E agora, Campos Neto? Guedes diz que BC errou por não perceber mudança no eixo da economia
Apesar das críticas, o ministro elogiou o presidente do BC e disse que os apontamentos são feitos para a diretoria como um todo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, deu uma chamada na equipe do banco central. Segundo ele, a autoridade monetária errou as projeções econômicas para o Brasil por não perceber a mudança no eixo de crescimento com reformas e marcos legais aprovados pelo Congresso.
Para Guedes, esse erro teve um viés técnico.
"O BC também errou projeções, mas com erro técnico, de pessoal mais sofisticado. O BC errou por não perceber que mudamos o eixo da economia. O BC errou ao falar o tempo todo em risco fiscal, desajuste fiscal, quando íamos para superávit. O BC estava preocupado com o fiscal e eu com o juro negativo", disse Guedes.
Apesar das críticas, o ministro elogiou o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e disse que os apontamentos são feitos para a diretoria como um todo.
"Campos Neto é excelente presidente do BC, percebeu e se adiantou à inflação. Quando falo do BC, falo da diretoria, e não do presidente Campos Neto", disse.
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Expectativas de atividade
Na mesma entrevista, o ministro da Economia voltou a afirmar que o Brasil tem surpreendido, mesmo com expectativas pessimistas dos mercado. Segundo ele, o País já registrou um crescimento de 2,5% no primeiro semestre e deve crescer ainda mais até o fim do ano.
Também ressaltou que a inflação brasileira está menor que a das principais economias do mundo e o Produto Interno Bruto (PIB) é o maior entre os países membros do G7.
"Fizemos diversas reformas e aprovamos projetos no Congresso. Os elogios não devem vir para mim, mas para o presidente (Jair) Bolsonaro, para o Arthur Lira (presidente da Câmara), para o presidente do Senado (Rodrigo Pacheco), para o STF e para o TCU", disse.
Segundo Guedes, o Brasil tem uma dinâmica própria de crescimento, que o diferencia das demais economias e reduz os efeitos de uma eventual recessão global.
Para ele, o País pode crescer 3% anuais nos próximos cinco anos se a agenda de reformas for aprovada pelo Congresso.
"O Brasil será a garantia da segurança energética da Europa. Com a guerra da Ucrânia, os europeus viram que a Rússia não é confiável. Isso beneficia o Brasil. Querem construir 10 Itaipus em cinco anos no Nordeste para geração de energia eólica. Duas guerras mundiais foram oportunidade para os Estados Unidos. Agora é oportunidade para Brasil", disse.
E a reforma tributária, Guedes?
O ministro da Economia voltou a afirmar que a reforma tributária proposta pelo governo Jair Bolsonaro está paralisada no Senado, prevê o reajuste da tabela de Imposto de Renda e tributa os "super ricos".
Segundo Guedes, a tributação de lucros e dividendos é essencial para que o governo pague R$ 200 a mais de Auxílio Brasil em 2023.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2023 prevê o pagamento de um Auxílio médio de R$ 405.
O ministro tem afirmado publicamente que tornar permanente o valor de R$ 600 depende da criação do imposto sobre lucros e dividendos. "O nosso projeto foi aprovado pela Câmara e está paralisado no Senado. Todo o nosso programa é claro e pode ser aprovado depois das eleições. Mas o tempo é sempre da política", disse
Guedes voltou a afirmar também que um dos objetivos do governo é o de acabar com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Segundo ele, os impostos sobre a agroindústria também devem ser reduzidos.
Entretanto, Guedes não detalhou quais serão diminuídos e quando isso deve ocorrer.
Guedes defende a carteira verde e amarela
Ele também voltou a defender a criação da carteira de trabalho verde e amarela, com redução de encargos para a contratação de trabalhadores. Essa proposta foi enviada ao Congresso e rejeitada pelos parlamentares.
"Nenhum governo transferiu mais recursos para os mais frágeis. Fizemos a maior redução de pobreza dos últimos 40 anos", disse o ministro.
Novas críticas aos analistas do mercado financeiro
Guedes também voltou a declarar que os analistas que têm errado as projeções para a economia brasileira também têm feito previsões catastróficas para o País em 2023.
"Nos mudamos a dinâmica de crescimento da economia brasileira. Com concessões e privatizações, já existe um novo eixo para economia. Temos R$ 900 bilhões de investimentos contratados para os próximos 10 anos. Quem previa recessão em 2022 já fez 10 revisões de crescimento do PIB para cima. Alguns militantes estão só fazendo a 'rolagem da desgraça' para 2023. Dependendo do resultado da eleição, pode ser que a desgraça dê certo", insistiu o ministro.
Reforma administrativa
Guedes voltou a afirmar que o governo realizou uma reforma administrativa invisível, com 40 mil funcionários a menos, e sem a concessão de reajustes salariais para os servidores durante a pandemia.
Na avaliação dele, as mudanças no RH do Estado contam com "todo o apoio" do funcionalismo.
"Os servidores públicos no Brasil acumularam reajustes com aumento real de 50% nos últimos 17 anos. Pedimos para ele nos ajudarem sem a concessão de reajustes durante a pandemia já que estavam trabalhando em casa, no home office. A reforma administrativa tem todo o apoio do funcionalismo que conversa com a gente", disse.
O ministro também voltou a declarar que a mudança na legislação tributária é a mais importante das reformas. Ele afirmou que a proposta tem potencial para aumentar o potencial de crescimento da economia, com mais eficiência e tributando os mais ricos.
Segundo Guedes, o Brasil é um dos países mais digitalizados do mundo, pagou o auxílio emergencial digitalmente, enquanto nos Estados Unidos diversas pessoas ainda recebem cheques pelo correio.
"O Banco Central dos Estados Unidos está vindo ao Brasil para ver como implementamos o Pix. Somos um exemplo para o mundo", disse.
Guedes cobra devolução do BNDES ao Tesouro
O ministro da Economia voltou a cobrar que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faça uma devolução final, até o fim desta semana, de R$ 90 bilhões à União.
Na agenda dele, constava ainda nesta terça-feira uma reunião com o presidente da instituição, Gustavo Montezano, às 15h.
Guedes tem dito publicamente que dos R$ 500 bilhões aportados pelos governos petistas no banco público, R$ 410 bilhões foram devolvidos e ainda faltam R$ 90 bilhões.
"Vamos usar esse dinheiro do BNDES para reduzir a dívida pública. Com a devolução final pelo BNDES, a relação entre a dívida pública e o PIB volta para patamar de quando chegamos aqui", disse o ministro.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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