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Mudança na doutrina permite o uso de armas nucleares táticas no campo de batalha caso presidente russo perca espaço no conflito
O mundo entrou em estado de alerta quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, colocou suas forças de dissuasão - que incluem armas nucleares - em modo de combate.
Na sequência, o que se viu foi a tomada da região onde está a maior usina nuclear da Europa depois que Chernobyl passou ao domínio russo. Mas o que tudo isso significa? Corremos o risco de uma guerra nuclear?
Para o cientista político Heni Ozi Cukier, embora seja improvável, não se pode descartar completamente esse cenário.
Ou seja, se houver uma grande escalada no conflito ou caso Putin se sinta encurralado, a Rússia pode, sim, usar armas nucleares na Ucrânia.
“É escalar para desescalar, isto é, se os russos se sentirem ameaçados ou perdendo terreno na guerra, eles cogitam o uso de armas nucleares para que negociadores se sentem à mesa e coloquem fim ao conflito”, disse.
Essa possibilidade virou uma realidade com a mudança da doutrina nuclear russa, que passou a permitir o uso de armas nucleares táticas no campo de batalha.
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Diferente das armas estratégicas, as armas nucleares táticas são menores, de curto alcance e com um menor potencial de destruição.
Uma guerra nuclear é uma possibilidade que assusta, mas que não deixa de ser real ainda mais quando consideramos os últimos movimentos de Putin nessa direção.
Na quarta-feira (04), as forças militares russas passaram a controlar o território no entorno da usina de Zaporizhzhia, a maior da Europa.
O ataque à região ocorreu na esteira da tomada de controle da antiga usina de Chernobyl, que aconteceu na última quinta-feira (24), primeiro dia da invasão russa à Ucrânia.
“Todo mundo ou a maioria pensava que a Rússia nunca iria invadir a Ucrânia e aconteceu. Estamos lidando com o imponderável que se confirmou. Claro que é necessário cautela, mas é algo que está para menos provável do que para impossível”, disse Cukier, em comentário feito aos assinantes da Empiricus.
Putin alertou na semana passada que se outros países interferissem nos planos da Rússia, eles enfrentariam consequências do "tipo que nunca viram".
A mensagem foi amplamente interpretada como um aviso para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não se envolver militarmente de forma direta na Ucrânia.
Até o momento, tanto a Otan como os Estados Unidos deixaram claro que não enfrentarão os militares russos no campo de batalha. A arma que as grandes potências têm usado para conter o avanço das tropas de Putin da Ucrânia é outra: sanções financeiras e econômicas.
Além de congelar bens de Putin e do ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, norte-americanos, britânicos e europeus miraram o banco central e retiraram alguns credores do país do sistema de pagamentos globais Swift, além de outras sanções econômicas.
Outros aliados, incluindo Japão, Canadá, Austrália e Coreia do Sul, também adotaram sanções.
Até agora, as grandes potências ocidentais têm sido cuidadosas para não aumentar a tensão, seja na retórica ou em suas ações.
As Forças Armadas dos Estados Unidos têm seu próprio nível de alerta de prontidão para defesa, conhecido como Defcon. Mas, na terça-feira (01), a Casa Branca informou que não havia motivo para mudar seus níveis de alerta nuclear neste momento.
O Reino Unido tem submarinos nucleares armados nos oceanos e, até o momento, evitou se manifestar sobre isso publicamente.
Para oficiais de segurança de países da Otan, a situação ainda não é de uma crise nuclear, mas pode se tornar uma.
“Sei que uma guerra nuclear é impensável, mas não é impossível”, afirmou Cukier.
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