planejar, ou seja, “testar a câmera e áudio antes e garantir que a conexão está funcionando bem”. “Fazer um roteiro de perguntas, porque o candidato precisa perguntar coisas sobre a empresa”, acrescenta.
Orientações como concentração, “estar de corpo presente” e desligar o celular são outras que devem ser levadas em consideração. “São coisas que dizem respeito à organização e gestão do tempo e do espaço que está sendo utilizado”, finaliza.
Em resumo, aqui vão algumas dicas para você se sair bem na próxima entrevista virtual:
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